O Oceano Pacífico é a maior e mais profunda das cinco divisões oceânicas da Terra. Estende-se do Oceano Ártico, ao norte, até o Oceano Antártico ou, dependendo da definição, até a Antártida, ao sul, e é limitado pelos continentes da Ásia e da Austrália, a oeste, e pela América, a leste.

Com uma área de 165 250 000 quilômetros quadrados (quando definido com um limite meridional na Antártida), o Oceano Pacífico é a maior divisão do oceano mundial e da hidrosfera, cobrindo aproximadamente 46% da superfície aquática da Terra e cerca de 32% da superfície total do planeta, uma área maior do que a de todas as terras emersas somadas (148 940 000 quilômetros quadrados)."Pacific Ocean". Britannica Concise. 2008: Encyclopædia Britannica, Inc. Os centros tanto do hemisfério aquático quanto do Hemisfério ocidental, assim como o polo oceânico de inacessibilidade, situam-se no Oceano Pacífico. A circulação oceânica (causada pela força de Coriolis) subdivide-o em duas massas de água em grande parte independentes que se encontram na Linha do equador, o Pacífico Norte e o Pacífico Sul. O Oceano Pacífico também pode ser dividido informalmente pela Linha Internacional de Data em Pacífico Oriental e Pacífico Ocidental, o que permite subdividi-lo em quatro quadrantes: o Pacífico Nordeste, ao largo da América do Norte; o Pacífico Sudeste, ao largo da América do Sul; o Pacífico Noroeste, ao largo do Extremo Oriente e da Ásia banhada pelo Pacífico; e o Pacífico Sudoeste, em torno da Oceânia.

A profundidade média do Oceano Pacífico é de 4 000 metros. A Depressão Challenger, na Fossa das Marianas, localizada no noroeste do Pacífico, é o ponto conhecido mais profundo do mundo, alcançando 10928 m. O Pacífico também contém o ponto mais profundo do Hemisfério sul, a depressão Horizon, na Fossa de Tonga, com 10823 m. O terceiro ponto mais profundo da Terra, a depressão Sirena, também se localiza na Fossa das Marianas.

O Pacífico possui muitos grandes mares marginais, entre eles (listados no sentido horário a partir do oeste) o Mar das Filipinas, o Mar da China Meridional, o Mar da China Oriental, o Mar do Japão, o Mar de Ocótsqui, o Mar de Bering, o Golfo do Alasca, o Golfo da Califórnia, o Mar de Tasman e o Mar de Coral.

O ponto mais remoto também se localiza no Oceano Pacífico. Conhecido como Ponto Nemo, situa-se aproximadamente nas coordenadas 48°52,6′S 123°23,6′W.

Etimologia Em 1513, durante a Era dos Descobrimentos, o explorador espanhol Vasco Núñez de Balboa atravessou o Istmo do Panamá e avistou o grande "Mar do Sul", ao qual deu o nome de . Posteriormente, o nome atual do oceano foi cunhado pelo explorador português Fernão de Magalhães durante a circum-navegação espanhola do mundo, em 1520, quando encontrou ventos favoráveis ao chegar ao oceano. Chamou-o de , isto é, "mar pacífico" ou "mar tranquilo".

História Pré-história Nos continentes da Ásia, Austrália e América, mais de 25 mil ilhas, grandes e pequenas, elevam-se acima da superfície do Oceano Pacífico. Várias delas são remanescentes de antigos vulcões ativos que permanecem adormecidos há milhares de anos (ver também Círculo de fogo do Pacífico). Próximo à linha do equador, em meio às vastas extensões do oceano azul, encontram-se atóis que se formaram ao longo do tempo sobre montes submarinos, à medida que pequenas ilhas de coral se dispuseram em anel em torno de uma laguna central.

