O foi um porta-aviões operado pela Marinha Imperial Japonesa. Sua construção começou em julho de 1920 nos estaleiros da Kawasaki em Kobe, originalmente como o segundo couraçado da Classe Tosa, sendo lançado ao mar em novembro de 1921. Sua construção foi cancelada em fevereiro de 1922 depois da assinatura do Tratado Naval de Washington, porém foi convertido em um porta-aviões como substituto do cruzador de batalha Amagi, que tinha sido danificado pelo Grande Sismo de Kantō de 1923. Foi comissionado na frota japonesa em novembro de 1929 e era capaz de transportar noventa aeronaves, contava com uma bateria antiaérea formada por canhões 203, 127 e 25 milímetros, tinha um deslocamento de mais de trinta mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade de 28 nós.

O Kaga foi inicialmente construído com um incomum arranjo de três conveses de voo e foi o terceiro porta-aviões japonês a entrar em serviço. Ele passou seus primeiros anos de atividade ocupando-se principalmente de exercícios, ajudando a desenvolver as táticas e doutrinas japonesas para combate aeronaval com porta-aviões. Seus três conveses de voo e velocidade baixa foram considerados ineficientes e a embarcação passou por uma reconstrução entre 1933 e 1935, em que os dois conveses inferiores foram removidos, o convés principal estendido, uma superestrutura adicionada e sua velocidade máxima aumentada, entre outras modificações. O Kaga apoiou operações na Segunda Guerra Sino-Japonesa no final da década de 1930, proporcionando suporte aéreo para forças do Exército Imperial Japonês.

O navio teve uma carreira ativa nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. Ele participou do Ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941, do ataque contra Rabaul em janeiro de 1942, do Bombardeio de Darwin em fevereiro e da conquista das Índias Orientais Holandesas em março, porém colidiu com um recife e ficou em reparos até maio. O Kaga juntou-se com o resto da frota para a Batalha de Midway em junho, quando foi seriamente danificado por ataques aéreos de bombardeiros de mergulho do porta-aviões norte-americano e deliberadamente afundado para que não fosse capturado. Sua perda e de outros três porta-aviões de grande porte em Midway foi uma enorme derrota estratégica para o Japão. Seus destroços foram localizados em outubro de 2019 a 5,4 quilômetros de profundidade.

Características O Kaga, como originalmente construído, tinha 238,5 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 31,67 metros e um calado de 7,92 metros. Seu deslocamento padrão era de 27,3 mil toneladas, enquanto o deslocamento carregado ficava em toneladas, quase 6,1 mil toneladas a menos do que seu deslocamento projetado como couraçado. Sua tripulação era formada por oficiais e marinheiros. Seu cinturão de blindagem tinha 152 milímetros de espessura, reduzido em relação aos 280 milímetros do projeto como couraçado. A parte superior da protuberância antitorpedo tinha 127 milímetros. Seu convés também teve a blindagem reduzida de 102 para 38 milímetros.

Conveses e hangares thumb|esquerda|240px|O Kaga em 1930, com seus três conveses de voo visíveis O Kaga foi construído com três conveses de voo sobrepostos, tendo sido junto com o os únicos porta-aviões do mundo com essa configuração. Os porta-aviões britânicos , e , convertidos de cruzadores de batalha, possuíam dois conveses de voo sobrepostos, porém não há evidências que os japoneses copiaram o projeto britânico. É mais provável que foi um caso de evolução convergente para melhorar o ciclo de lançamento e recuperação de aeronaves. Seu convés principal tinha 171,2 metros de comprimento e 30,5 metros de largura, o convés do meio começava em frente à ponte de comando e tinha quinze metros, enquanto o terceiro convés tinha 55 metros. A utilidade do convés do meio era questionável, pois, por ser tão curto, apenas aeronaves muito pequenas conseguiam utilizá-lo, mesmo durante uma época que os aviões eram menores e mais leves do que seriam na Segunda Guerra Mundial. A taxa de crescimento de performance, peso e tamanho de aeronaves no decorrer da década de 1930 fez com que até o convés inferior deixasse de ser capaz de acomodar decolagens. O porta-aviões originalmente não tinha uma superestrutura.

