O Livro de Habacuque, também grafado Habacuc, é um dos livros da Tanakh e do Antigo Testamento, considerado uma escritura sagrada por judeus e cristãos em geral. Integra a seção dos profetas menores e sua autoria é atribuída, pelo próprio texto, ao profeta Habacuque.
Contexto thumb|280px|Pesher do Livro de Habacuque, encontrado entre os manuscritos do Mar Morto. |esquerda
O livro se ambienta nas últimas décadas do reino de Judá, em meio a um cenário de idolatria, injustiça e corrupção moral, além da crescente ameaça de um império opressor. Habacuque, em meio a tudo isso, lamenta a Deus e clama por justiça.
Não se sabe ao certo a data em que o livro foi escrito, mas há duas hipóteses principais: a primeira enquadra-o antes da queda de Nínive em 612 a.C, de maneira que os opressores seriam os assírios; enquanto a segunda enquadra-o entre a Batalha de Carquemis, em 605 a.C, e o primeiro cerco a Jerusalém, em , de maneira que os opressores seriam os caldeusA Tradução Ecumênica da Bíblia (Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 953) prefere essa hipóteseBíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, pp 1.249-1.250.
Conteúdo Diferente dos outros livros dos profetas menores, o livro de Habacuque se estrutura a partir de um diálogo do profeta com Deus. No primeiro capítulo, ele reclama que Deus está indiferente diante de todo a crise social e espiritual de Judá (), pelo que Deus lhe responde que levantará um império oriental para castigar o seu povo (). Diante dessa resposta, Habacuque questiona Deus, argumentando que não faz sentido que ele use um império pior ainda para castigar Judá ().
No segundo capítulo, Deus faz uma promessa a Habacuque contra o império oriental, prometendo um dia destrui-lo, salvando, porém, os justos (). Ele elabora quatro imprecações: a primeira, contra aqueles que cometem práticas econômicas injustas (); a segunda, contra aqueles que empregam a violência para alcançar poder (); a terceira, contra aqueles que se embebedam (); e a quarta, contra aqueles que adoram ídolos ().
O terceiro capítulo é um poema de Habacuque dirigido ao cantor-mor. Nele, o profeta declara o seu temor diante de Deus e pede que ele avive a sua obra, aludindo a diversos dos seus feitos grandiosos e asseverando a sua fé inabalável nele ().
Mensagem O livro é geralmente interpretado como um convite a confiar em Deus mesmo diante da corrupção social. As imprecações de Deus no segundo capítulo são uma chamada às vítimas de opressão para que elas desnudem a fragilidade e a insensatez dos seus opressores e se tornem agentes da história, de maneira a quebrar os seus medos e incentivá-las à luta contra a opressão e à mobilização social e espiritualHabacuc , Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 11 de setembro de 2010. Pelo que o poema final se erige como um modelo de atitude para todos os crentes em Deus, isto é, deve-se confiar nele independente do contexto social e esperar pelo momento em que ele fará justiça ao mundo.
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