Anime - às vezes também chamado () - se refere é uma animação desenhada à mão ou por computação gráfica do Japão. Fora do Japão e em inglês, anime refere-se à animação japonesa e refere-se especificamente à animação produzida no Japão. A palavra é a pronúncia abreviada de "animação" em japonês, onde esse termo se refere a qualquer animação, não importa o país. Para os ocidentais, a palavra se refere às animações oriundas do Japão. A origem da palavra é controversa, podendo vir da palavra inglesa animation [animação] ou da palavra francesa animé [animado], versão defendida por pesquisadores como Frederik L SchodtSCHODT, Frederik L. (Reprint edition (August 18, 1997)). Manga! Manga!: The World of Japanese Comics. Tóquio, Japão: Kodansha International. ISBN 0-87011-752-1 e Alfons Moliné.MOLINÉ, Alfons. O grande livro dos mangás. Editora JBC. São Paulo: 2004. p. 47 ISBN 85-87679-17-1
As primeiras animações comerciais japonesas datam de 1917. Um estilo de arte característico surgiu na década de 1960 com as obras do mangaká Osamu Tezuka e se espalhou nas décadas seguintes, desenvolvendo um grande público doméstico. O anime é distribuído nos cinemas, por meio de transmissões de televisão, diretamente para a mídia doméstica e pela Internet. Além das obras originais, os animes são muitas vezes adaptações de mangás (quadrinhos japoneses), light novels ou videogames. É classificado em vários gêneros (comédia, terror, drama, ficção científica, etc.) visando vários públicos amplos e de nicho.
Uma boa parte das animações japonesas possui sua versão em mangá, os quadrinhos japoneses. Os animes japoneses e os mangás se destacam principalmente por seus olhos geralmente muito grandes, muito bem definidos, redondos ou rasgados, cheios de brilho e muitas vezes com cores chamativas, para que, desta forma, possam conferir mais emoção aos seus personagens. Animes podem ter o formato de séries para a televisão, filmes ou home video (OVAs e OADs) ou via internet (ONAs).
O anime é um meio diversificado com métodos de produção distintos que se adaptaram em resposta às tecnologias emergentes. Combina arte gráfica, caracterização, cinematografia e outras formas de técnicas imaginativas e individualistas. Em comparação com a animação ocidental, a produção de anime geralmente se concentra menos no movimento e mais nos detalhes das configurações e no uso de "efeitos de câmera", como panorâmica, zoom e ângulos. Diversos estilos de arte são usados, e as proporções e características dos personagens podem ser bastante variadas, com uma característica comum sendo olhos grandes e emotivos.
A indústria de anime consiste em mais de 430 estúdios de produção, incluindo grandes nomes como o Studio Ghibli, Gainax e Toei Animation. Os animes atingem a maioria das vendas de DVD e têm sido um sucesso internacional após a ascensão de dublagens em exibições televisionadas. Este aumento da popularidade internacional resultou em produções não-japonesas usando o estilo de arte do anime, mas essas obras têm sido definidas como animação influenciada por animes, tanto por fãs quanto pela indústria.
Definição e uso Anime é uma forma de arte, especificamente animação, que inclui todos os gêneros encontrados no cinema, mas ele pode ser erroneamente classificado como um gênero.Poitras, Gilles (2000). Anime Essentials: Every Thing a Fan Needs to Know. Stone Bridge Press. 7–115 p. ISBN 978-1-880656-53-2 No Japão, o termo refere-se a todas as formas de animação do mundo inteiro. Os dicionários de língua inglesa definem anime como um "estilo de animação japonesa" ou como "um estilo de animação criado no Japão".