Primeiras migrações

thumb|Modelo de uma drua fijiana, exemplo de embarcação austronésia com casco de canoa dupla (catamarã) e vela em forma de garra de caranguejo

Importantes migrações humanas ocorreram no Pacífico em tempos pré-históricos. Os humanos modernos chegaram pela primeira vez ao Pacífico ocidental no Paleolítico, por volta de 60 a 70 mil anos atrás. Originários de uma migração humana costeira meridional para fora da África, alcançaram a Ásia Oriental, o Sudeste Asiático continental, as Filipinas, a Nova Guiné e depois a Austrália, realizando uma travessia marítima de pelo menos 80 quilômetros entre a Sondalândia e Sahul. Não se sabe com certeza qual nível de tecnologia marítima esses grupos utilizavam; presume-se que empregassem grandes jangadas de bambu, possivelmente equipadas com algum tipo de vela. A redução dos ventos favoráveis a uma travessia para Sahul depois de 80 mil anos antes do presente é compatível com a datação do povoamento da Austrália, sem migrações posteriores no período pré-histórico. As capacidades de navegação dos habitantes pré-austronésios do Sudeste Asiático insular são confirmadas pelo povoamento de Buca por volta de 32 mil anos antes do presente e da ilha Manus por volta de 25 mil anos antes do presente, envolvendo viagens de 180 e 230 quilômetros, respectivamente.

Os descendentes dessas migrações são atualmente os Negritos, os Melanésios e os Aborígenes australianos. Suas populações no Sudeste Asiático marítimo, no litoral da Nova Guiné e na Melanésia Insular posteriormente se miscigenaram com colonizadores austronésios vindos de Taiwan e do norte das Filipinas, bem como com grupos anteriores associados a falantes de línguas austro-asiáticas, dando origem aos povos modernos do Sudeste Asiático insular e da Oceânia.

thumb|upright=2|Mapa mostrando a migração dos Austronésios Uma migração marítima posterior foi a expansão neolítica dos povos austronésios. Os austronésios originaram-se na ilha de Taiwan por volta de –1500 a.C. Eles estão associados a tecnologias de navegação características, em especial canoas com estabilizador, catamarãs, embarcações com tábuas amarradas e velas em forma de garra de caranguejo; é provável que o desenvolvimento progressivo dessas tecnologias estivesse relacionado às etapas posteriores do povoamento da Oceânia Próxima e Remota. A partir de cerca de 2200 a.C., os austronésios navegaram para o sul e povoaram as Filipinas. Cruzaram o Pacífico ocidental a partir do Arquipélago de Bismarck e chegaram às Ilhas Marianas por volta de 1500 a.C., assim como a Palau e Yap por volta de 1000 a.C. Foram os primeiros humanos a alcançar a Oceânia Remota e os primeiros a cruzar grandes extensões de mar aberto. Também continuaram a se expandir para o sul, povoando o restante do Sudeste Asiático marítimo e alcançando a Indonésia e a Malásia por volta de 1500 a.C., e mais a oeste Madagáscar e Comores, no Oceano Índico, por volta de 500 d.C. Mais recentemente, sugeriu-se que os austronésios teriam se expandido ainda antes, chegando às Filipinas já em 7000 a.C. Outras migrações anteriores para o Sudeste Asiático insular, associadas a falantes de línguas austro-asiáticas oriundos do Sudeste Asiático continental, são estimadas em cerca de 15 000 a.C.

Por volta de 1300 a 1200 a.C., um ramo das migrações austronésias conhecido como Cultura Lapita chegou ao Arquipélago de Bismarck, às Ilhas Salomão, a Vanuatu, Fiji e Nova Caledónia. A partir dali, povoou Tonga e Samoa por volta de 900 a 800 a.C. Alguns grupos também migraram de volta para o norte por volta de 200 a.C., povoando as ilhas da Micronésia oriental, entre elas as Ilhas Carolinas, as Ilhas Marshall e Quiribáti, onde se misturaram a migrações austronésias anteriores da região. Esse permaneceu o limite máximo da expansão austronésia pela Polinésia até cerca de 700 d.C., quando ocorreu uma nova onda de exploração insular. Eles chegaram às Ilhas Cook, ao Taiti e ao Arquipélago das Marquesas por volta de 700 d.C.; ao Havaí por volta de 900; à Rapa Nui por volta de 1000; e, por fim, à Nova Zelândia por volta de 1200. Os austronésios também podem ter alcançado a América, embora as evidências permaneçam inconclusivas.Van Tilburg, Jo Anne. 1994. Easter Island: Archaeology, Ecology and Culture. Washington D.C.: Smithsonian Institution PressLangdon, Robert. The Bamboo Raft as a Key to the Introduction of the Sweet Potato in Prehistoric Polynesia, The Journal of Pacific History, Vol. 36, No. 1, 2001

