O conflito entre Hamas e Fatah (em árabe: النزاع بين فتح وحماس‎‎ an-Nizāʿ bayna Fataḥ wa-Ḥamās), também chamado de Guerra Civil Palestina ou Guerra Civil Palestiniana (‎‎ al-Ḥarb al-ʾAhliyyah al-Filisṭīnīyyah), foi um conflito entre os dois principais partidos políticos da Palestina, Fatah e Hamas, resultando na divisão da Autoridade Nacional Palestina em 2007. O processo de reconciliação e unificação de Hamas e Fatah ainda não tinham sido finalizadas até setembro de 2015.

A Comissão Independente Palestina para os Direitos dos Cidadãos auferiu que mais de 600 palestinos foram mortos no conflito durante janeiro de 2006 e maio de 2007. Além disso, dezenas de palestinos foram mortos ou executados nos anos seguintes.

Panorama As tensões entre Hamas e Fatah começaram a crescer em 2005, após a morte do líder palestino Yasser Arafat. Logo após a vitória legislativa do Hamas em 2006, as relações partidárias foram realçadas por lutas faccionais esporádicas. Devido ao mau êxito em conciliar um acordo de compartilhamento do governo, os partidos escalaram-se ao conflito no ano de 2007.Fatah vs. Hamas. Public Broadcasting Service (PBS), 14 de agosto de 2007 A organização Hamas tomou conta do Rafah Border Crossing, único cruzamento entre o Egito e a Faixa de Gaza.

Em agosto de 2007, a Autoridade Nacional Palestina dividiu-se em dois partidos políticos, definindo ambos os partidos como representações fidedignas da Palestina. Originaram-se, portanto, o Fatah e o Hamas.

Eventos precedentes Envolvimento britânico Em documentos publicados pela Palestina, revelou-se que o serviço de inteligência britânico MI6 ajudou, em 2004, na elaboração de um plano de segurança para a Autoridade Palestina liderada pelo Fatah. O plano mencionava o incentivo e capacitação da Autoridade Nacional da Palestina, com o intuito de cumprir integralmente suas obrigações de segurança na primeira fase do mapa de paz. Além disso, o tratado propõe a degradação de capacidades dos rejeitores, nomeando Hamas, Movimento da Jihad Islâmica na Palestina e as brigadas de Al-Aqsa. O jornal The Guardian descreveu o plano de segurança como uma "ampla repressão ao Hamas". O suposto plano foi uma contra-insurgência do Fatah contra o Hamas, sendo estabelecida em 2006 após a vitória de Hamas nas eleições.

Rompimento de Israel com Gaza Em julho de 2004, houve confrontos entre as partes rivais lideradas pelo Hamas e pelas forças de segurança de Gaza. Como resultado das inconfidências, realizaram-se protestos que foram vistos como uma luta de poder antes da saída de Israel da Faixa de Gaza.Arafat denies he is facing crisis. BBC, 24 de julho de 2004 Em 16 de fevereiro de 2005, o Knesset aprovou a sua saída de Gaza, mudando drasticamente as relações entre Israel e Palestina na Faixa de Gaza. O plano de desvinculação de 2003 foi adotado posteriormente pelo governo israelita no ano de 2004. Israel retirou-se de Gaza em setembro de 2005. O controle da fronteira entre Gaza e Egito foi entregue ao Egito. A Autoridade Nacional Palestina de Fatah controlou o cruzamento da fronteira de Rafah. O Acordo de Filadélfia de 2005 entre Israel e Egito transferiu o controle da fronteira para o Egito.A New Reality on the Egypt-Gaza Border (Part I): Contents of the New Israel-Egypt Agreement. Brooke Neuman, Washington Institute for Near East Policy, 19 de setembro de 2005 A partir de fevereiro de 2005, um governo tecnocrata liderado pelo Fatah liderou as Forças de Segurança Nacional da Palestina.