A etimologia da palavra anime é contestada. O termo em inglês "animation" é escrito em katakana como , (transl. animēshon, pronunciado [animeːɕoɴ]) e ア ニ メ (anime), sua forma abreviada. Algumas fontes afirmam que anime deriva do termo francês para animação, dessin animé, mas outros acreditam que este é um mito derivado da popularidade na França entre os anos 70 e 80. Antes da utilização generalizada de anime, o termo japanimation foi popular nos anos 70 e 80. Em meados dos anos 1980, o termo anime começou a substituir japanimation.Patten, Fred (2004). Watching Anime, Reading Manga: 25 Years of Essays and Reviews. Stone Bridge Press. ISBN 1-880656-92-2. Em 1987, Hayao Miyazaki afirmou que despreza a palavra truncada "Anime" porque, para ele, representava a desolação da indústria de animação japonesa.Miyazaki, Hayao (31 de Julho de 1996). "日本のアニメーションについて" [Thoughts on Japanese Animation]. 出発点 1979~1996 [Starting Point 1979~1996]. San Francisco: Viz Media. pp. 72ff. ISBN 978-1-4215-0594-7. Retrieved December 16, 2013.
Formato O primeiro formato de anime foi para os cinemas em 1917. Em 14 de Julho de 1958, foi ao ar Mole's Adventure na Nippon Television, que foi tanto primeiro televisionado como o primeiro anime colorido."Oldest TV Anime's Color Screenshots Posted". Anime News Network. A série não foi tão popular até 1960, quando as primeiras séries televisivas foram difundidos e mantiveram-se popular desde então. Trabalhos publicados diretamente em vídeo são chamados de "original video animation" (OVA); e, normalmente, não são lançados nos cinemas ou na televisão antes do lançamento no mercado de home video.
O surgimento da internet fez com que alguns animadores começassem a distribuir trabalhos on-line em um formato chamado "anime net original" (ONA).
A distribuição de animes no mercado de home video foram popularizados na década de 1980 com o VHS e formatos de laser disc. O formato de vídeo VHS NTSC usado no Japão e os Estados Unidos é creditado como responsável a crescente popularidade do anime nos anos 1990. O laser disc e VHS substituídos pelo DVD que ofereceu as vantagens únicas; incluindo legenda e dublagem no mesmo disco. O formato de DVD também tem as suas desvantagens na sua utilização da região de codificação, adotada pela indústria para resolver licenciamento, pirataria e exportação. formato Vídeo CD (VCD) era popular em Hong Kong e Taiwan, mas tornou-se apenas um formato menor que estava intimamente associados com cópias piratas.
História thumb|Fotograma de uma animação de 1917, uma dos mais antigos curta-metragens do Japão.|274x274px|alt=Com a ocupação dos Estados Unidos no fim da Segunda Guerra Mundial, muitos artistas japoneses tiveram contato com a cultura ocidental e, influenciados pela cultura pop dos Estados Unidos, desenhistas em início de carreira começaram a conhecer os quadrinhos e desenhos animados na sua forma moderna. Havia negociantes que contrabandeavam rolos de filmes americanos, desenhos da Disney e outros.
Em 1967, surgiram quatro filmes e quatorze séries animadas no Japão, entre elas A Princesa e o Cavaleiro, Fantomas e Speed Racer, o primeiro com grande projeção internacional.
Entre os principais artistas que se envolveram com a tal arte, estavam Osamu Tezuka, Shotaro Ishinomori e Leiji Matsumoto. Estes três jovens, mais tarde, foram consagrados no mercado de mangá. Na década de 1950, influenciados pela mídia que vinha do Ocidente, diversos artistas e estúdios começaram a desenvolver projetos de animação experimental.
Na época em que o mangá reinava como mídia nasceram os primeiros animes de sucesso: Hakujaden (A Lenda da Serpente Branca) estreou em 22 de outubro de 1958, primeira produção lançada em circuito comercial da Toei Animation, divisão de animação da Toei Company e Manga Calendar, o primeiro anime especialmente feito para televisão, veiculado pela emissora TBS com produção do estúdio Otogi em 25 de junho de 1962, que teve duração de dois anos.
