Bagé é um município brasileiro da região Sul, no estado do Rio Grande do Sul. Localizado próximo ao Rio Camaquã, o município tem uma população de habitantes, de acordo com a estimativa do IBGE de 2020. Bagé limita-se ao norte com os municípios de Caçapava do Sul e Lavras do Sul; a oeste, com o município de Dom Pedrito e com o Uruguai; ao sul, com o Uruguai e com o município de Aceguá; a leste, com os municípios de Hulha Negra, Candiota e Pinheiro Machado. A cidade encontra-se a 217 metros de altitude.

Etimologia Costumava-se crer que o nome da cidade advinha de Ibajé, ou Ybagé, nome de um índio charrua. Foi a partir de 1955, quando estudiosos debatiam a historicidade de Sepé Tiaraju, que Mansueto Bernardi chamou a atenção para o fato de que não havia comprovação histórica da existência do índio Ibagé. Escreveu jocosamente no Correio do Povo, em 1958, que:

Segundo o sociólogo Félix Contreiras Rodrigues, Bagé tem origem na palavra BAAG, que quer dizer lugar de onde se volta, de retorno. Este lugar seriam os cerros de Bagé. Também é possível que tenha surgido de mbaié, da qual decorrem as formas maié, que deu majé, e baié, que deu bajé.

Grafia O nome da cidade já foi escrito tanto como Bagé, com "g", ou como Bajé, com "j". Nos primeiros documentos que se referem à cidade, como as cartas de D. Diogo de Souza, foi usada a grafia com "j". Somente a partir de 1910, possivelmente devido à regra ortográfica que determina que se use a letra "g" antes de "e" ou de "i", Bagé passou a ser escrito com "g". Porém, ainda de acordo com as normas ortográficas, palavras de origem indígena, como pajé, jiboia, etc. são escritas com "j", sendo esse um segundo argumento favorável ao uso de Bajé. Pensa-se também que a palavra pode ter sido grafada em "g" em função da caótica ortografia do momento no qual o termo foi cunhado, uma vez que "i" jamais evolui para "g", mas sempre para "j".

História thumb|230px|esquerda|Rua central de Bagé, com energia elétrica instalada no início do thumb|esquerda|230px|Prefeitura Municipal de Bagé Toda a região do pampa gaúcho, na qual está contido o atual município, era ocupada, até o , predominantemente pelos índios charruasKENT, M. e SANTOS, R. V. Os charruas vivem nos gaúchos: a vida social de uma pesquisa de resgate genético de uma etnia indígena extinta no sul do Brasil. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832012000100015&script=sci_arttext. Acesso em 6 de janeiro de 2013..

miniaturadaimagem|thumb|194px|esquerda|Bagé, outubro de 1969. Arquivo Nacional

A colonização europeia da região onde ora se encontra o município iniciou-se em fins do com portugueses e espanhóis. Uma das primeiras construções foi uma redução construída por jesuítas, chamada "Santo André dos Guenoas", fundada como posto avançado de "São Miguel", um dos Sete Povos das Missões. A incansável resistência de índios da região à catequização católica, notadamente tapes, minuanos e charruas, levou a um conflito que resultou na destruição do povoado.

A partir de então, a região serviu de palco para diversos conflitos entre europeus e nativos. Destaca-se o ocorrido em 1752, quando 600 índios charruas, comandados por Sepé Tiaraju, rechaçaram os enviados das coroas de Portugal e Espanha que, amparados no tratado de Madri, assinado dois anos antes, regulamentando os limites territoriais dos dois impérios na América do Sul, vieram para estabelecer as fronteiras.

Em 1773, dom Juan José de Vértiz y Salcedo, vice-rei de Buenos Aires, com 5 000 homens, saiu do Rio da Prata, atravessou o Uruguai e, chegando ao limite sul do Escudo Riograndense, lá construiu o Forte de Santa Tecla, que foi demolido e arrasado em dois combates e do qual ainda hoje restam ruínas.