O navio contava com dois hangares principais e um terceiro auxiliar para uma capacidade de sessenta aeronaves. Os hangares abriam-se para o segundo e terceiro conveses de voo com o objetivo de permitir decolagens diretamente dos hangares enquanto operações de pouso estivessem ocorrendo no convés principal. Não havia catapultas. Seu elevador de aeronaves dianteiro estava descentralizado para estibordo e tinha 10,67 por 15,85 metros, enquanto seu elevador traseiro estava centralizado e tinha 12,8 por 9,15 metros. Seu equipamento de detenção era um sistema francês transversal que tinha sido usado no porta-aviões , tendo sido nomeado pelos japoneses como Modelo Fju. O grupo aéreo era inicialmente composto por 28 torpedeiros Mitsubishi B1M, dezesseis caças Nakajima A1N e dezesseis aeronaves de reconhecimento Mitsubishi 2MR.

Armamentos O Kaga era armado com dez canhões Tipo 3º Ano, calibre 50, de 203 milímetros, seis montados em casamatas nas laterais e outras quatro em duas torres de artilharia duplas em cada lado do convés de voo do meio. Eles disparavam projéteis de 110 quilogramas, com uma cadência de tiro de três a seis disparos por minuto, a uma velocidade de saída de 870 metros por segundo. A uma elevação de 25 graus, seu alcance máximo era entre 22,6 e 24 quilômetros. As torres nominalmente tinham uma elevação máxima de setenta graus para proporcionar uma defesa antiaérea, porém na prática sua elevação máxima era de 55 graus. A baixa cadência de tiro e necessidade de abaixar as armas até cinco graus para recarrega as inutilizava de qualquer real capacidade antiaérea. Esse armamento pesado foi instalado para o caso do porta-aviões ser surpreendido por cruzadores inimigos e forçado a entrar em batalha. O grande convés de voo, hangares e outros elementos faziam do Kaga um alvo muito mais atraente em qualquer confronto de superfície. As doutrinas de porta-aviões se encontravam em evolução e ainda não se tinha percebido a impraticabilidade de navios desse tipo entrarem em duelos de artilharia.

A bateria antiaérea dedicada era formada por doze canhões Tipo 10º Ano, calibre 45, de 120 milímetros, instalados em seis montagens duplas, três em cada lateral abaixo do nível das chaminés, de onde não conseguiam atirar através do convés principal de voo. Eles disparavam projéteis de 20,3 quilogramas a uma velocidade de saída de 825 a 830 metros por segundo. Com elevação de 45 graus, o alcance máximo era de dezesseis quilômetros, enquanto a 75 graus, a altura máxima de disparo era aproximadamente dez quilômetros. Sua cadência de tiro efetiva alcançava de seis a oito disparos por minuto. O Kaga foi equipado com dois diretórios de controle de disparo Tipo 89 que serviam para direcionarem os canhões de 203 milímetros, além de outros dois diretórios antiaéreos manuais Tipo 91 que controlavam as armas de 120 milímetros.

Propulsão thumb|240px|O Kaga durante sua equipagem em 20 de novembro de 1928, com sua longa chaminé que se estendia embaixo do convés de voo estando visível O problema de como lidar com os gases expelidos pelos motores enquanto operações de voo estavam em andamento ainda não tinham sido resolvido na época que a conversão do Kaga estava sendo projetada. As chaminés móveis instaladas no , o primeiro porta-aviões japonês, não foram bem-sucedidas e testes em túneis de vento não produziram uma solução. Consequentemente, o Kaga e o Akagi foram equipados com diferentes opções de sistemas de exaustão para que eles fossem avaliados em condições reais de serviço. Os gases do Kaga eram coletados por dois dutos horizontais longos que os expeliam na popa, de cada lado do convés de voo superior, mesmo com as previsões de vários arquitetos navais proeminentes que isso não afastaria os gases quentes do convés. As previsões foram corretas, em parte porque o Kaga era mais lento que o Akagi, o que permitia que os gases subissem e interferissem com pousos. Outro problema era que o calor dos gases deixou as acomodações da tripulação nas áreas próximas quase inabitáveis.