Logo em seguida, em 1 de janeiro de 1963, foi lançado Astro Boy, baseado no mangá de Osamu Tezuka, já com a estética de personagens de olhos grandes e cabelos espetados vinda da versão impressa. Astro Boy acabou tornando-se o propulsor da maior indústria de animação do mundo, conquistando também o público dos Estados Unidos. Tezuka era um ídolo no Japão e sua popularidade lhe proporcionou recursos para investir em sua própria produtora, a Mushi Productions. Outras produtoras investiram nesse novo setor e nasceram clássicos do anime como Oitavo Homem (Eight Man), Super Dínamo (Paa Man), mas ainda com precariedade e contando com poucos recursos, diferente das animações americanas.
Animes infantis, infanto-juvenis femininos e sobre robôs gigantes acompanharam o crescimento do número de séries semanais durante a década de 1970. Na época, a Tatsunoko Production, criadora de Speed Racer, lançou um título de sucesso chamado Gatchaman (no Ocidente, Battle of the Planets).
Características miniaturadaimagem|265x265px|Esboço de uma animação O anime japonês difere muito de outras formas de animação por seus diversos estilos de arte, métodos de animação, produção e processo. Visualmente, o anime japonês é uma forma de arte diversificada que contém uma grande variedade de estilos, que se diferenciam dependendo do criador, do artista ou do estúdio, estilo que hoje é muito popular no mundo inteiro e vem conquistando fãs e mais fãs. Embora nenhum estilo de arte predomine no anime como um todo, eles compartilham algumas características semelhantes em termos de técnica de animação e design de personagens.
Técnica de animação O anime segue a produção típica de uma animação tradicional, incluindo storyboard, dublagem, design de personagens e animação (Shirobako, uma série de anime em si, destaca muitos dos aspectos envolvidos na produção de anime). Desde os anos 1990, os animadores usam cada vez mais os softwares de animação 2D por computador para melhorar a eficiência do processo de produção. Artistas como Noburō Ōfuji foram pioneiros nos primeiros animes, que eram experimentais e consistiam em imagens desenhadas em um quadro-negro ou de animação de recortes em stop-motion. A animação por célula cresceu em popularidade até dominar o meio. No século XXI, o uso de outras técnicas de animação se limita principalmente a curtas-metragens independentes, incluindo o trabalho de animação em stop motion produzido por Tadahito Mochinaga, Kihachirō Kawamoto e Tomoyasu Murata. Os computadores foram integrados ao processo de animação na década de 1990, com obras como Ghost in the Shell e Mononoke Hime misturando animação tradicional com imagens geradas por computador. A Fujifilm, uma importante empresa de produção de células, anunciou que interromperia a produção desse material, produzindo um pânico no setor para adquirir importações de célula e acelerando a mudança para o processo digital.
Antes da era digital, o anime era produzido com métodos tradicionais de animação, usando uma abordagem pose por pose. A maioria dos animes convencionais usa menos quadros-chave expressivos e mais animação interpolada.
Os estúdios de animação japoneses foram pioneiros em muitas técnicas de animação limitada e deram ao anime um conjunto distinto de convenções. Ao contrário da animação estadunidense da Disney, onde a ênfase está no movimento, o anime enfatiza a qualidade da arte e permite que técnicas de animação limitada compensem a falta de tempo gasto no movimento. Além disso, os animes costumam usar uma velocidade menor de exibição, como 12, 8, ou 6 frames por segundo, além da repetição de algumas cenas e de movimentos de algumas partes do corpo, como a boca, por exemplo. Tais técnicas são frequentemente usadas não apenas para cumprir prazos, mas também como uma forma artística. As cenas de anime enfatizam a obtenção de vistas tridimensionais, e os cenários são fundamentais para criar a atmosfera do trabalho. Os cenários nem sempre são inventados e, ocasionalmente, são baseados em locais reais, como exemplificado em Howl no Ugoku Shiro.