Graciema Junqueira da Luz (Leopoldina, 8 de janeiro de 1903 — Rio de Janeiro, 25 de fevereiro de 1983) foi a segunda esposa do advogado e político Carlos Luz, o 19.º presidente do Brasil durante a crise política de novembro de 1955. Em decorrência da ascensão do marido à Presidência da República, foi primeira-dama do país entre 8 e 11 de novembro daquele ano, período considerado a mais curta passagem de uma primeira-dama brasileira pela posição.
Nascida em uma família de grande influência econômica e política na Zona da Mata Mineira, casou-se com Carlos Luz em 1927, quando ele já exercia funções públicas em Leopoldina. O casal teve dois filhos, Fernando e Beatriz. Sua vida pública foi registrada principalmente em documentos relativos à carreira do marido, em periódicos da época e em registros produzidos após a morte de Carlos Luz.
Primeiros anos e origem familiar
Graciema nasceu em 8 de janeiro de 1903, em Leopoldina, no interior de Minas Gerais, com o nome de Graciema Monteiro Junqueira. Era filha do médico Custódio Monteiro Ribeiro Junqueira e de Emerenciana Botelho Reis Junqueira.
Custódio Ribeiro Junqueira havia se formado pela então Faculdade Nacional de Medicina em 1897, passando a exercer a profissão em Leopoldina, onde também participou da vida política, empresarial e educacional do município. Casou-se com Emerenciana Botelho Reis, com quem constituiu uma numerosa família.
Uma publicação do Ministério Público de Minas Gerais descreve a família de Graciema como detentora de “grande prestígio e influência no interior mineiro”. Entre seus parentes estava o deputado federal José Monteiro Ribeiro Junqueira, apontado em biografias de Carlos Luz como um dos principais líderes políticos e econômicos de Leopoldina. José Junqueira esteve ligado ao Banco Ribeiro Junqueira, à Companhia de Força e Luz Cataguases-Leopoldina, à Companhia Leiteira Leopoldinense e à Companhia Fiação e Tecidos Leopoldina, além de participar da fundação do jornal Gazeta de Leopoldina e do Ginásio Leopoldinense.
Esse ambiente familiar inseria Graciema em uma das redes políticas e econômicas mais relevantes da Zona da Mata durante as últimas décadas da Primeira República. A influência dos Junqueira também se estendia ao antigo Partido Republicano Mineiro, organização que dominou grande parte da política estadual até a Revolução de 1930.
Casamento e vida familiar
Graciema casou-se com Carlos Coimbra da Luz em 30 de junho de 1927, na Paróquia de São Sebastião, em Leopoldina. O casamento consta no livro paroquial número 6, folha 59, termo 40, no qual a noiva foi registrada como Graciema Monteiro Junqueira.
Carlos Luz era viúvo de Maria José Dantas, falecida em agosto de 1924, com quem tivera dois filhos, Rui Dantas Luz e Maria Augusta Dantas Luz. Do casamento de Carlos e Graciema nasceram outros dois filhos: Fernando Junqueira da Luz e Beatriz Junqueira da Luz.
À época do casamento, Carlos Luz já havia exercido os cargos de vereador, presidente da Câmara Municipal e prefeito de Leopoldina. Em 1927, iniciava novo período à frente da administração municipal e participava da organização do Congresso das Municipalidades da Zona da Mata. Os estudos biográficos sobre o político relacionam sua atuação naquele período ao círculo dos Junqueira e registram que ele participou, juntamente com integrantes da família de Graciema, da campanha da Aliança Liberal nas eleições presidenciais de 1930.
Nas décadas seguintes, Carlos Luz ocupou as secretarias de Agricultura, Viação e Obras Públicas e do Interior de Minas Gerais, foi deputado federal, presidente da Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro, ministro da Justiça e presidente da Câmara dos Deputados.
Primeira-dama do Brasil
Sucessão presidencial de 1955
Em 3 de novembro de 1955, o presidente Café Filho foi hospitalizado após sofrer um distúrbio cardiovascular. Como presidente da Câmara dos Deputados e primeiro nome na ordem constitucional de sucessão, Carlos Luz passou a ser o substituto legal do chefe do Executivo. No dia 8 de novembro, informado de que deveria permanecer afastado, Café Filho decidiu transmitir-lhe o governo. Carlos Luz assumiu a Presidência da República na tarde daquele dia.
Com a posse do marido, Graciema passou a ocupar a posição tradicionalmente atribuída à esposa do presidente da República. Sucedeu Jandira Café, esposa de Café Filho. Sua permanência como primeira-dama, entretanto, esteve diretamente condicionada à curta e conturbada administração de Carlos Luz.
O governo foi marcado pela crise envolvendo o ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, e o coronel Jurandir de Bizarria Mamede. Lott defendia a punição de Mamede por um discurso contrário à posse dos candidatos eleitos Juscelino Kubitschek e João Goulart. Depois de Carlos Luz aceitar o pedido de demissão de Lott e indicar o general Álvaro Fiúza de Castro para substituí-lo, setores do Exército iniciaram, na madrugada de 11 de novembro, o movimento político-militar posteriormente conhecido como Movimento de 11 de Novembro.
Na manhã do dia 11, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovaram o impedimento de Carlos Luz. O vice-presidente do Senado, Nereu Ramos, assumiu a Presidência da República naquela noite. Com a mudança, Graciema foi sucedida por Beatriz Ramos, esposa do novo presidente.
A passagem de Graciema pela condição de primeira-dama durou aproximadamente três dias, acompanhando aquela que é considerada a mais curta administração presidencial da história republicana brasileira. Embora os registros da Câmara dos Deputados também indiquem que Carlos Luz havia exercido interinamente a Presidência entre 19 e 29 de abril de 1955, as obras dedicadas à história das primeiras-damas situam o período de Graciema no posto especificamente entre 8 e 11 de novembro.
Após a Presidência e viuvez
Em 1.º de maio de 1956, Graciema acompanhou Carlos Luz em uma visita a Leopoldina, a primeira realizada pelo ex-presidente à Zona da Mata depois dos acontecimentos de novembro de 1955. A recepção incluiu uma missa em ação de graças, homenagens e um almoço. Reportagem publicada pela revista Revista da Semana registrou que as manifestações dirigidas a Carlos Luz foram igualmente estendidas a Graciema, que esteve presente nas solenidades.
Carlos Luz continuou exercendo o mandato de deputado federal até falecer no Rio de Janeiro, em 9 de fevereiro de 1961. Após a morte do marido, Graciema enviou uma carta ao Senado Federal agradecendo as manifestações de pesar prestadas pelos senadores. A correspondência foi registrada nos Anais do Senado Federal daquele ano, que a identificaram como viúva de Carlos Coimbra da Luz.
Em julho de 1975, o nome de Graciema Junqueira da Luz figurou em uma relação de processos de pensão submetidos ao plenário do Tribunal de Contas da União. O voto do relator considerou legal a concessão correspondente ao processo de número 20.923/75.
Graciema faleceu no Rio de Janeiro em 25 de fevereiro de 1983, aos oitenta anos.
Ver também
Carlos Luz Lista de primeiras-damas do Brasil Movimento de 11 de Novembro
Ligações externas
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