() é uma ideologia política que defende formas totalitárias de governo e as políticas marxistas-leninistas implementadas na União Soviética (URSS) de 1927 a 1953 pelo ditador Josef Stalin e em Estados satélites soviéticos entre 1944 e 1953. O stalinismo incluiu a criação de um governo pessoal em um Estado policial totalitário, rápida industrialização, a teoria do socialismo em um só país, coletivização forçada da agricultura, intensificação do conflito de classes, um culto de personalidade, e a subordinação dos interesses de partidos comunistas estrangeiros aos do Partido Comunista da União Soviética, que o stalinismo considerava o principal partido de vanguarda da revolução comunista naquele período. Após a morte de Stalin e o Degelo de Kruschev, iniciou-se, nas décadas de 1950 e 1960, um período de desestalinização, que fez a influência da ideologia de Stalin começar a diminuir na URSS.
O regime de Stalin expurgou à força da sociedade aqueles que considerava ameaças a si próprio e à sua forma de comunismo — os chamados "inimigos do povo" —, incluindo dissidentes políticos, nacionalistas não soviéticos, a burguesia, camponeses mais abastados ("culaques"), e integrantes da classe trabalhadora que demonstravam simpatias "contrarrevolucionárias". Isso resultou em repressão em massa dessas pessoas e de suas famílias, incluindo prisões em massa, julgamentos-espetáculo, execuções e encarceramento em campos de trabalho forçado conhecidos como gulags. Os exemplos mais notórios foram o Grande Expurgo e a campanha de desculaquização. O stalinismo também foi marcado pelo ateísmo militante, por perseguições antirreligiosas em massa e por limpeza étnica mediante deportações forçadas. Alguns historiadores, como Robert Service, atribuíram às políticas stalinistas, particularmente à coletivização, a ocorrência de fomes como o Holodomor. Outros historiadores e estudiosos discordam quanto ao papel do stalinismo.
Oficialmente destinada a acelerar o desenvolvimento rumo ao comunismo, a necessidade de industrialização na União Soviética foi enfatizada porque o país havia anteriormente ficado economicamente atrás das nações ocidentais e porque a sociedade socialista precisava da indústria para enfrentar os desafios representados pelos inimigos internos e externos do comunismo. A rápida industrialização foi acompanhada pela coletivização em massa da agricultura e pela rápida urbanização, que transformou muitas pequenas aldeias em cidades industriais. Para acelerar o desenvolvimento da industrialização, Stalin importou materiais, ideias, conhecimentos técnicos e trabalhadores da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, estabelecendo pragmaticamente contratos de joint venture com grandes empresas privadas norte-americanas, como a Ford Motor Company, que, sob supervisão estatal, ajudaram a desenvolver a base da indústria da economia soviética entre o fim da década de 1920 e a década de 1930. Depois que as empresas privadas norte-americanas concluíram suas tarefas, empresas estatais soviéticas assumiram suas funções.
História
O termo stalinismo é usado para descrever o período em que Josef Stalin foi o líder da União Soviética enquanto ocupava o cargo de secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, de 3 de abril de 1922 até sua morte, em 5 de março de 1953."Communism". Encyclopædia Britannica Online. Retrieved 4 February 2020. Foi um desenvolvimento do leninismo, e, embora Stalin evitasse usar o termo "marxismo-leninismo-stalinismo", permitia que outros o fizessem. Após a morte de Lenin, Stalin contribuiu para os debates teóricos dentro do Partido Comunista, sobretudo desenvolvendo a ideia de "Socialismo em um só país". Esse conceito estava intimamente ligado às disputas entre facções no partido, particularmente contra Trotsky. Ele desenvolveu a ideia pela primeira vez em dezembro de 1924 e a elaborou em seus escritos de 1925–26.
A doutrina de Stalin sustentava que o socialismo poderia ser concluído na Rússia, mas que sua vitória final não poderia ser garantida devido à ameaça de intervenção capitalista. Por essa razão, ele manteve a visão leninista de que a revolução mundial ainda era necessária para assegurar a vitória definitiva do socialismo. Embora mantivesse a crença marxista de que o Estado desapareceria à medida que o socialismo se transformasse em comunismo puro, acreditava que o Estado soviético permaneceria até a derrota final do capitalismo internacional. Esse conceito sintetizava ideias marxistas e leninistas com ideais nacionalistas e servia para desacreditar Trotsky — que promovia a ideia de "revolução permanente" —, apresentando-o como derrotista e pouco confiante na capacidade dos trabalhadores russos de construir o socialismo.
Etimologia O termo stalinismo ganhou destaque em meados da década de 1930, quando Lazar Kaganovich, político soviético e aliado de Stalin, teria declarado: "Vamos substituir 'Viva o Leninismo!' por 'Viva o stalinismo!'". Stalin rejeitou a proposta por considerá-la excessiva e uma contribuição para um culto de personalidade que, em sua opinião, poderia posteriormente ser usado contra ele pelas mesmas pessoas que o elogiavam de forma exagerada — entre elas Khrushchev, destacado usuário do termo ainda durante a vida de Stalin e que mais tarde seria responsável pela desestalinização e pelo início do período do Degelo de Kruschev.
Políticas stalinistas
Alguns historiadores consideram o stalinismo um reflexo das ideologias do leninismo e do marxismo, enquanto outros argumentam que ele se distingue dos ideais socialistas dos quais se originou. Após uma luta política que culminou na derrota dos seguidores de Bukharin — a chamada Oposição de Direita do partido —, o stalinismo ficou livre para moldar políticas sem oposição, inaugurando uma era de severo totalitarismo voltada à rápida industrialização, independentemente do custo humano.
