Oceano Índico é a terceira maior das cinco divisões oceânicas do mundo, cobrindo 70 560 000 km², ou aproximadamente 20% da área aquática da superfície da Terra. É limitado pela Ásia ao norte, pela África a oeste e pela Austrália a leste. Ao sul, é limitado pelo oceano Antártico ou pela Antártida, dependendo da definição utilizada. O oceano Índico possui grandes mares marginais ou regionais, entre eles o mar de Andamão, o mar Arábico, o golfo de Bengala e o mar das Laquedivas.

Geologicamente, o oceano Índico é o mais jovem dos oceanos, tendo sido diretamente precedido pelo mar de Tétis, que se fragmentou no mar Mediterrâneo e no oceano Índico há apenas 20 milhões de anos. Apresenta características distintas, como plataformas continentais estreitas. Sua profundidade média é de 3 741 m. É o oceano mais quente e exerce impacto significativo sobre o clima global devido à sua interação com a atmosfera. Suas águas são afetadas pela circulação de Walker do oceano Índico, originando padrões próprios de correntes oceânicas e ressurgência. O oceano Índico é ecologicamente diverso, com ecossistemas importantes como recifes de coral, manguezais e pradarias de ervas marinhas. Responde por uma parcela significativa da captura mundial de atum e abriga espécies marinhas ameaçadas. O clima ao redor do oceano Índico é caracterizado pelas monções.

O oceano Índico constitui um centro de intercâmbio cultural e comercial desde a Antiguidade. Desempenhou papel fundamental nas primeiras migrações humanas e na difusão de civilizações. Na era moderna, continua crucial para o comércio mundial, especialmente de petróleo e hidrocarbonetos. Entre as preocupações ambientais e geopolíticas da região estão a mudança do clima, a pesca predatória, a poluição, a pirataria e as disputas por territórios insulares.

Etimologia O oceano Índico é conhecido por seu nome atual desde pelo menos 1515, quando se registra a forma latina Oceanus Orientalis Indicus ("oceano oriental indiano"), denominada em referência à Índia, cujo subcontinente indiano se projeta sobre ele. Anteriormente era conhecido como Oceano Oriental, termo ainda utilizado em meados do século XVIII, em oposição ao Oceano Ocidental (o Atlântico), antes que se concebesse a existência do Pacífico. O nome moderno do oceano em hindi é (Hind Mahāsāgar, literalmente "oceano da Índia").

Em contraste, os exploradores chineses, como Zheng He durante a dinastia Ming, que viajaram ao oceano Índico no século XV, chamavam-no de Oceanos Ocidentais.

Na geografia da Grécia Antiga, a região do oceano Índico conhecida pelos gregos era chamada de mar Eritreu.

Na geografia tradicional indiana, o oceano é historicamente chamado de Mahodadhi (, Mahōdadhi, "oceano" ou "grande mar"), dividido nos dois mares Purvapayodhi (, Pūrvapayōdhi, "nascer do Sol"), em referência ao golfo de Bengala, e Apara (, Apara, "pôr do Sol"), em referência ao mar Arábico. Outro nome utilizado para o oceano Índico é Ratnakara (, Ratnākara, "aquele que possui joias", "mina de joias" ou "repositório de joias").

Geografia

Extensão e dados As fronteiras do oceano Índico, conforme delimitadas pela Organização Hidrográfica Internacional (OHI) em 1953, incluíam o oceano Antártico, mas não os mares marginais ao longo de sua borda setentrional. Em 2002, a OHI delimitou separadamente o oceano Antártico, retirando do Índico as águas ao sul de 60° S, mas incluindo os mares marginais do norte.

No sentido meridional, o oceano Índico é separado do Atlântico pelo meridiano 20° E, que se estende ao sul a partir do cabo das Agulhas, na África do Sul, e do Pacífico pelo meridiano 146°49′ E, que se estende ao sul a partir do Cabo Sudeste da Tasmânia na ilha da Tasmânia, Austrália. A extensão mais setentrional do oceano Índico, incluindo os mares marginais, situa-se aproximadamente a 30° N no golfo Pérsico.

O oceano Índico cobre 70 560 000 km², incluindo o mar Vermelho e o golfo Pérsico, mas excluindo o oceano Antártico, o equivalente a 19,5% dos oceanos do mundo. Seu volume é de 264 000 000 km³, ou 19,8% do volume dos oceanos mundiais; sua profundidade média é de 3 741 m e a máxima, de 7 290 m.

