A facção nacionalista () ou facção rebelde , foi uma grande facção da Guerra Civil Espanhola de 1936 a 1939. Foi composto por uma variedade de grupos políticos que apoiaram o Golpe de Julho de 1936 contra a Segunda República Espanhola, incluindo a Falange, a CEDA e dois pretendentes monarquistas rivais: os afonsistas e os carlistas. Em 1937, todos os grupos foram fundidos na Falange. Um dos principais líderes do golpe de 1936, o general Francisco Franco, lideraria esta facção ao longo da guerra e mais tarde se tornaria o ditador da Espanha de 1939 a 1975.
O termo nacionalistas ou nacionais (nacionales) foi cunhado por Joseph Goebbels após a visita da delegação Espanhola clandestina liderada pelo Capitão Francisco Arranz solicitando material de guerra em 24 de Julho de 1936, para dar um manto de legitimidade à ajuda da Alemanha Nazi aos militares rebeldes espanhóis.Juan Eslava Galán, Una Historia de la Guerra Civil que no va a Gustar a Nadie, Ed. Planeta. 2005. p. 9-12 Os líderes da facção rebelde, que já haviam sido denominados "Cruzados" pelo Bispo de Salamanca Enrique Pla y Deniel — e também usaram o termo Cruzada para a sua campanha — imediatamente tomaram-lhe o gosto.
O termo bando nacional — como o termo rojos (vermelhos) para se referirem aos lealistas — é considerado por alguns autores como um termo ligado à propaganda daquela facção, portanto em círculos acadêmicos o termo 'rebeldes' (bando sublevado) é preferido.Nerín, Gustau. La guerra que vino de África. Editorial Crítica, 2005. , p. 195El Pais — Rebeldes, sublevados o franquistas; no nacionales Ao longo da guerra civil, o termo "nacionalista" foi usado principalmente pelos membros e apoiantes da facção rebelde, enquanto os seus oponentes usavam os termos fascistas (fascistas) ou facciosos (sectários)Ángel Bahamonde & Javier Cervera Gil, Así terminó la Guerra de España, Marcial Pons, Madrid 1999, para se referirem a essa facção.
Beligerantes A rebelião militar encontrou amplas áreas de apoio tanto dentro da Espanha como na esfera internacional. Na Espanha, o lado franquista era apoiado principalmente pela classe alta predominantemente conservadora, profissionais liberais, organizações religiosas e fazendeiros proprietários de terra. Baseava-se principalmente nas áreas rurais, onde movimentos políticos progressistas haviam feito poucas incursões, como grandes áreas da Meseta Norte, incluindo quase toda a Velha Castela, bem como La Rioja, Navarra, Alava, a área perto de Saragoça, em Aragão, a maior parte da Galiza, partes de Cáceres na Extremadura e muitas bolsas dispersos na Andaluzia rural, onde a sociedade local ainda seguia antigos padrões tradicionais e ainda era intocada pelo pensamento "moderno".Navarro García, Clotilde. La educación y el nacional-catolicismo. Univ de Castilla La Mancha, 1993. , pp. 36-37
Grupos políticos Politicamente esta facção reuniu vários partidos e organizações que em alguns casos adotaram ideologias opostas, como os conservadores CEDA e os radicais de Alejandro Lerroux (liberais), assim como falangistas, católicos e movimentos pró-monárquicos como os agraristas e os carlistas (requetés).
