Modo de produção em economia, é a forma de organização socioeconômica associada a uma determinada etapa de desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção. Reúne as características do trabalho preconizado, seja ele artesanal, manufaturado ou industrial. São constituídos pelo objeto sobre o qual se trabalha e por todos os meios de trabalho necessários à produção (instrumentos ou ferramentas, máquinas, oficinas, fábricas, etc.) Existem 7 modos de produção: Primitivo, Asiático, Escravista, Feudal, Capitalista, Socialista e Comunista.

Na teoria marxista do materialismo histórico, portanto, um modo de produção (em alemão: Produktionsweise, "a forma de produzir") é uma combinação específica de:

Forças produtivas: a junção da força de trabalho humana e os meios de produção (ferramentas, maquinário, edifícios industriais, infraestrutura, conhecimento técnico, matérias-primas, plantas, animais, terras exploráveis). Relações de produção: incluem as relações de propriedade, poder e controle (código legal) que regem os meios de produção da sociedade, associações de trabalho cooperativo, as relações entre as pessoas e os objetos de seu trabalho, e as relações entre as classes sociais.

Características Um sistema econômico é definido pelo modo de produção no qual se baseia na economia do país. Os modos de produção são formados pelo conjunto das forças produtivas e pelo conjunto das relações de produção, na sua interação, num certo estágio de desenvolvimento. Simultaneamente designam as condições técnicas e sociais interferiam, com isso mesmo, um regime para a sua vida. O modo de produção é uma forma determinada da atividade vital dos indivíduos, um determinado modo de vida.

Podem-se distinguir alguns tipos historicamente mais significativos de modos de produção: um, destinado à satisfação direta das necessidades dos produtores; um segundo, destinado a manter uma classe dominante através da entrega regular de tributos e de trabalho compulsivo; outro, baseado na produção de mercadorias; e, finalmente, um outro assente na lógica da obtenção do máximo lucro. Uma das particularidades dos modos de produção consiste na sua transformação permanente, sendo de salientar que o seu desenvolvimento e alteração determinam a modificação do regime social no seu conjunto.

A evolução dos modos de produção explica-se pelo facto do desenvolvimento das forças produtivas levar, a certa altura, a uma contradição com as relações sociais de produção, de tal forma que estas se revelam como um obstáculo ao pleno desenvolvimento daquelas. Estes fenômenos não existem desunidos, são partes integrantes do processo produtivo e podem ser considerados como uma mudança estrutural da economia.

A fase de formação de um novo modo de produção constituí um período muito agitado e de excepcional importância na vida concreta das sociedades. Os modos de produção existentes enfrentam cada vez maiores dificuldades em manter a estrutura econômica em que se baseiam, tentam reorganizar-se e resistir à influência dos novos modos de produção, por vezes através de formas perturbadoras ou até violentas. Surgem realidades diferentes com novas formas de apropriação dos meios de produção, alteração dos modelos redistributivos ou de relações de trabalho, mudanças na composição das classes ou grupos sociais.

Quando o novo modo de produção assume um papel preponderante numa determinada sociedade, é acompanhado pelo declínio dos existentes, embora estes continuem a subsistir em espaços econômicos onde ainda não surgiram as condições econômicas e sociais que originaram a mudança. Os traços e as propriedades dos modos de produção manifestam-se de maneira diferente nas várias regiões. O modo de produção dominante assume a determinação dos processos, das relações e das instituições fundamentais.

O reconhecimento da forma específica de cada modo de produção implica a recolha e análise dos dados que os distinguem. Entre outros factores, é indispensável observar: o nível de desenvolvimento das forças produtivas, com relevância para a formação dos trabalhadores, os instrumentos e as técnicas adotadas; o tipo de relações existentes entre os membros da sociedade e o papel de cada classe social no processo produtivo; a propriedade dos meios de produção e os direitos de cada grupo social ou classe sobre esses meios; o objetivo da atividade econômica, conforme se destina a satisfazer as necessidades e interesses dos produtores, dos mercadores ou dos não produtores, mas que se apropriam dos excedentes; a ordem de grandeza, a forma, a utilização e a apropriação do produto do processo de trabalho entre os membros da sociedade; a forma como está assegurada a reprodução social.

Concepção Marxista O modo de produção é um dos conceitos mais fundamentais da teoria marxista, sendo compreendido como o aspecto central da realidade material que determina o caráter geral dos processos sociais, políticos e espirituais da vida. Marx considerava que a forma como as pessoas se relacionam com o mundo físico e a maneira como se relacionam socialmente estão interligadas de formas específicas e necessárias: "os homens [que] produzem tecido, linho, seda... também produzem as 'relações sociais' em meio às quais preparam o tecido e o linho." As pessoas devem consumir para sobreviver, mas para consumir elas precisam produzir e, ao produzir, inevitavelmente entram em relações que existem independentemente de sua vontade.

Para Marx, todo o segredo de por que e como uma ordem social existe e as causas da mudança social devem ser descobertos no modo de produção específico que uma sociedade possui. Ele argumentou ainda que o modo de produção moldava substancialmente a natureza do modo de distribuição, o modo de circulação e o modo de consumo, os quais, juntos, constituem a esfera econômica. Para entender como a riqueza era distribuída e consumida, era necessário compreender as condições sob as quais ela era produzida.