Todo o oceano Índico está situado no hemisfério oriental. O centro desse hemisfério, o meridiano 90° E, atravessa a dorsal dos Noventa Graus Leste.

Nessas águas existem numerosas ilhas, incluindo ilhas controladas pelos países circundantes e Estados e territórios insulares independentes. Entre as ilhas não costeiras, há dois grandes agrupamentos: um em torno de Madagáscar e outro ao sul da Índia. Algumas outras ilhas oceânicas encontram-se dispersas em outros pontos.

Costas e plataformas Em contraste com os oceanos Atlântico e Pacífico, o oceano Índico é encerrado por grandes massas terrestres e por um arquipélago em três de seus lados, não se estende de polo a polo e pode ser comparado a um oceano em forma de grande baía. Está centrado no subcontinente indiano. Embora esse subcontinente tenha desempenhado papel significativo em sua história, o oceano Índico foi, sobretudo, um palco cosmopolita, interligando diversas regiões por meio de inovações, comércio e religião desde os primórdios da história humana.

As margens ativas do oceano Índico têm largura média de 19 ± 0,61 km — distância horizontal da terra à quebra da plataforma —, com largura máxima de 175 km. As margens passivas têm largura média de 47,6 ± 0,8 km. A largura média dos taludes — a distância horizontal da quebra da plataforma ao sopé do talude — das plataformas continentais é de 50,4 km nas margens ativas e 52,4 km nas passivas, com larguras máximas de 205,3 km e 255,2 km, respectivamente.

Na quebra da plataforma, também conhecida como zona de charneira, a gravidade de Bouguer varia de 0 a 30 mGal, valor incomum para uma região continental com cerca de 16 km de sedimentos. Foi proposto que a "zona de charneira pode representar o remanescente do limite entre as crostas continental e proto-oceânica formado durante o rifteamento da Índia em relação à Antártida".

Austrália, Indonésia e Índia são os três países com as costas e zonas econômicas exclusivas mais extensas. A plataforma continental constitui 15% do oceano Índico. Mais de dois bilhões de pessoas vivem em países banhados pelo oceano Índico, em comparação com 1,7 bilhão no Atlântico e 2,7 bilhões no Pacífico; alguns países são banhados por mais de um oceano.

Rios A bacia hidrográfica do oceano Índico cobre 21 100 000 km², área semelhante à do Pacífico e equivalente à metade da bacia do Atlântico, ou a 30% da superfície do próprio oceano, contra 15% no Pacífico. A bacia hidrográfica do Índico divide-se em cerca de 800 bacias individuais, metade do número existente no Pacífico; 50% delas estão na Ásia, 30% na África e 20% na Australásia. Os rios do oceano Índico são, em média, mais curtos, com 740 km, do que os dos outros grandes oceanos. Os maiores rios são, de ordem 5, o rio Zambeze, o rio Ganges–Bramaputra, o rio Indo, o rio Juba e o rio Murray; e, de ordem 4, o Xatalárabe, o Wadi ad-Dawasir — sistema fluvial seco da Península Arábica — e o rio Limpopo. Após a fragmentação da porção oriental de Gondwana e a formação do Himalaia, os rios Ganges e Bramaputra passaram a desaguar no maior delta do mundo, conhecido como Delta do Ganges ou Sundarbans.

Mares marginais Os mares marginais, golfos, baías e estreitos do oceano Índico incluem:

Ao longo da costa oriental da África, o canal de Moçambique separa Madagáscar da África continental, enquanto o mar de Zanj fica ao norte de Madagáscar.

Na costa setentrional do mar Arábico, o golfo de Adem liga-se ao mar Vermelho pelo estreito de Babelmândebe. No golfo de Adem, o golfo de Tadjoura situa-se em Djibuti, e o canal de Guardafui separa a ilha de Socotorá do Chifre da África. A extremidade norte do mar Vermelho termina no golfo de Acaba e no golfo de Suez. O oceano Índico é artificialmente ligado ao mar Mediterrâneo, sem eclusas, pelo canal de Suez, acessível através do mar Vermelho. O mar Arábico liga-se ao golfo Pérsico pelo golfo de Omã e pelo estreito de Ormuz. No golfo Pérsico, o golfo do Barém separa o Catar da Península Arábica.