Na área do município, em 10 de setembro de 1836, o general Antônio de Souza Neto, em violento combate, conhecido como a Batalha do Seival, derrotou as forças legalistas e, no dia seguinte, proclamou a República Riograndense, no contexto da Guerra dos Farrapos.

Na Revolução de 1893, quando os federalistas reagiram à ascensão dos republicanos, Gumercindo Saraiva voltou ao Rio Grande do Sul pelo rio Jaguarão e, no Passo do Salsinho, foi travado o primeiro combate. O município testemunhou combates das Traíras, o Cerco do Rio Negro e o Cerco de Bagé. No Rio Negro, 300 prisioneiros foram degolados, não sem antes terem direito a defesa verbal.

Cerco de Bagé

Durante a Revolução Federalista, desencadeada no Rio Grande do Sul em oposição ao governo de Floriano Peixoto, a cidade de Bagé resistiu ao cerco das forças federalistas durante 47 dias, em um dos mais notáveis episódios da História Militar brasileira, conhecido como o Cerco de Bagé.

Geografia Clima Maiores acumulados de precipitação em 24 horasregistrados em Bagé por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 06/01/1931 Julho 13/07/2023 Fevereiro 15/02/1983 Agosto 20/08/1967 Março 28/03/1980 Setembro 14/09/1953 Abril 09/04/1959 Outubro 15/10/1977 Maio 13/05/1986 Novembro 04/11/1990 Junho 01/06/2001 Dezembro 30/12/1987 Período: 1931-presente Bagé possui um clima que tanto pode ser enquadrado no tipo subtropical ou temperado, do tipo Cfa de acordo com a classificação climática de Köppen, com verões tépidos (altas temperaturas durante o dia e temperaturas amenas à noite), e invernos relativamente frios, com temperaturas que em algumas ocasiões podem cair abaixo de zero, apresentando, portanto, grande amplitude térmica anual. As geadas ocorrem com certa frequência e, em ocasiões memoráveis, queda de neve. As precipitações costumam ser regularmente distribuídas durante o ano, mas secas esporádicas podem ocorrer.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1931 a menor temperatura registrada em Bagé foi de em 9 de julho de 2024, embora o recorde absoluto tenha sido registrado antes, em dia 24 de junho de 1918, com mínima de , de acordo com o mesmo instituto. No mesmo período a maior temperatura atingiu em 13 de janeiro de 2022, devido à atuação de uma intensa onda de calor sobre o Rio Grande do Sul. O maior acumulado de precipitação em 24 horas atingiu em 15 de fevereiro de 1983.

Demografia Conforme o Censo IBGE, em 2022, Bagé possuía 117.938 habitantes, e uma densidade demográfica de 28,83 hab/km² (em 2010, foram registrados habitantes). Esta população divide-se entre a zona urbana e a zona rural da cidade, sendo que a população urbana (em 2010) era de 97 765 habitantes e a população rural (também em 2010) atingia a marca de habitantes, sendo que a taxa de urbanização é de 83,70%. Em 2000, a expectativa de vida ao nascer era de 70,68 anos e o coeficiente de mortalidade infantil era de 7,78 em 2008. Dados de 2023 apontam o índice de mortalidade infantil de 16,65 óbitos por mil nascidos vivos. O índice de desenvolvimento humano de Bagé, em 2010, era de 0,750. Segundo a classificação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o município está entre as regiões consideradas de alto desenvolvimento humano. A taxa de analfabetismo no município (até 2010) era de 4,93 por cento.

Bairros Central Norte Sul Leste Oeste Norte/Centro Centro Santa Tecla São José São Judas Bairro Menino Deus São Bernardo -- Bairro União Tiarajú Santa Tereza Arvorezinha São João, São Jorge -- Bairro Industrial Stand Estrela D'alva Alcides Almeida São Carlos -- Madezzati Passo das Pedras Bairro Dois Irmãos Santa Cecília Laranjeiras -- Vila Malafaia Castro Alves Santa Flora Vila Damé -- São Domingos Bairro Ibajé Vila Ipiranga Tarumã -- -- Parque Marília Passo do Príncipe Prado Velho Lagoão da Pedra -- -- São Martin Loteamento do Parque Pedras Brancas Vila Operária -- -- Cohab Bairro Floresta Morgado Rosa Vila dos Sargentos -- -- DAER -- Bairro Ivone -- -- Getúlio Vargas -- Jardim do Castelo -- --

Economia Sua economia é baseada na agricultura, pecuária e no comércio local.