Um modo de produção é historicamente distinto para Marx porque constitui parte de uma totalidade orgânica (ou um todo auto-reprodutivo), que é capaz de constantemente recriar suas próprias condições iniciais e, assim, perpetuar-se de maneiras mais ou menos estáveis por séculos ou até milênios. Ao realizar a mais-valia em um sistema específico de relações de propriedade, a classe trabalhadora reproduz continuamente os alicerces da ordem social vigente.

No entanto, qualquer modo de produção conterá dentro de si (em maior ou menor grau) resquícios de modos anteriores, bem como sementes de novos modos. O surgimento de novas forças produtivas tornará as relações de produção obsoleta e causará conflitos no modo de produção atual. Quando surge o conflito, os modos de produção podem evoluir dentro da estrutura atual ou causar uma ruptura completa – como ocorreu do feudalismo ao capitalismo e como deve ocorrer, segundo Marx, do capitalismo ao socialismo.

O processo pelo qual os sistemas sociais e econômicos evoluem baseia-se na premissa de melhoria da tecnologia. Especificamente, à medida que a tecnologia avança, as formas existentes de relações sociais tornam-se cada vez mais insuficientes para explorar totalmente o novo potencial tecnológico. Isso gera ineficiências internas dentro do sistema socioeconômico mais amplo, notadamente na forma de conflito de classes.

Os arranjos sociais obsoletos impedem o progresso social enquanto geram contradições cada vez mais severas entre o nível de tecnologia (forças produtivas) e a estrutura social (relações sociais de produção), que se desenvolvem a tal ponto que o sistema não pode mais se sustentar e é derrubado por meio de uma revolução, permite o surgimento de novas formas de relações sociais compatíveis com o nível atual de tecnologia (forças produtivas).

Em sua obra Zur Kritik der politischen Ökonomie, o pensador alemão Karl Marx escreveu o seguinte sobre esta ideia: “O resultado geral a que cheguei e que, uma vez obtido, serviu de fio condutor aos meus estudos, pode resumir-se assim: na produção social da sua vida, os homens contraem determinadas relações necessárias e independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada fase de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta a superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência. Ao chegar a uma determinada fase de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade se chocam com as relações de produção existentes, ou, o que não é senão a sua expressão jurídica, com as relações de propriedade dentro das quais se desenvolveram até ali. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações se convertem em obstáculos a elas. E se abre, assim, uma época de revolução social. Ao mudar a base econômica, revoluciona-se, mais ou menos rapidamente, toda a imensa superestrutura erigida sobre ela. […] E do mesmo modo que não podemos julgar um indivíduo pelo que ele pensa de si mesmo, não podemos tampouco julgar estas épocas de revolução pela sua consciência, mas, pelo contrário, é necessário explicar esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito existente entre as forças produtivas sociais e as relações de produção. […] A grandes traços podemos designar como outras tantas épocas de progresso, na formação econômica da sociedade, o modo de produção asiático, o antigo, o feudal e o moderno burguês. As relações burguesas de produção são a última forma antagônica do processo social de produção, antagônica, não no sentido de um antagonismo individual, mas de um antagonismo que provém das condições sociais de vida dos indivíduos. As forças produtivas, porém, que se desenvolvem no selo da sociedade burguesa criam, ao mesmo tempo, as condições materiais para a solução desse antagonismo. Com esta formação social se encerra, portanto, a pré-história da sociedade humana.”Marx, Karl. Prefácio - Introdução à Contribuição para a Crítica da Economia Política

A força motriz fundamental por trás das mudanças estruturais na organização socioeconômica da civilização são as questões materiais subjacentes — especificamente, o nível de tecnologia e a extensão do conhecimento humano, bem como as formas de organização social que essas possibilitam. Isso compreende o que Marx chamou de concepção materialista da história, em contraste com uma análise idealista (como aquela criticada por Marx em Proudhon), que afirma que a força motriz fundamental por trás da mudança socioeconômica são as ideias de indivíduos esclarecidos.

Diferentes modos de produção Os principais modos de produção identificados por Marx incluem o comunismo primitivo, a sociedade escravista, o feudalismo, o capitalismo e o comunismo. Em cada uma dessas etapas de produção, as pessoas interagem com a natureza e a produção de maneiras diferentes. Qualquer excedente dessa produção era distribuído de forma distinta. Marx sustentou que a humanidade começou vivendo em sociedades comunistas primitivas, depois vieram as sociedades antigas, como Roma e Grécia, que eram baseadas em uma classe dominante de cidadãos e uma classe de escravos; depois o feudalismo, que era baseado em nobres e servos; e finalmente o capitalismo, que é baseado na classe capitalista (burguesia) e na classe trabalhadora (proletariado). Em sua ideia de uma futura sociedade comunista, Marx explica que as classes não mais existiriam, e, portanto, a exploração de uma classe por outra seria abolida.

Comunismo primitivo