De 1917 a 1924, embora frequentemente parecessem unidos, Stalin, Vladimir Lenin e Leon Trotsky apresentavam diferenças ideológicas perceptíveis. Em sua disputa com Trotsky, Stalin reduziu a ênfase no papel dos trabalhadores dos países capitalistas avançados; por exemplo, considerava a classe trabalhadora dos Estados Unidos uma aristocracia operária "aburguesada".
Socialismo em um só país
Todos os demais líderes bolcheviques da Revolução de Outubro de 1917 consideravam sua revolução, em maior ou menor grau, apenas o começo, com a Rússia servindo de trampolim no caminho para uma revolução mundial. Stalin introduziu a ideia do socialismo em um só país no outono de 1924, teoria que contrastava fortemente com a revolução permanente de Trotsky e com todas as teses socialistas anteriores. A revolução não se espalhou para fora da Rússia como Lenin supunha que ocorreria em breve. Ela não havia triunfado sequer em outros antigos territórios do Império Russo, como Polônia, Finlândia, Lituânia, Letônia e Estônia. Ao contrário, esses países haviam retornado ao domínio capitalista burguês.On Finland, Poland etc., Deutscher, chapter 6 "Stalin during the Civil War", (p. 148 in the Swedish 1980 printing)
Apesar disso, no outono de 1924, a noção de Stalin de socialismo na Rússia Soviética era inicialmente considerada quase uma blasfêmia por outros integrantes do Politburo, entre eles Zinoviev e Kamenev à esquerda intelectual; Rikov, Bukharin e Mikhail Tomsky à direita pragmática; e o poderoso Trotsky, que não pertencia a nenhum dos lados senão ao seu próprio. Nenhum deles sequer considerava o conceito de Stalin uma possível adição à ideologia comunista. A doutrina stalinista do socialismo em um só país não pôde ser imposta até que Stalin estivesse próximo de tornar-se o governante autocrático da União Soviética, por volta de 1929. Bukharin e a Oposição de Direita apoiaram a imposição das ideias de Stalin depois que Trotsky foi exilado e Zinoviev e Kamenev foram expulsos do partido.Deutscher, Isaac. 1961. "The General Secretary." pp. 221–29 in Stalin, A Political Biography (2nd ed.). Em uma entrevista de 1936 ao jornalista Roy W. Howard, Stalin expressou sua rejeição à revolução mundial e afirmou: "Nunca tivemos tais planos e intenções" e "A exportação da revolução é um absurdo".
Estado proletário O pensamento comunista tradicional sustenta que o Estado irá gradualmente "definhar" à medida que a implementação do socialismo reduzir as distinções de classe. Stalin, porém, argumentava que o Estado proletário, em oposição ao Estado burguês, precisava tornar-se mais forte antes de poder desaparecer. Na visão de Stalin, elementos contrarrevolucionários tentariam impedir a transição ao comunismo pleno, e o Estado deveria ser suficientemente poderoso para derrotá-los. Por essa razão, os regimes comunistas influenciados por Stalin são totalitários."Stalinism." Encyclopædia Britannica. 2020. Outros setores da esquerda, como os anarcocomunistas, criticaram o Estado-partido da União Soviética da era Stalin, acusando-o de ser burocrático e qualificando-o como uma social-democracia reformista, e não como uma forma de comunismo revolucionário.
Repressão ideológica e censura
Sob Stalin, a repressão estendeu-se à produção acadêmica, às ciências naturais e às áreas literárias. Em particular, a teoria da relatividade de Einstein foi alvo de denúncia pública; muitas de suas ideias foram rejeitadas por motivos ideológicos e condenadas como "idealismo burguês" durante a era Stalin.
Uma política de repressão ideológica afetou diversas áreas disciplinares, como genética, cibernética, biologia, linguística, física, sociologia,Elizabeth Ann Weinberg, The Development of Sociology in the Soviet Union, Taylor & Francis, 1974, , Google Print, pp. 8–9 psicologia, Pedologia, lógica matemática, economia e estatística.
Teorias pseudocientíficas de Trofim Lysenko foram favorecidas em detrimento da genética científica durante a era Stalin. Cientistas soviéticos foram obrigados a denunciar qualquer trabalho que contradissesse Lysenko. Mais de 3.000 biólogos foram presos, demitidos ou executados por tentarem se opor ao lysenkoísmo, e a pesquisa genética foi efetivamente destruída até a morte de Stalin em 1953. Devido à influência ideológica do lysenkoísmo, os rendimentos agrícolas na URSS diminuíram.
A ortodoxia foi imposta na esfera cultural. Antes do governo de Stalin, representantes literários, religiosos e nacionais possuíam certo grau de autonomia na década de 1920, mas esses grupos foram posteriormente reprimidos com rigor durante a era stalinista. O realismo socialista foi imposto na produção artística, e outras indústrias criativas, como música, cinema e esporte, foram submetidas a níveis extremos de controle político.
A falsificação histórica de acontecimentos políticos como a Revolução de Outubro e o Tratado de Brest-Litovsk tornou-se um elemento característico do regime de Stalin. Um exemplo notável é a publicação, em 1938, de História do Partido Comunista da União Soviética (Bolcheviques), na qual a história do partido governante foi significativamente alterada e revisada, inclusive quanto à importância das principais figuras durante a Revolução Bolchevique. Retrospectivamente, os principais associados de Lenin, como Zinoviev, Trotsky, Radek e Bukharin, foram retratados como "vacilantes", "oportunistas" e "espiões estrangeiros", enquanto Stalin era apresentado como o principal disciplinador durante a revolução. Na realidade, porém, Stalin era considerado uma figura relativamente desconhecida e de importância secundária na época do acontecimento.