Double Indemnity é um filme noir americano de 1944, dirigido por Billy Wilder e produzido por Buddy DeSylva e Joseph Sistrom. O diretor e Raymond Chandler adaptaram o roteiro do romance homônimo de James M. Cain, publicado como um conto de oito partes na revista Liberty em 1936.

O filme conta a história de um vendedor de seguros, Walter Neff (Fred MacMurray), que conspira com uma mulher (Barbara Stanwyck) para matar o marido dela a fim de reivindicar o pagamento do seguro de vida, despertando a suspeita do gerente Barton Keyes (Edward G. Robinson). O título faz referência a uma cláusula de "double indemmity" que dobra os pagamentos do seguro de vida quando a morte ocorre de forma extremamente rara.

O longa-metragem foi indicado a sete Oscars. Amplamente considerado um clássico, Double Indemnity é frequentemente citado como tendo estabelecido o padrão do cinema noir e também um dos maiores filmes de todos os tempos.

Sinopse Em 1938, um agente de seguros encontra a atraente (e casada) Phyllis Dietrichson quando vai efetuar um negócio, e ambos logo se apaixonam. Phyllis o convence a seguir um plano para assassinar o marido dela após fazer um seguro de vida para ele. O objetivo dos dois é ficar com o dinheiro do seguro. Mas nem tudo dá certo na execução de tal plano. Elenco thumb|left|250px|Stanwyck e MacMurray.

Fred MacMurray como Walter Neff Barbara Stanwyck como Phyllis Dietrichson Edward G. Robinson como Barton Keyes Porter Hall como Jackson Jean Heather como Lola Dietrichson Tom Powers como Dietrichson Byron Barr como Nino Zachetti Richard Gaines como Norton Fortunio Bonanova como Sam Gorlopis (motorista de caminhão) John Philliber como Joe Pete (operador de elevador)

Atores não-creditados:

Raymond Chandler faz uma participação especial como um homem lendo uma revista do lado de fora do escritório de Keyes enquanto Neff sai Bess Flowers como secretária de Norton Betty Farrington como Nettie, a empregada de Dietrichson Teala Loring como operadora de telefone da Pacific All-Risk Insurance Sam McDaniel como Charlie, limpador de carros Miriam Nelson como secretária de Keyes Douglas Spencer como Lou Schwartz, um colega de escritório de Neff Norma Varden como a secretária que deixa a Sra. Dietrichson entrar no escritório de seguros Produção Antecedentes James M. Cain baseou sua novela Double Indemnity em um assassinato de 1927 perpetrado por Ruth Snyder e seu amante Henry Judd Gray, que conspirou com um agente de seguros para obter uma apólice de US$ 45.000 com uma cláusula de dupla indenização sem o conhecimento de seu marido Albert Snyder e então assassina-lo."Shadows of Suspense". Double Indemnity Universal Legacy Series DVD. Universal Studios. 2006.

Cain se tornou um romancista popular após a publicação de The Postman Always Rings Twice durante 1934, e Double Indemnity começou a circular em Hollywood logo após ser publicado na revista Liberty em 1936. Metro-Goldwyn-Mayer, Warner Bros., Paramount, 20th Century-Fox, RKO Pictures e Columbia competiram pelos direitos de adaptação da obra, mas o fervor acabou quando o administrador do código hays, Joseph Breen, alertou em uma carta aos estúdios:

