Tempo é a progressão contínua da existência, em uma sucessão aparentemente irreversível que vai do passado, passa pelo presente e segue para o futuro.a O tempo rege todas as formas de ação, o envelhecimento e a causalidade. É uma grandeza usada para ordenar acontecimentos em sequência, comparar sua duração ou os intervalos entre eles e quantificar as taxas de variação de grandezas na realidade material ou na experiência consciente.Compact Oxford English Dictionary, 1971. "Um trecho ou intervalo limitado de existência contínua, como o intervalo entre dois acontecimentos ou atos sucessivos, ou o período durante o qual uma ação, condição ou estado prossegue". Costuma ser chamado de quarta dimensão, ou dimensão temporal, além das três dimensões espaciais.
O tempo é medido principalmente em intervalos ou períodos lineares, ordenados do mais curto ao mais longo. Na escala humana, sua medição prática usa relógios e calendários, com um dia de 24 horas e um ano de 365 dias, definidos a partir dos movimentos astronômicos da Terra. As escalas de tempo usadas na física abrangem desde o tempo de Planck, uma escala teórica, até bilhões de anos. No modelo cosmológico padrão, o Big Bang ocorreu há cerca de 13,8 bilhões de anos, período abrangido pela cronologia do universo. Na física, o tempo é inseparável do espaço no conceito de espaço-tempo da relatividade geral. A velocidade e a matéria podem provocar a dilatação do tempo, fazendo com que ele passe mais depressa ou mais devagar para um observador externo. Esse efeito costuma ser imperceptível na experiência humana, mas pode ser medido com relógios atômicos mesmo em pequenas diferenças de altitude e em velocidades habituais.
O tempo tem sido objeto de estudo da religião, da filosofia e da ciência ao longo dos séculos. Sua medição ocupa cientistas e tecnólogos e tem motivado pesquisas em navegação e astronomia. O tempo também tem valor econômico, expresso na ideia de que "tempo é dinheiro", e valor pessoal, pela consciência de que o tempo disponível em cada dia, evocada na expressão "carpe diem", e na vida humana é limitado.
Definição Há diferentes concepções de tempo. Ainda não se encontrou uma definição que se aplique a todos os campos sem cair em uma definição circular. Negócios, indústria, esportes, ciências e artes cênicas empregam alguma noção de tempo em seus sistemas de medição. 108 páginas. As definições tradicionais se baseavam na observação de movimentos periódicos, como o movimento aparente do Sol no céu, as fases da Lua e a oscilação livre de um pêndulo. Sistemas mais recentes usam o Sistema de Posicionamento Global, outros sistemas de satélites, o Tempo Universal Coordenado e o tempo solar médio. Embora sejam diferentes, esses sistemas podem ser sincronizados por meio de medições cuidadosas.
Na física, o tempo é um conceito fundamental para definir outras grandezas, como a velocidade. Para evitar uma definição circular, Trecho da página 3 do manuscrito. o tempo na física recebe uma definição operacional como "aquilo que um relógio mede", especificamente uma contagem de acontecimentos que se repetem, como os usados na definição do segundo do SI. Essa definição permite medições práticas, mas não esclarece a essência do tempo. Os físicos desenvolveram o conceito de contínuo espaço-temporal, no qual cada evento recebe quatro coordenadas, três espaciais e uma temporal. Eventos como colisões de partículas, supernovas ou lançamentos de foguetes têm coordenadas que podem variar entre observadores, tornando relativos os conceitos de "agora" e "aqui". Na relatividade restrita, o intervalo espaço-temporal entre dois eventos pode ser do tipo espaço, do tipo tempo ou do tipo luz. No primeiro caso, há um referencial em que os eventos são simultâneos. No segundo, há um referencial em que ocorrem no mesmo lugar. No terceiro, podem ser unidos por um sinal luminoso no vácuo. Trecho da página 125 Arquivado em 4 de agosto de 2024. Na relatividade restrita, todos os observadores inerciais medem a mesma velocidade da luz no vácuo. A propagação da luz delimita quais eventos podem afetar outros e, assim, estabelece a estrutura causal do espaço-tempo.
A relatividade geral não esclarece a natureza do tempo em intervalos extremamente pequenos, nos quais se aplica a mecânica quântica. Nesta, o tempo é um parâmetro universal e absoluto, diferente da noção de relógios independentes da relatividade geral. O problema do tempo consiste em conciliar essas duas teorias. A formulação de uma teoria quântica da gravidade permanece um problema em aberto.
Medição miniaturadaimagem|upright=0.8|O escoamento da areia em uma ampulheta pode medir a passagem de uma hora. A ampulheta também dá uma forma concreta à posição do presente entre o passado e o futuro.
A medição do tempo, ou cronometria, geralmente assume duas formas. A primeira usa um calendário, ferramenta matemática para organizar intervalos de tempo na Terra, consultada para períodos superiores a um dia. A segunda usa um relógio, mecanismo físico que assinala a passagem do tempo, consultado para períodos inferiores a um dia. Juntas, essas medições situam um momento específico a partir de um ponto de referência, ou época.
O tempo é uma das sete grandezas físicas fundamentais do Sistema Internacional de Unidades, o SI, e do Sistema Internacional de Grandezas. A unidade de tempo de base do SI é o segundo, definido a partir da frequência da transição hiperfina do estado fundamental não perturbado do átomo de césio-133.
A definição do segundo se refere a uma situação ideal. Um relógio real exige a avaliação das perturbações causadas pelo movimento dos átomos, pelos campos elétricos e magnéticos e pela radiação térmica ao redor do aparelho. As correções e suas incertezas fazem parte da medição. A unidade assim obtida é uma unidade de tempo próprio, medida no referencial local do relógio.