Exploração europeia thumb|upright=1.1|A Universalis Cosmographia, também conhecida como Mapa de Waldseemüller, datada de 1507, foi o primeiro mapa a mostrar a América separando dois oceanos distintos. A América do Sul era geralmente considerada o Novo Mundo, e o mapa apresenta pela primeira vez o nome "América", em homenagem a Américo Vespúcio. O primeiro contato de navegadores europeus com a margem ocidental do Oceano Pacífico ocorreu com as expedições portuguesas de António de Abreu e Francisco Serrão, através das Pequenas Ilhas da Sonda, até as Ilhas Molucas, em 1512, e com a expedição de Jorge Álvares ao sul da China em 1513,Porter, Jonathan. (1996). Macau, the Imaginary City: Culture and Society, 1557 to the Present. Westview Press. ambas ordenadas por Afonso de Albuquerque a partir da Malaca.

A margem oriental do oceano foi alcançada pelo explorador espanhol Vasco Núñez de Balboa em 1513, depois que sua expedição atravessou o Istmo do Panamá e chegou a um novo oceano. Balboa o chamou de Mar del Sur ("Mar do Sul") porque o oceano ficava ao sul da costa do istmo de onde ele avistou o Pacífico pela primeira vez.

Em 1520, o navegador Fernão de Magalhães e sua tripulação foram os primeiros a atravessar o Pacífico de que se tem registro histórico. Eles faziam parte da expedição espanhola às Ilhas das Especiarias, que acabaria realizando a primeira circum-navegação do mundo. Magalhães chamou o oceano de Pacífico porque, depois de navegar pelos mares tempestuosos ao largo do Cabo Horn, a expedição encontrou águas calmas. Até o século XVIII, o oceano também era frequentemente chamado de Mar de Magalhães em sua homenagem.Camino, Mercedes Maroto. Producing the Pacific: Maps and Narratives of Spanish Exploration (1567–1606), p. 76. 2005. Magalhães parou em uma ilha desabitada do Pacífico antes de chegar a Guam, em março de 1521. O próprio Magalhães morreu nas Filipinas em 1521. O navegador espanhol Juan Sebastián Elcano conduziu os remanescentes da expedição de volta à Espanha pelo Oceano Índico e em torno do Cabo da Boa Esperança, completando a primeira circum-navegação do mundo em 1522."Life in the sea: Pacific Ocean", Oceanário de Lisboa. Consultado em 9 de junho de 2013. Navegando em torno e a leste das Molucas, entre 1525 e 1527, expedições portuguesas encontraram as Ilhas Carolinas, as Ilhas Aru e a Papua-Nova Guiné. Em 1542–1543, os portugueses também chegaram ao Japão.Steven Thomas,

Em 1564, cinco navios espanhóis transportando 379 soldados cruzaram o Pacífico a partir do México, sob o comando de Miguel López de Legazpi, e colonizaram as Filipinas e as Ilhas Marianas. Durante o restante do século XVI, a Espanha manteve o controle militar e mercantil, com navios navegando do México e do Peru através do Oceano Pacífico até as Filipinas, via Guam, e estabelecendo as Índias Orientais Espanholas. Os galeões de Manila operaram durante dois séculos e meio, ligando Manila e Acapulco em uma das mais longas rotas comerciais da história. Expedições espanholas também chegaram a Tuvalu, ao Arquipélago das Marquesas, às Ilhas Cook, às Ilhas Salomão, a Vanuatu, às Ilhas Marshall e às Ilhas do Almirantado, no Pacífico Sul.

Mais tarde, na busca pela Terra Australis (a "grande terra austral"), explorações espanholas do século XVII, como a expedição liderada pelo navegador português Pedro Fernandes de Queirós, chegaram aos arquipélagos de Pitcairn e Vanuatu e navegaram pelo Estreito de Torres, entre a Austrália e a Nova Guiné, batizado em homenagem ao navegador Luís Vaz de Torres. Exploradores neerlandeses, navegando em torno do sul da África, também se dedicaram à exploração e ao comércio; Willem Janszoon realizou o primeiro desembarque europeu inteiramente documentado na Austrália, em 1606, na Península do Cabo York,J.P. Sigmond e L.H. Zuiderbaan (1979) Dutch Discoveries of Australia. Rigby Ltd, Australia. pp. 19–30 e Abel Janszoon Tasman circum-navegou e desembarcou em partes da costa continental australiana, chegando à Tasmânia e à Nova Zelândia em 1642.