De novembro de 2005 a junho de 2007, o cruzamento de Rafah foi controlado em conjunto com o Egito e a Palestina. A União Europeia, portanto, colaborou com o controle do cruzamento local, além de monitorar as atividades próximas à região de Gaza.

Governo de Hamas e eleições de 2006 As tensões entre Fatah e Hamas foram intensificadas após a vitória de Hamas nas eleições de 2006. A ajuda externa ao governo liderado por Hamas foi suspensa, devido à política compulsória de recusa aos tratados de não-violência, ao não reconhecimento do estado de Israel e à falha em respeitar acordos anteriores.

O governo da Autoridade Nacional Palestina, presidida na época por Mahmoud Abbas, não estava mais sob o controle de Fatah. Quando Abbas e Hamas não conseguiram chegar a um acordo durante a luta pelo poder governamental, Abbas nomeou, em 6 de abril de 2006, o ex-chefe das Forças de Segurança do Abu Shbak, afiliado ao Fatah. Em resposta à atitude política do Fatah, Hamas formou sua própria segurança local.Alone and Broke, Hamas Struggles to Rule. New York Times, 7 de abril de 2006

Em 25 de junho de 2006 grupos militantes realizaram uma incursão transfronteiriça para Israel. A resposta de Israel à moção deixou o Hamas com metade de seu parlamento e ministros de gabinete na Cisjordânia sob custódia israelense.

Apoio dos Estados Unidos, Israel e Arábia Após a denúncia da formação do serviço de segurança própria do Hamas como inconstitucional por Mahmoud Abbas, fontes referenciam que o envolvimento dos Estados Unidos, Israel e Arábia foram consideráveis durante o conflito. A Guarda Presidencial de Mahmoud Abbas foi ampliada e equipada, além de oferecer treinamento aos seus membros pelos Estados Unidos, Egito e Jordânia."U.S. training Fatah in anti-terror tactics", San Francisco Chronicle, 14 de dezembro de 2006"Israel, US, and Egypt back Fatah's fight against Hamas", Christian Science Monitor, 25 de maio de 2007"Israeli defense official: Fatah arms transfer bolsters forces of peace", Haaretz, 28 de dezembro de 2006 Além disso, Anwar Zaboun, membro do Conselho Legislativo da Palestina em função do Hamas, acredita que Mohammad Dahlan teve um grande plano para remover as raízes do Hamas, além de sua resistência em Gaza e na Cisjordânia.Palestinian split: Views from Hamas and Fatah, six years on (see section Anwar Zaboun). BBC, 17 de junho de 2013- ″In terms of the reconciliation, I know there is a veto from the United States of America and the European Union. There is pressure.″

De acordo com o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, o conflito de junho de 2007 foi desencadeado pela convicção do Hamas de que a Guarda Presidencial da Autoridade Nacional Palestina, leal a Mahmoud Abbas, estava sendo posicionada para assumir o controle de Gaza. Os Estados Unidos ajudaram na construção da Guarda Presidencial, fornecendo 3.500 homens desde agosto de 2006. Além disso, o país estadunidense comprometeram cerca de US$ 59 milhões para o treinamento e a aquisição de recursos não letais, persuadindo aliados árabes no financiamento da compra de mais armas. Israel, portanto, permitiu que armas leves fossem entregues aos membros da Guarda Presidencial. Jordânia e Egito hospedaram pelo menos dois batalhões para treinar soldados."Hamas coup in Gaza" . International Institute for Strategic Studies, Volume 13, Issue 5; Junho de 2007

Linha do tempo Março de 2006 a dezembro de 2006: aumento das tensões upright|thumb|Protesto de Hamas em Belém.|300px Após as eleições de 2006, o Hamas anunciou a formação de seu próprio serviço de segurança, a Força Executiva, nomeando o militante Jamal abu Samhadana, para a direção. Por outro lado, Abbas denunciou o movimento como inconstitucionalidade, afirmando que apenas o presidente palestino poderia comandar as forças armadas.