Calendários
Ossos e bastões com incisões feitos por caçadores europeus há mais de 20.000 anos, no Paleolítico, podem ter sido usados para contar os dias entre as fases da Lua. Os calendários lunares estão entre os primeiros que surgiram, com anos de 12 ou 13 meses lunares, equivalentes a 354 ou 384 dias. Sem a intercalação de dias ou meses em alguns anos, as estações rapidamente deixam de coincidir com suas datas em um calendário de apenas doze meses lunares. Os calendários lunissolares acrescentam um décimo terceiro mês a alguns anos para compensar a diferença entre o ano completo, de cerca de 365,24 dias, e o ano de doze meses lunares. Os números doze e treze ganharam destaque em muitas culturas, ao menos em parte por essa relação entre meses e anos.
Outros calendários antigos surgiram na Mesoamérica, sobretudo na civilização maia, que desenvolveu o calendário maia, formado por calendários interligados. Baseados na religião e na astronomia, eles abrangiam o Haab', com 18 meses de 20 dias e cinco dias epagômenos no fim do ano. Os maias também usavam um calendário sagrado de 260 dias, chamado Tzolk'in.
As reformas de Júlio César, em 45 a.C., levaram o mundo romano a adotar um calendário solar. No calendário juliano, a intercalação ainda permitia que as datas dos solstícios e equinócios se adiantassem cerca de 11 minutos por ano. O papa Gregório XIII introduziu uma correção em 1582. A adoção do calendário gregoriano pelos países levou séculos, mas ele se tornou, com larga vantagem, o calendário mais usado no mundo.
Durante a Revolução Francesa, foram criados um novo relógio e um novo calendário como parte da descristianização da França e da busca por um sistema mais racional para substituir o calendário gregoriano. Os dias do calendário republicano francês tinham dez horas de cem minutos, cada minuto com cem segundos. Essa divisão se afastava do sistema de base 12, ou duodecimal, usado em muitos outros instrumentos de diferentes culturas. O sistema foi abolido em 1806.
Outros instrumentos de medição
miniaturadaimagem|direita|Relógio de sol horizontal em Camberra miniaturadaimagem|Mostrador de um relógio de 24 horas em Florença
Foram inventados muitos instrumentos para medir o tempo. Seu estudo é chamado de horologia. Eles podem ser movidos pela gravidade, por molas ou por diferentes formas de energia elétrica e usam diferentes mecanismos de regulação.
Um relógio de sol usa a direção da luz solar para projetar a sombra de um gnômon sobre marcas calibradas que permitem ler a hora local, geralmente em horas. A ideia de dividir o dia em partes menores é atribuída aos egípcios, cujos relógios de sol usavam um sistema duodecimal. A escolha do número 12 se deve ao número de ciclos lunares no ano e ao de estrelas usadas para contar a passagem da noite. Por volta de 3500 a.C., já se construíam obeliscos como gnômons. Um instrumento egípcio de cerca de 1500 a.C., semelhante a uma régua T dobrada, também media o tempo pela sombra que sua barra transversal projetava sobre uma régua não linear. Pela manhã, o T era orientado para leste. Ao meio-dia, o instrumento era virado para projetar sua sombra na direção da tarde.
Na Grécia antiga, um relógio de água atribuído a Platão acionava um apito. O alarme hidráulico funcionava pelo enchimento gradual de recipientes. Depois de algum tempo, a água era escoada por um sifão. O inventor Ctesíbio aperfeiçoou os relógios de água. Seu relógio de água usava uma boia como mecanismo de acionamento e um relógio de sol para corrigir a vazão da água.
Nos escritos filosóficos medievais, o átomo era uma unidade de tempo correspondente à menor divisão possível. A ocorrência mais antiga conhecida em inglês está no Enchiridion, texto científico de Birferdo escrito entre 1010 e 1012. Nele, o átomo equivalia a 1/564 de um momentum, de 1,5 minuto,"atom", Oxford English Dictionary, versão preliminar da revisão de setembro de 2008. Contém as citações pertinentes do Enchiridion de Byrhtferth. ou a 15/94 de segundo. A unidade era usada no computus, o cálculo da data da Páscoa. O instrumento de medição do tempo mais preciso da Antiguidade era o relógio de água, ou clepsidra. Um deles foi encontrado no túmulo do faraó egípcio Amenófis I. Esses relógios mediam as horas mesmo à noite, mas exigiam reposição manual da água. Os gregos antigos e os habitantes da Caldeia, no sudeste da Mesopotâmia, anotavam regularmente as medições do tempo como parte de suas observações astronômicas. Inventores e engenheiros árabes aperfeiçoaram o uso dos relógios de água até a Idade Média. No século XI, inventores e engenheiros chineses criaram os primeiros relógios mecânicos movidos por um mecanismo de escape.
miniaturadaimagem|Um relógio de quartzo de 2007
Varetas de incenso e velas eram usadas, e ainda são, para medir o tempo em templos e igrejas de todo o mundo. Relógios de água e, mais tarde, relógios mecânicos assinalavam os horários dos acontecimentos em abadias e mosteiros medievais. No mar, a passagem das horas também podia ser assinalada por um sino, como nas abadias. Richard de Wallingford, que viveu de 1292 a 1336 e foi abade de St. Albans, construiu por volta de 1330 um relógio mecânico que funcionava como um planetário mecânico. A ampulheta mede a passagem do tempo pelo escoamento da areia e também era usada na navegação. Na preparação da viagem de circum-navegação concluída em 1522, Fernão de Magalhães reuniu 18 ampulhetas. A palavra inglesa clock, que significa "relógio", provavelmente vem do neerlandês médio klocke, derivado do latim medieval clocca. Este tem origem celta e é cognato de palavras francesas, latinas e alemãs que significam sino.