No ano de 1943, Joseph Sistrom da Paramount, comprou os direitos do romance por US$ 15.000, imaginando Billy Wilder no papel de diretor. O estúdio então reenviou o livro para o código hays e obteve uma resposta idêntica à de sete anos antes; a Paramount novamente fez algumas modificações. A sinopse só foi aprovada com três objeções: retratar cruelmente o descarte de um cadáver, a cena de execução na câmara de gás e o tamanho da toalha usada pelo corpo da protagonista feminina. O autor do romance afirma que Joseph Breen lhe devia US$ 10.000 por vetar a compra por US$ 25.000 em 1936. Roteiro As restrições impostas pelo Código Hays tornaram a adaptação de Double Indemnity um desafio. O parceiro de roteiro de Wilder, Charles Brackett, ajudou ele inicialmente antes de se aposentar. O diretor caracterizou o período em que estiveram separados: "1944 foi 'O Ano das Infidelidades'[...] Charlie produziu The Uninvited [...] Acho que nunca me perdoou. Ele sempre achou que eu o traí com Raymond Chandler". O próprio autor do romance seria a primeira escolha de Wilder como substituto de Brackett; mas como ele estava trabalhando na 20th Century Fox, então nunca foi convidado para trabalhar no longa-metragem. O produtor Joseph Sistrom então chamou Raymond Chandler já que admirava The Big Sleep.Dobbs, Lem (comentário),Redman, Nick (comentário), Wilder, Billy (diretor). 2014. "Double Indemnity Feature Commentary". Blu-ray DVD. Universal Studios.

Novo em Hollywood, Raymond Chandler exigiu US$ 1.000 e pelo menos uma semana para concluir o roteiro, sem perceber que não verdade seu salário seria 750 dólares por 7 dias. O diretor chamou o primeiro rascunho de Chandler como "instruções de câmera inúteis"; para ensinar o roteirista a escrever roteiros melhores, Wilder deu a ele uma cópia de seu roteiro para Hold Back the Dawn (1941). Eles não se deram bem durante os quatro meses seguintes. Chandler reclamou disto uma vez, enviando uma longa lista de queixas sobre o diretor para a Paramount. O roteirista concordou em aparecer no filme, erguendo os olhos de uma revista enquanto Neff caminha para fora do escritório de Keyes; esta é a única participação especial dele em alguma obra cinematográfica. Eles fizeram mudanças consideráveis na história do livro. Como o Código Hays exigia que os criminosos pagassem por suas transgressões, o suicídio duplo no final do romance não era então permitido. A solução foi fazer com que os dois protagonistas se ferisse mortalmente. O personagem Barton Keyes foi transformado de um colega bastante desavisado para o mentor e antagonista do filme.

Chandler sentiu que os diálogos do romance não ficaria bem numa tela de cinema, mas Wilder discordou; após contratar atores contratados para ler trechos do texto de Cain em voz alta, ele cedeu ao argumento do roteirista. Chandler também procurou locações, incluindo o Jerry's Market na Melrose Avenue, onde Phyllis e Walter se encontram discretamente para planejar e discutir o assassinato.

Raymond Chandler era um alcoólatra em recuperação. Wilder disse que "Ele estava nos Alcoólicos Anônimos [...] Eu o fiz voltar a beber". O roteirista escreveu no The Atlantic Monthly em novembro de 1945 que "O primeiro filme em que trabalhei foi indicado ao Oscar... mas eu nem fui convidado para a entrevista para a imprensa". Wilder atacou: "Como poderíamos? Você estava bêbado debaixo da mesa..." A experiência do diretor com Chandler o levou a adaptar o romance The Lost Weekend de Charles R. Jackson que é sobre um escritor alcoólatra, como seu próximo filme.

James M. Cain ficou impressionado com o roteiro, chamando-o de "o único filme que já vi feito a partir dos meus livros que tinha coisas que eu gostaria de ter pensado. O final de Wilder foi muito melhor do que a minha conclusão, e seu truque para deixar o cara contar a história, eliminando a máquina de escrever do escritório - eu teria feito isso se tivesse pensado um pouco mais". Escolha de Elenco

Sistrom e Wilder queriam que Barbara Stanwyck interpretasse Phyllis Dietrichson, naquela época ela era a intérprete feminina mais bem paga dos Estados Unidos. Porém, inicialmente ela estava relutante em interpretar uma femme fatale, temendo que isso tivesse um efeito adverso em sua carreira. A atriz lembra de estar "um pouco receosa, depois de todos esses anos interpretando heroínas, de se tornar uma assassina descarada". O diretor perguntou: "Bem, você é uma ratinha ou uma atriz?" Ela ficou grata por seu incentivo.

