A economia da Índia é a sétima maior do mundo em Produto Interno Bruto nominal e a terceira em paridade de poder de compra, bem como a terceira mais desenvolvida da Ásia em termos de PIB nominal, atrás apenas das economias do Japão e da República Popular da China.
Os principais produtos cultivados são: chá, algodão, trigo, juta, arroz, tabaco, milho e cana-de-açúcar. Existem grandes áreas com monoculturas voltadas para a exportação. São as plantações cultivadas desde a época em que os ingleses colonizaram a região. Entre os produtos cultivados, estão o chá, o tabaco e o algodão. Tem o segundo maior rebanho bovino do mundo, perdendo apenas para o Brasil. Índia, Brasil, República Popular da China e República da Coreia lideram o G-21 (grupo dos 21 países em desenvolvimento do mundo).
Com um produto interno bruto nominal estimado em 1,8 trilhão de dólares (2011), a Índia figura como a 10.ª maior economia do mundo por PIB nominal, enquanto sua paridade de poder de compra, calculada em 2011, em 4,4 trilhões de dólares, é a terceira maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, e à frente do Japão e de qualquer país europeu.
Entretanto, devido à grande população (estimado em mais de 1,2 bilhão de habitantes em 2011), a renda per capita é consideravelmente baixa: em 2005, o Fundo Monetário Internacional classificou a Índia na 135.ª posição em termos de renda per capita (ou na 122.ª posição, pelo critério paridade do poder de compra), dentre 182 países e territórios do mundo. Cerca de 50% da população (ou cerca de 600 milhões de pessoas) depende diretamente da agricultura para se sustentar e sobreviver.
A indústria e os serviços, por sua vez, têm se desenvolvido rapidamente nos últimos anos (e conquistando cada vez mais espaço na economia indiana, em detrimento da agricultura) e respondem, respectivamente, por cerca de 26% e 55% do Produto Interno Bruto (PIB) do país (dados de 2011), enquanto que a agricultura contribui com cerca de 18%. Mais de 40% da população (cerca de 440 milhões de pessoas) vivem abaixo da linha de pobreza (2010), apesar da existência de uma classe média crescente calculada em 2011 em 300 milhões de pessoas.
O desenvolvimento econômico indiano está entre um dos maiores do mundo atualmente (com crescimento do PIB em 10% anuais) porém, por uma infraestrutura insuficiente, uma burocracia pesada, altas taxas de juros e uma dívida social elevada (pobreza rural, significativo analfabetismo residual, sistema de castas, corrupção, clientelismo etc.), a economia do país é constantemente "sufocada", o que impede a exploração de sua plena potencialidade econômica.
A Índia é caracterizada por uma desigualdade social muito elevada. O 1% mais rico da população ganha mais de 20% do rendimento nacional total em 2021, enquanto que os 50% mais pobres ganham apenas 13% do rendimento nacional total. A Índia está agora entre os países mais desiguais do mundo, segundo o 'Global Inequality Report 2022', que descreve a Índia como "um país pobre e altamente desigual com uma elite rica".https://wir2022.wid.world/
História Período pré-colonial (da pré-história até 1773) thumb|O comércio de pimenta entre o Sul da Ásia e a Europa caracterizou uma época em que a Índia foi um das países mais prósperos do mundo.
Os habitantes do Civilização do Vale do Indo surgiram por volta de 2800 a.C, praticando atividades como a agricultura , a domesticação de animais, a produção de lã e roupas, a produção de ferramentas de trabalho e de medidas, além do comércio com as cidades em sua fronteira. As evidências dessa ocupação são as planas e extensas ruas, um extenso sistema de drenagem e de distribuição de água que incluía o primeiro sistema de gestão sanitária e um governo local.Nehru, Jawaharlal (1946). The Discovery of India. Penguin Books. ISBN 0-14-303103-1.