Estrutura urbana É marcante no município, desde sua fundação, a presença do Exército, por ser cidade de fronteira: é sede da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada e, atualmente, conta com quatro quartéis e um hospital militar, o HGuBa, (que atende toda a região), para além de uma unidade da Justiça Militar.

Educação superior Bagé possui duas universidades particulares: a Universidade da Região da Campanha (URCAMP) e o Instituto de Desenvolvimento Educacional do Alto Uruguai/Anglo-Americano (IDEAU); uma universidade federal, a Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA); um instituto federal, o Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) e a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS).

Transportes thumb|230px|esquerda|Rodoviária de BagéBagé é importante ponto de passagem para quem viaja do Brasil para o Uruguai por via terrestre. A cidade é ligada ao país vizinho por estrada (BR-153), ficando distante cerca de 62 km da fronteira entre Brasil e Uruguai e a 518 quilômetros da capital uruguaia.

A rodoviária da cidade oferece linhas para várias cidades do interior gaúcho, sendo oferecidos 10 horários diários com destino a Porto Alegre.

thumb|Ponto de ônibus do Calçadão, construído em 2019 No transporte público urbano, a cidade conta com diversas linhas que ligam os bairros do município ao Centro. Os serviços são oferecidos pelas empresas: Anversa e Stadtbus.

No transporte aeroviário, Bagé possui o Aeroporto Internacional de Bagé - Comandante Gustavo Kraemer, que em 2001, foi habilitado a receber voos internacionais. Com isso, o Aeroporto de Bagé registrou um aumento considerável no número de operações a partir do Uruguai e da Argentina, envolvendo aeronaves que faziam sua entrada no país através de Uruguaiana ou Porto Alegre, as quais passaram a utilizar Bagé devido a sua posição geográfica, mais ao sul do estado.

O aeroporto, opera voos comerciais regulares de passageiros operados pela Azul Linhas Aéreas (em parceria com a Azul Conecta) com voos diários diretos até Porto Alegre. A retomada ocorreu em 20 de setembro de 2019. Além dos voos operados pela Azul, recebe dois voos diários de serviços bancários, além de táxis aéreos e jatos executivos..

Religião thumb|esquerda|230px|Catedral de São Sebastião thumb|direita|100px|Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora

miniaturadaimagem|Vídeo poético-documental sobre a 13ª Procissão de São Jorge em Bagé, também conhecida como Festa de Ogum. Mostra as formas de expressão da devoção, ​as motivações, ​gestos, cores e estados emocionais considerados como ato​s​ estético​s​ e poético​s​

A maior parte da população de Bagé é católica, correspondendo a 41,40% da população, segundo o IBGE em 2022. No mesmo Censo 2022, foram registrados os seguintes percentuais: 22,81% das pessoas declararam-se evangélicas; 6,86% espíritas; 7,28% Umbanda e Candomblé; 3,33% outras religiosidades; 18,23% sem religião. Nas últimas décadas, viu-se , na cidade, um considerável aumento do número de protestantes, principalmente do ramo pentecostal, tendo destaque as Igreja Assembleia de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Batista, entre outras. Espíritas e umbandistas também podem ser encontrados.

Procissão de São Jorge

Procissão de São Jorge, também conhecida como Festa de Ogum, é organizada pela Associação Espiritualista de Umbanda de Bagé e participam anualmente fiéis umbandistas, católicos devotos de São Jorge e autoridades religiosas locais como padres e bispos. É considerada uma das mais importantes manifestações culturais religiosas da cidade e é um momento de grande visibilidade, protagonismo e integração das comunidades de terreiros com a população geral da cidade.

Cultura