Alan Ladd, James Cagney, Spencer Tracy, Gregory Peck e Fredric March recusaram o papel de Neff. Wilder raspou "o fundo da lista" e chamou George Raft. Como Raft não lia roteiros, o diretor descreveu o enredo. Porém, o ator o interrompeu: "Vamos para a parte da lapela [...] quando o cara mostra a lapela, você vê o distintivo dele, você sabe que ele é um detetive." Como Neff não era policial, Raft recusou o papel. Este foi o último de uma série de filmes que George Raft recusou mas que acabaram se tornando clássicos. Wilder percebeu que precisava de alguém que pudesse interpretar um cínico e um cara legal simultaneamente.

Fred MacMurray estava acostumado a interpretar "caras bons e despreocupados" em comédias leves. Quando Billy Wilder o abordou sobre o papel, MacMurray disse: "Você está cometendo o erro da sua vida!" Ele sentiu que não tinha habilidade para um personagem sério. Porém o diretor importunou o ator até que ele aceitasse, MacMurray sentiu que a Paramount nunca o deixaria interpretar um papel "errado", porque o estúdio elaborou cuidadosamente sua imagem. A Paramount o deixou assumir o personagem, na esperança de lhe ensinar uma lição durante as negociações para a renovação de seu contrato. O sucesso de MacMurray no papel foi uma surpresa para ele e para a Paramount; mais tarde, ele relembra que "nunca sonhou que seria o melhor trabalho que ele já fez".

Edward G. Robinson relutou em ceder o terceiro lugar nos créditos de elenco, refletindo que "na minha idade, era hora de começar a pensar em papéis de grandes personagens, de entrar na meia-idade e na velhice com a mesma graça do maravilhoso ator Lewis Stone". Robinson concordou em assumir o personagem, em parte porque receberia o mesmo salário dos protagonistas por menos dias de filmagem.

Filmagem As filmagens ocorreram de 27 de setembro até 24 de novembro de 1943. John F. Seitz foi o principal diretor de fotografia da Paramount, tendo trabalhado desde a era do cinema mudo. Seitz foi indicado ao Oscar por Five Graves to Cairo (1943), de Wilder. O diretor elogiou a disposição de Seitz para o experimentalismo. Eles deram ao filme uma aparência que lembra as obras do expressionismo alemão, com o uso dramático de luz e sombras. O diretor lembra: "Às vezes, as cenas eram tão escuras que você não conseguia ver nada. Ele foi aos limites do que poderia ser feito". As sequências externas brilhantes do sul da Califórnia contrastavam com as cenas internas sombrias para sugerir o que se escondia sob a fachada. O efeito foi intensificado ao sujar o cenário com cinzeiros virados e soprar partículas de alumínio no ar para simular poeira.

O diretor de fotografia utilizou iluminação de "veneziana" para simular as grades de prisão que estão prendendo os personagens. Barbara Stanwyck refletiu que: "a maneira como aqueles cenários foram iluminados, a casa, o apartamento de Walter, aquelas sombras escuras, aquelas faixas de luz forte em ângulos estranhos - tudo isso ajudou minha performance. A maneira como Billy encenou e John Seitz trabalhou, gerou um clima sensacional". Para o escritório de Neff na Pacific All Risk, Wilder e o cenógrafo Hal Pereira copiaram a sede da Paramount na cidade de Nova York como uma piada interna zombando do estúdio. As cenas externas da casa de Dietrichson no filme foram filmadas em uma casa em estilo colonial hispano-americana na Quebec Drive em Beachwood Canyon. A equipe de produção copiou o interior da residência, incluindo a sua escada em espiral, em um estúdio cenográfico da Paramount. A estação Southern Pacific Railroad em Burbank foi usada no filme com uma placa de apoio para Glendale; o local agora abriga a estação Burbank Metrolink. O prédio onde localiza-se o apartamento de Walter Neff ficava em North Kingsley Drive em Hollywood, e o Hollywood & Western Building também aparece no filme.