O comércio marítimo de larga escala partindo do sul indiano para o Sudeste Asiático e o Sudoeste Asiático foi praticado desde tempos imemoriais. O extremo sul do país foi um importante centro de exportação na altura desde o século I a.C., servindo de comunicação entre os impérios do Mar Mediterrâneo e os do Sudeste Asiático. Os comerciantes, então, formaram associações protegidas pelo poder estatal..^ Raychaudhuri & Habib 2004, pp. 17–18 No entanto, o patrocínio do estado para o comércio exterior chegou ao fim por volta do século XIII, quando foi suplantada, em grande medida, pelos comerciantes judaicos e muçulmanos, inicialmente no Malabar e, posteriormente, na costa de Coromandel.24.^ Raychaudhuri & Habib 2004, pp. 40–41 Mais ao norte, as costas de Saurashtra e de Bengala desempenharam um papel importante no comércio marítimo e a Planície Indo-Gangética e o vale do Rio Indo abrigaram vários centros de comércio fluvial. A maioria do comércio terrestre foi realizado através do Passo Khyber, que liga o Panjabe com o Afeganistão, o Oriente Médio e a Ásia Central.25.^ Raychaudhuri & Habib 2004, pp. 10–13 Embora muitos reinos e governantes tenham emitido moedas, o escambo (troca direta) foi predominante. As aldeias pagavam uma parcela de sua produção agrícola como imposto para os governantes, enquanto que os artesãos recebiam uma parte da produção agrícola em pagamento por seus serviços.30.^ Kumar 2005, p. 26
thumb|Uma moeda de prata cunhada durante o reinado da Dinastia Gupta pelo imperador Kumara Gupta I (414-455)
A pesquisa da economia indiana no período pré-colonial é basicamente qualitativa, devido à falta de informações quantitativas. A economia mogol funcionou através de um elaborado sistema de moeda, imposto rural e comércio. Moedas de ouro, de prata e de cobre eram fabricadas por casas da moeda e comercializadas segundo seu valor intrínseco, ou seja, segundo o valor do metal nelas contido. A estabilidade política e a política de estabilização da receita governamental resultantes da centralização administrativa do Império Mogol, somados com uma bem desenvolvida rede de comércio, asseguraram que a Índia, antes da chegada dos ingleses, fosse, economicamente, unificada, apesar de sua estrutura agrária tradicional caracterizada pela agricultura de subsistência baseada em tecnologia rudimentar. Após o declínio mogol, o oeste, o centro e partes do sul e do norte estavam integrados e administrados pelo Império Maratha. Depois da derrota na Terceira Batalha de Panipat, o império desintegrou em vários estados confederados. A instabilidade política resultante e conflitos armados afetaram severamente a vida econômica em várias partes do país, embora isto fosse compensado, em parte, pela prosperidade localizada nos novos reinos provinciais. No fim do século XVIII, a Companhia Britânica das Índias Orientais entrou no cenário político indiano e estabeleceu sua supremacia sobre as outras potências coloniais europeias. Isso marcou uma mudança definitiva no comércio indiano e uma menos impactante mudança no resto da economia.
Período Colonial (1773–1947) thumb|Uma vista aérea do porto de Calcutá em 1945. A cidade, que era o centro econômico da Índia britânica, teve uma atividade industrial aumentada durante a Segunda Guerra Mundial.
O domínio da Companhia Britânica das Índias Orientais sobre o subcontinente indiano trouxe grandes mudanças nas políticas tributária e agrária, que tenderam a promover o comércio agrícola, causando a diminuição da plantação de gêneros alimentícios, o empobrecimento das massas, a perda de terras pelos fazendeiros e escassez alimentar.Roy, Tirthankar (2006). The Economic History of India 1857–1947. Oxford University Press. pp. 158-160. ISBN 978-0-19-568430-8. A política econômica inglesa na Índia causou um severo declínio no artesanato e no setor têxtil, devido à redução da demanda e ao aumento do desemprego.Kumar, Dharma (2005). The Cambridge Economic History of India, Volume II : c. 1757 — 2003. New Delhi: Orient Longman. pp. 538-540. ISBN 978-81-250-2710-2. Após a remoção das restrições internacionais pelo Ato de 1813, o comércio indiano expandiu-se substancialmente.Kumar, Dharma (2005). The Cambridge Economic History of India, Volume II : c. 1757 — 2003. New Delhi: Orient Longman. pp. 826-827. ISBN 978-81-250-2710-2. O resultado foi uma significativa transferência de capital da Índia para a Inglaterra, que, devido à política colonial dos ingleses, levou a uma fuga maciça de receita ao invés de qualquer esforço sistemático de modernização da economia nacional.Kumar, Dharma (2005). The Cambridge Economic History of India, Volume II : c. 1757 — 2003. New Delhi: Orient Longman. pp. 876-877. ISBN 978-81-250-2710-2.
