O Clube Desportivo Feirense é um clube português da cidade de Santa Maria da Feira, que atualmente milita na Segunda Liga Portuguesa.

O clube tem como principal modalidade o Futebol, mantendo ainda como secções a Natação, Andebol, Ginástica, Judo, Ciclismo, Cicloturismo, Basebol, Atletismo, Trail Running, Flag Football, Sky Running, Voleibol e Automobilismo.

O Feirense disputa os seus jogos em casa no Estádio Marcolino Castro, com capacidade para 5.401 lugares.

História

A fundação Fundado em 18 de Março de 1918, com o nome de Associação Desportiva Feirense, foi somente no final dos anos 20 que o clube adotou o nome de Clube Desportivo Feirense.

Luís Amorim, Artur Bastos, Luís Cadillon e Artur Lima foram os fundadores e o campo da Mata, no lugar de Picalhos, junto à linha férrea do Vouga, foi o primeiro campo de futebol do clube. Esta foi, aliás, uma das primeiras iniciativas do clube, adquirir um terreno para a construção de um campo de jogos.

Desde a sua fundação, o clube afirmou-se como uma instituição de referência na então Vila da Feira, fruto da dedicação dos seus fundadores e do incondicional apoio dos feirenses, tornando-se um símbolo de orgulho e identidade local.

No dia 30 de Dezembro de 1924, Alcides da Silva Machado foi eleito como primeiro presidente da AD Feirense. O Dr. Paulo de Sá foi eleito Presidente da Assembleia Geral e o Dr. Benjamim de Brito Presidente do Conselho Fiscal. Para a Comissão Técnica foram eleitos Dr. António Moreira, Luis Cadillon e Luis Amorim.

Em 1926, uma nova Comissão, constituída por Luís Amorim, Artur Bastos, Domingos Moreira, António Pedrosa e António Pena Gabriel, adquiriu um terreno no lugar do Montinho, pertencente ao Sr. Adriano Simão, destinado à construção de um novo campo para a prática do futebol.

Ainda no ano de 1926, o clube foi redenominado para Clube Desportivo Feirense.

A 2 de Março de 1931 foi oficialmente inaugurado o Campo do Montinho, que contou com um jogo entre a Selecção de Aveiro e o FC Porto.

Nesse mesmo ano as cores do clube passaram a ser camisola azul celeste, calções e meias pretas.

A estreia em provas oficiais O Feirense estreou-se em provas oficiais na época de 1931/32, participando pela primeira vez no Campeonato da Promoção de Aveiro. Na década de 30, o clube manteve-se sempre nos campeonatos distritais de Aveiro, alternando entre o Campeonato de Promoção e a 2ª Divisão Distrital.

Tempos difíceis A década de 1940 figura como um dos períodos mais conturbados e desafiantes da história do Clube Desportivo Feirense. Sob o impacto socioeconómico da Segunda Guerra Mundial, o clube mergulhou numa profunda crise financeira e institucional, que ameaçou seriamente a sua continuidade.

Sem uma direção fixa que assumisse os destinos do clube, a sobrevivência do Feirense deveu-se exclusivamente à dedicação de grupos de feirenses. Através de sucessivas comissões administrativas, estes associados impediram o encerramento das portas, embora a gravidade da crise tenha forçado o clube a abdicar da competição oficial em épocas como as de 1943/44 e 1948/49.

Inaugurado em 1931, o Campo do Montinho tornou-se uma fonte constante de instabilidade devido à ausência de um acordo definitivo com os proprietários do terreno. Estes litígios prejudicaram severamente a atividade desportiva e o regular desenvolvimento do futebol do clube.

Apesar das adversidades, a resiliência do clube foi amplamente recompensada na temporada de 1945/46. Foi nessa época que o Feirense conquistou o Campeonato de Promoção de Aveiro, erguendo o seu primeiro título oficial do seu historial.

Transformação e afirmação Se a década anterior tinha sido de sobrevivência, os anos de 1950 ficaram gravados como o período de maior transformação e afirmação da história do Clube Desportivo Feirense.