O período de março a dezembro de 2006 foi marcado por tensões, quando os comandantes da Autoridade Nacional Palestina afiliados à Fatah, se recusaram a receber ordens do governo da Autoridade Nacional Palestina pelo Hamas. As tensões aumentaram ainda mais entre as duas facções, depois que o acordo de compartilhar o poder do governo foi insucesso.

Dezembro de 2006–janeiro de 2007: sanções internacionais Face às sanções internacionais, a Autoridade Nacional Palestina liderada pelo Hamas dependia da importação de grandes montantes de dinheiro para financiar suas dívidas.Palestinian PM denied Gaza entry, BBC, 14 de dezembro de 2006 Em 14 de dezembro de 2006, o primeiro-ministro Ismail Haniya, com dezenas de milhões em doações, foi negado a entrar em Israel pela fronteira de Rafah.Hamas accuses Fatah over attack. Al Jazeera, 15 de dezembro de 2006 Irritados, alguns militares do Hamas invadiram o cargo. Depois disso, guardas dispararam contra os militantes do Hamas. Um membro do Hamas tentou fazer com que os militantes se dispersassem. Haniya, no entanto, interrompeu sua viagem devido a tensões crescentes entre o Hamas e a facção rival Fatah, depois que três filhos de um chefe de segurança da Fatah foram mortos dias antes.

No mesmo dia, Ismail foi autorizado a retornar a Gaza sem o dinheiro, mas ao atravessar a fronteira, homens armados atacaram seu carro, matando um de seus guarda-costas. Um dos filhos de Ismail e seu conselheiro político Ahmed Youssef foram feridos.Abbas decides to call early elections. Jerusalem Post, 16 de dezembro de 2006 Na época, Mohammed Dahlan, membro e ex-chefe de segurança da Fatah, foi culpado pela aparente tentativa de assassinato. A ativista pacifista Ellen Rosser acredita que os homens de Dahlan tentaram assassinar Ismail. O conflito teve base na Cisjordânia, depois que as Forças de Segurança Nacional Palestina dispararam em uma manifestação do Hamas em Ramallah. Unidades de segurança leais a Mahmoud Abbas e acompanhadas de equipamentos de conflito, usavam rifles para vencer os manifestantes antes do início do tiroteio. Pelo menos 20 pessoas foram feridas nos confrontos, sucedendo a tentativa de assassinato de Ismail.Abbas calls for early Palestinian poll. Reuters, 16 de dezembro de 2006

Em 16 de dezembro Abbas requisitou novas eleições parlamentares e presidenciais, mas seu assessor Saeb Erekat disse que as eleições não poderiam se realizadas antes de meados do ano seguinte por razões legais e técnicas. Devido à ideia de novas eleições, um legislador sênior do Hamas chamou a atitude de "um verdadeiro golpe contra o governo democraticamente eleito". Hamas, no entanto, desafiou a legalidade de realizar uma eleição antecipada, mantendo o direito de manter o mandato integral de seus cargos eleitos. Caracterizou-se, portanto, como uma tentativa de golpe do Fatah por Abbas, utilizando de meios antidemocráticos para derrubar resultados de eleições anteriores. Os líderes da Fatah pedram a demissão do governo lderado por Hamas e o estabelecimento de um gabinete de urgência. Um funcionário da Fatah disse que Abbas ameaçava convocar eleições antecipadas nos últimos cinco meses e que mais ameaças não funcionariam. O anúncio das eleições provocou descontentamento e batalha de armas entre os partidários de Hamas e Fatah.Palestinian tensions run high after poll call. Reuters, 17 de dezembro de 2006 Abbas negou progressivamente qualquer influência dos membros da Fatah e da Força 17 na tentativa de assassinato de Ismail Haniya, além de criticar o sequestro do soldado Gilad Shalit, sequestrado em 2006.