thumb| Estimativa da renda per capita da Índia entre 1857 e 1900 tendo, como parâmetro, os preços de 1948–49
A colonização da Índia pelos britânicos criou um ambiente institucional que, no papel, garantia o direito a propriedade entre os colonizadores, incentivando o livre comércio e o desenvolvimento de uma moeda única com taxas de câmbio fixas, pesos e medidas padronizadas e mercado de capitais. Também estabeleceu um sistema bem desenvolvido de ferrovias e telégrafos, um serviço civil que visava a ser livre de qualquer interferência política e um sistema legal baseado na Lei Comum.Roy, Tirthankar (2006). The Economic History of India 1857–1947. Oxford University Press. pp. 291-292. ISBN 978-0-19-568430-8. Isso coincidiu com grandes mudanças na economia mundial - industrialização e o crescimento significativo da produção e do comércio. No entanto, no final do regime colonial, a Índia herdou uma economia que era uma das mais pobres entre os países em desenvolvimento,Roy, Tirthankar (2006). The Economic History of India 1857–1947. Oxford University Press. p. 1. ISBN 978-0-19-568430-8. com um crescimento industrial paralisado, agricultura incapaz de alimentar uma população em rápido crescimento, uma força de trabalho em larga escala iletrada e desqualificada e uma infraestrutura extremamente inadequada.Datt, Ruddar; Sundharam, K.P.M. (2009). Indian Economy. New Delhi: S. Chand Group. p. 179. ISBN 978-81-219-0298-4
O censo de 1872 revelou que 91,3% da população da região que forma a atual Índia residia em vilas e a urbanização em geral permaneceu lenta até a década de 1920,Kumar, Dharma (2005). The Cambridge Economic History of India, Volume II : c. 1757 — 2003. New Delhi: Orient Longman. p. 519. ISBN 978-81-250-2710-2. devido à falta de industrialização e à falta de transporte adequado. Posteriormente, a política de proteção discriminatória (na qual algumas indústrias importantes eram protegidas financeiramente pelo estado), juntamente com a Segunda Guerra Mundial, fomentaram o desenvolvimento e a dispersão das indústrias, estimulando o êxodo rural e, em particular, o desenvolvimento de grandes cidades portuárias como Mumbai, Kolkota e Chennai . Apesar disso, apenas um sexto da população da Índia vivia em cidades em 1951.Kumar, Dharma (2005). The Cambridge Economic History of India, Volume II : c. 1757 — 2003. New Delhi: Orient Longman. pp. 520-521. ISBN 978-81-250-2710-2.
O impacto do domínio britânico sobre a economia da Índia é um tema polêmico. Os líderes do movimento pela independência indiana e historiadores nacionalistas de esquerda acusaram o governo colonial inglês pelo estado lastimável da economia da Índia após a era colonial e argumentaram que a força financeira necessária para o desenvolvimento industrial na Europa teria se originado a partir da riqueza retirada de colônias na Ásia e na África. Ao mesmo tempo, historiadores de direita observaram que o baixo desempenho económico da Índia foi devido a diversos setores estarem em crescimento e declínio devido a alterações introduzidas pelo colonialismo e devido ao fato de o mundo estar se movendo em direção à industrialização e à integração econômica.Roy, Tirthankar (2006). The Economic History of India 1857–1947. Oxford University Press. pp. 22-24. ISBN 978-0-19-568430-8.
Pré-liberalismo hindu