O rumo do clube mudou radicalmente a 15 de janeiro de 1955, com a eleição de Marcolino de Castro para a presidência. A nova liderança implementou reformas profundas que ditaram a modernização do Feirense:

Profissionalização: Contratação do prestigiado treinador Jacinto Mestre e introdução de compensações financeiras para os jogadores.

Identidade: Adoção oficial do equipamento com camisola azul e calções brancos, abandonando o antigo equipamento com camisola azul celeste e calções pretos. Infraestruturas: Execução de obras urgentes nos balneários e melhorias significativas no Campo do Montinho.

Os frutos desta reestruturação não tardaram a aparecer. Após consolidar a sua posição na 1ª Divisão Distrital, o Feirense alcançou um marco histórico na época de 1955/56 ao garantir, pela primeira vez, o apuramento para uma competição de dimensão nacional: o Campeonato Nacional da 3ª Divisão, registando a sua estreia oficial em Avintes.

O encerramento da década de 1950 representou o apogeu de todo o investimento estrutural. Na temporada de 1959/60, o Feirense sagrou-se Campeão Distrital de Aveiro e assinou uma campanha brilhante a nível nacional (alcançando o 2º lugar na 3ª Divisão e no Torneio de Competência). Este desempenho carimbou a subida inédita à 2ª Divisão Nacional, preparando o terreno para a histórica ascensão à Primeira Divisão que viria a acontecer logo na época de 1961/62.

Anos dourados A década de 1960 foi um período dourado e de afirmação nacional para o Clube Desportivo Feirense, destacando-se a inédita subida ao escalão máximo do futebol português.

Em maio de 1962, o Feirense garantiu pela primeira vez na sua história a subida à Primeira Divisão Nacional, coroando um trajeto meteórico desde os campeonatos distritais.

Após a estreia no convívio com os grandes do futebol português no início da década, o clube manteve-se competitivo nos escalões nacionais.

Na segunda metade da década, mais precisamente na época de 1967/68, o clube conquistou o seu terceiro título de Campeão Distrital de Aveiro

Os grandes protagonistas do Clube Desportivo Feirense na década de 1960 foram os homens responsáveis pela histórica e meteórica ascensão dos campeonatos distritais até à elite do futebol português.

Os Treinadores

Rui Araújo: Foi o treinador obreiro da subida à Primeira Divisão na histórica época de 1961/62. Comandou com mestria um plantel curto e composto maioritariamente por homens da terra, operando o "milagre" de levar o clube ao escalão principal.

Artur Baeta: Técnico que assumiu o comando da equipa na época de estreia na Primeira Divisão (1962/63). Apesar das enormes dificuldades financeiras e da inexperiência do clube, liderou o Feirense em palcos míticos e frente aos "gigantes" do futebol nacional.

Os Jogadores em Destaque

A "geração de ouro" dos anos 60 era caracterizada por atletas bairristas e de enorme entrega. O "onze" base que garantiu a subida e jogou na Primeira Divisão contava com figuras que ficaram eternizadas na história do clube:

Artur Brandão: A maior figura da história do clube. Marcou os golos históricos na estreia da 1ª Divisão frente ao FC Porto e no mítico empate contra o Benfica no Marcolino de Castro. Esteve ligado ao Feirense durante décadas como jogador, capitão e, mais tarde, presidente.

Martin: O dono indiscutível da baliza feirense durante os anos mais importantes da década, conhecido pela sua segurança no Campo do Montinho.

Campanhã: Um dos defesas mais consistentes e duros da equipa, essencial na transição dos distritais para o topo nacional.

Rui Maia: O motor do meio-campo e o principal elo de ligação com o ataque nas épocas de ouro da década.

Dinis, Aurélio e Eduardo: Juntamente com Brandão, formavam a linha ofensiva e a base estrutural que jogou quase todos os encontros nas divisões nacionais.

Curiosamente, a equipa que garantiu a subida em 1962 era tão unida e o plantel tão focado que o treinador Rui Araújo utilizou apenas 16 jogadores ao longo de todo o campeonato

O percurso do Clube Desportivo Feirense na sua época de estreia na Primeira Divisão foi uma autêntica epopeia de David contra Golias, marcada por um enorme entusiasmo popular, noites memoráveis e pelo choque com a dura realidade financeira e desportiva da elite.