Ao longo da costa ocidental da Índia, o golfo de Kutch e o golfo de Cambaia situam-se no Guzerate, ao norte, enquanto o mar das Laquedivas separa as Maldivas da extremidade sul da Índia. O golfo de Bengala fica ao largo da costa oriental indiana. O golfo de Manar e o estreito de Palk separam Sri Lanka da Índia, enquanto a Ponte de Adão separa os dois países. As ilhas Andamão situam-se entre o golfo de Bengala e o mar de Andamão.

Na Indonésia, a chamada passagem indonésia é composta pelo mar de Java e pelos estreitos de Malaca, Sunda e Torres. O golfo de Carpentária situa-se na costa norte da Austrália, enquanto a Grande Baía Australiana constitui grande parte de sua costa sul.

Mar Arábico – 3,862 milhões de km² Golfo de Bengala – 2,172 milhões de km² Mar de Andamão – 797 700 km² Mar das Laquedivas – 786 000 km² Canal de Moçambique – 700 000 km² Mar de Timor – 610 000 km² Mar Vermelho – 438 000 km² Golfo de Adem – 410 000 km² Golfo Pérsico – 251 000 km² Mar das Molucas – 200 000 km² Golfo de Omã – 181 000 km² Mar de Flores – 121 000 km² Grande Baía Australiana – 45 926 km² Golfo de Acaba – 239 km² Golfo de Cambaia Golfo de Kutch Golfo de Suez Canal de Dubai Estreito de Ormuz

Países banhados Territórios em itálico África

(Reunião)

(Bassas da Índia, Ilha Europa, Ilha de João da Nova, Ilhas Gloriosas e Ilha Tromelin)

Ásia

(Península do Sinai)

Oceania

Ilhas Ashmore e Cartier

Ilhas subantárticas

(Ilhas do Príncipe Eduardo) Ilha Heard e Ilhas McDonald (Ilhas Crozet, Ilhas São Paulo e Amesterdão e Ilhas Kerguelen)

Clima thumb|Durante o verão, as massas continentais quentes atraem ar úmido do oceano Índico, produzindo chuvas intensas. No inverno, o processo se inverte, resultando em condições secas Diversas características tornam o oceano Índico singular. Ele constitui o núcleo de uma extensa piscina de águas quentes tropicais que, ao interagir com a atmosfera, afeta o clima em escala regional e global. A Ásia bloqueia a exportação de calor e impede a ventilação da termoclina do Índico. O continente também impulsiona a monção do oceano Índico, a mais forte da Terra, que provoca grandes variações sazonais nas correntes oceânicas, incluindo a inversão da corrente da Somália e da corrente de monção do Índico. Devido à circulação de Walker do oceano Índico, não há ventos de leste equatoriais contínuos. O afloramento ocorre próximo ao Corno de África e à Península Arábica, no hemisfério norte, e ao norte dos alísios no hemisfério sul. O fluxo indonésio constitui uma ligação equatorial singular com o Pacífico.

O clima ao norte da linha do equador é influenciado pelas monções. Ventos fortes de nordeste sopram de outubro a abril; de maio a outubro, predominam ventos de sul e oeste. No mar Arábico, a monção intensa leva chuva ao subcontinente indiano. No hemisfério sul, os ventos são geralmente mais amenos, embora tempestades de verão próximas à Maurícia possam ser severas. Quando os ventos de monção mudam, ciclones por vezes atingem as costas do mar Arábico e do golfo de Bengala.

Cerca de 80% da precipitação anual total da Índia ocorre durante o verão, e a região é tão dependente dessas chuvas que várias civilizações desapareceram quando a monção falhou no passado. A grande variabilidade da monção de verão indiana também ocorreu na pré-história, com uma fase forte e úmida entre 33 500 e 32 500 AP, uma fase fraca e seca entre 26 000 e 23 500 a.C. e uma fase muito fraca entre 17 000 e 15 000 AP, correspondendo a uma série de acontecimentos globais dramáticos: o aquecimento de Bølling–Allerød, o evento de Heinrich e o Dryas recente.

thumb|upright=.9|Poluição do ar sobre o subcontinente indiano, espalhando-se pelo golfo de Bengala e além.