O Kaga foi finalizado com quatro conjuntos de turbinas a vapor Kawasaki Brown-Curtis, cada uma girando uma hélice e produzindo um total de 91 mil cavalos-vapor (66,9 mil quilowatts) de potência. O vapor para essa turbinas provinha de doze caldeiras Kampon Tipo B, que trabalhavam à uma pressão de vinte quilogramas por centímetro quadrado (284 psi). Oito dessas caldeiras queimavam óleo combustível, enquanto as quatro restantes queimavam uma mistura de carvão e óleo. Era esperado que como couraçado o navio alcançasse uma velocidade máxima de 26,5 nós (49,1 quilômetros por hora), porém a redução do deslocamento permitiu que sua velocidade máxima chegasse a 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora), que foi alcançada durante seus testes marítimos em 15 de setembro de 1928. A embarcação podia transportar até 8,1 mil toneladas de óleo combustível e 1,7 mil toneladas de carvão,, o que permitia uma autonomia de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de catorze nós (26 quilômetros por hora).

História Construção thumb|240px|esquerda|O Kaga durante seus testes marítimos em 15 de setembro de 1928 O batimento de quilha do Kaga ocorreu em 19 de julho de 1920 nos estaleiros da Kawasaki em Kobe, originalmente como o segundo couraçado da Classe Tosa. Foi lançado ao mar em 17 de novembro de 1921, porém ele e seu irmão foram cancelados em 5 de fevereiro de 1922 e programados para serem desmontados de acordo com os termos do Tratado Naval de Washington.

O tratado autorizava a conversão de dois cascos couraçados ou cruzadores de batalha para porta-aviões com deslocamento padrão de até 34 mil toneladas. Os incompletos cruzadores de batalha Amagi e Akagi, da Classe Amagi, foram inicialmente selecionados para conversão. Entretanto, o Grande Sismo de Kantō de 1923 danificou o casco do Amagi além do que seria economicamente viável de ser consertado, assim o Kaga foi escolhido como seu substituto. A decisão formal de converter o Kaga foi emitida em 13 de dezembro, porém os trabalhos só foram começar em 1925, pois seu projeto estava sendo desenhado e os danos no Arsenal Naval de Yokosuka consertados. Ele foi comissionado na frota japonesa em 31 de março de 1928, partindo para o período de testes marítimos. O Kaga se juntou à Frota Combinada em 30 de novembro de 1929 como o terceiro porta-aviões japonês, depois do Hōshō e do Akagi.

Primeiros anos thumb|240px|O Kaga realizando operações de voo em 1930. No convés superior estão bombardeiros Mitsubishi B1M prestes a decolar, enquanto caças Nakajima A1N estão estacionados no convés inferior O Kaga foi designado em 1º de dezembro de 1931 como a capitânia da Primeira Divisão de Porta-Aviões, ficando sob o comando do contra-almirante Takayoshi Katō. A formação, mais o Hōshō, foi enviada para a China em 29 de janeiro de 1932 para apoiar tropas do Exército Imperial Japonês durante o Incidente de Xangai, fazendo parte da 3ª Frota da Marinha Imperial Japonesa. Os torpedeiros B1M3 transportados pelo Kaga e pelo Hōshō foram as principais aeronaves usadas durante os breves confrontos.

As aeronaves do Kaga operaram tanto a partir do navio quanto de uma base temporária em Xangai e realizaram missões em apoio às forças terrestres no decorrer de fevereiro de 1932. Três caças A1N2 do porta-aviões escoltaram três torpedeiros B1M3 durante uma dessas missões, durante a qual conquistaram a primeira vitória em combate aéreo da história da Marinha Imperial Japonesa, quando abateram um caça Boeing P-12 pilotado por um norte-americano voluntário. O Kaga retornou para o Japão depois da declaração de um cessar-fogo em 3 de março, retomando suas atividades de treinamento junto com o resto da Frota Combinada.