O Estádio Marcolino Castro Para poder receber condignamente os grandes do futebol português, o Feirense teve de abandonar o velhinho Campo do Montinho. Em apenas 58 dias de obras, um verdadeiro recorde, o clube inaugurou oficialmente o Estádio Marcolino Castro em 16 de Setembro de 1962. O novo recinto foi estreado num particular contra o Beira-Mar (0-0), mesmo a tempo do arranque do campeonato nacional.

A estreia na 1ª Divisão A estreia oficial no escalão maior aconteceu em outubro de 1962, no mítico Estádio das Antas, frente ao FC Porto. O Feirense acabou derrotado por 3-1, mas o jogo ficou gravado na memória pelo golo histórico de Artur Brandão, o primeiro de sempre do clube na Primeira Divisão.

O grande momento da temporada aconteceu em março de 1963, quando o Benfica, na altura bicampeão europeu, visitou a Vila da Feira. Calcula-se que cerca de 15 mil espectadores lotaram o Marcolino de Castro para assistir a um jogo vibrante.

O Feirense surpreendeu tudo e todos ao adiantar-se no marcador, mais uma vez graças a um golo de Brandão.

Contudo, a genialidade de Eusébio (que marcou 4 golos) e o faro de Torres (2 golos) ditaram a reviravolta dos encarnados, fixando o resultado em 6-1.

Apesar da enorme entrega dos jogadores, o plantel curto e a inexperiência a este nível pesaram na balança. O Feirense terminou o campeonato na 14ª e última posição, somando apenas 7 pontos (fruto de 3 vitórias, 1 empate e 22 derrotas), o que ditou a inevitável descida à Segunda Divisão Nacional.

Nas outras frentes, a equipa chegou a afastar o Boavista na Taça de Portugal, mas viria a ser eliminada pelo FC Porto. Terminado o sonho da primeira divisão, o clube iniciou uma fase de transição e estabilização diretiva que duraria o resto da década de 1960.

Marcolino Castro A entrada de Marcolino Castro para a liderança do Clube Desportivo Feirense marcou a maior viragem estrutural, desportiva e identitária da história do emblema de Santa Maria da Feira. Eleito presidente da direção pela primeira vez em 1955, o empresário liderou os destinos do clube em vários mandatos decisivos (1955-1958, 1960-1963, 1967-1969 e 1979-1981).

O seu impacto no desenvolvimento dos "Fogaceiros" assenta em três pilares fundamentais:

1. Doação do Terreno e Construção do Estádio

O maior legado físico de Marcolino de Castro é a atual casa do clube. Em 1962, perante a necessidade premente de um novo recinto para disputar a Primeira Divisão, o presidente e a sua esposa, D. Maria de Sá Castro, doaram pessoalmente os terrenos ao clube.

Sob a sua liderança, a primeira fase do estádio foi erguida no tempo recorde de 58 dias. Pela primeira vez desde a fundação em 1918, o Feirense passou a jogar num património que era inteiramente seu, batizado justamente como Estádio Marcolino Castro.

2. A Filosofia Financeira: "Pagar Pouco mas Pagar Sempre"

Marcolino de Castro foi um gestor rigoroso. Numa célebre entrevista ao jornal A Bola em junho de 1962, proferiu a frase que moldou o ADN e a cultura de estabilidade do clube até aos dias de hoje: "Não podemos pagar caro porque queremos pagar sempre". Essa responsabilidade financeira permitiu ao Feirense sobreviver às exigências do futebol profissional sem cair nas bancarrotas que afetaram outros clubes da mesma dimensão.

3. Identidade Visual e Salto Desportivo

Foi também durante o "reinado" de Marcolino de Castro que se operou a grande transformação desportiva e de imagem do clube:

Cores do Clube: Foi sob a sua direção que o Feirense adotou o equipamento oficial que utiliza ainda hoje: a camisola azul e o calção branco. Ambição Nacional: O clube deixou de ser uma força puramente regional nos campeonatos distritais de Aveiro e conseguiu as suas primeiras grandes conquistas: a estreia na 3ª Divisão Nacional (1955/56) e a ascensão meteórica à elite do futebol português na memorável época de 1962/63.