thumb|160px|CEDA CEDA (Confederación Española de Grupos Autónomos de Derecha)
A Confederação Espanhola de Grupos Autônomos de Direita, CEDA, era uma organização política católica de direita dedicada ao antimarxismo. A CEDA foi liderado por José María Gil-Robles e Quiñones. O CEDA afirmou que estava a defender a Espanha e a "civilização Cristã" do marxismo, e afirmou que a atmosfera política na Espanha fazia da política uma questão de marxismo versus antimarxismo. Com o advento da ascensão do Partido Nazista ao poder na Alemanha, o CEDA alinhou-se com as manobras de propaganda semelhantes aos nazistas, incluindo a ênfase Nazista na autoridade, na pátria e na hierarquia. Gil-Robles participou em audiência no comício do Partido Nazi em Nuremberga e foi influenciado por ele, a partir de agora se comprometendo a criar uma única frente contra-revolucionária antimarxista na Espanha.Paul Preston. The Spanish Civil War: Reaction, Revolution & Revenge. 3ª edição. W. W. Nova Iorque, Nova Iorque, EUA: Norton & Company, Inc, 2007. 2006 pp. 62. Gil-Robles declarou sua intenção de "dar à Espanha uma verdadeira unidade, um novo espírito, uma política totalitária ..." e prosseguiu dizendo que "a Democracia não é um fim, mas um meio para a conquista do novo estado. Quando a altura chegar, ou o parlamento se submete ou vamos eliminá-lo. "Paul Preston.The Spanish Civil War: reaction, revolution and revenge. 3ª edição. W. W. Nova Iorque, Nova Iorque, EUA: Norton & Company, Inc, 2007. 2006 pp. 64. A CEDA realizou comícios de estilo fascista, chamado Gil-Robles "Jefe", o equivalente a Duce, e afirmou que a CEDA poderia liderar uma "Marcha em Madrid" para tomar o poder pela força.Paul Preston. The Spanish Civil War: reaction, revolution and revenge. 3ª edição. W. W. Nova Iorque, Nova Iorque, EUA: Norton & Company, Inc, 2007. 2006 Pp. 45, 69. A CEDA não conseguiu obter os ganhos eleitorais substanciais de 1931 a 1936 que eram necessários para formar governo, o que resultou na diminuição do apoio da direita que se voltou para o beligerante líder monarquista Alfonsista José Calvo Sotelo.Paul Preston. The Spanish Civil War: reaction, revolution and revenge. 3ª edição. W. W. Nova Iorque, Nova Iorque, EUA: Norton & Company, Inc, 2007. 2006 Pp. 88–89. Posteriormente, a CEDA abandonou a sua moderação e legalismo e começou a fornecer apoio àqueles que estavam comprometidos com a violência contra a república, incluindo a entrega de seus fundos eleitorais ao líder inicial do golpe militar contra a república, General Emilio Mola. Posteriormente, partidários do movimento juvenil da CEDA, Juventudes de Acción Popular (JAP) começaram a desertar em massa para se juntar à Falange, e deixaram de existir como uma organização política em 1937. Foi a facção que melhor se beneficiou dentro da facção nacionalista.
thumb|160px|A Cruz de Borgonha, símbolo máximo do Império Espanhol durante o Século de Ouro que acabou sendo adotado pelo Carlismo Requeté (Carlistas, Comunión Tradicionalista, Legitimistas, Clericales, Ultramontanos, Javieristas)
Os Carlistas, encabeçados pela Comunhão Tradicionalista, eram fervorosos católicos ultra-tradicionalistas que procuraram a instalação do pretendente Francisco Xavier de Bourbon-Parma, como legítimo Rei das Espanhas.Patrick Turnbull. The Spanish Civil War, 1936–39. 6ª edição. Oxford, Inglaterra, RU; Nova Iorque, Nova Iorque, EUA: Osprey Publishing, 2005. pp. 10. Os carlistas eram antirrepublicanos, antidemocráticos e firmemente antissocialistas, de tal maneira que se opunham ideologicamente tanto a Hitler quanto a Mussolini por causa de suas tendências modernas, uma vez que a doutrina carlista luta por uma monarquia tradicional ao molde medieval hispânico. Foram liderados por Manuel Fal Conde e mantiveram sua principal base de apoio em Navarra.Patrick Turnbull. The Spanish Civil War, 1936–39. 6ª edição. Oxford, Inglaterra, RU; Nova Iorque, Nova Iorque, EUA: Osprey Publishing, 2005. pp. 8–9. Juntamente com a Falange, foram os primeiros apoiantes do golpe militar contra a república. Suas fileiras eram compostas exclusivamente por voluntários, sendo que a maioria, cerca de 70-80%, advinham das classes trabalhadoras.
Os carlistas tinham uma longa história de violenta oposição ao liberalismo desde 1833, quando lançaram uma guerra civil de seis anos contra o Estado.Patrick Turnbull. The Spanish Civil War, 1936–39. 6ª edição. Oxford, Inglaterra, RU; Nova Iorque, Nova Iorque, EUA: Osprey Publishing, 2005. pp. 9. Foram os carlistas que impuseram o uso da rojigualda em detrimento da bandeira tricolor republicana e, orientados pelo filo-carlista Cardeal Isidro Gomá, deram força ao termo Cruzada para referenciar-se à guerra civil. Eram fortemente intransigentes a qualquer coligação com outros movimentos, até mesmo acreditando que nenhum não-carlista poderia ter intenções honestas.
Antes da guerra, a Comunhão Tradicionalista secretamente organizou diversas milícias de combate (ao contrário da Falange, que se limitava a atuar politicamente e a praticar atentados urbanos contra a esquerda), fornecendo instruções de tiro, escotismo e ordem unida a seus filiados. Ao contrário dos camisas-negras da Itália ou dos camisas-pardas da Alemanha, porém, os carlistas não faziam marchas e nem impunham um modo de vida militar moderno (incluindo uniformes) à maioria de seus integrantes. Com ajuda do também carlista General José Enrique Varela, as milícias carlistas se tornaram a força-motora das tropas do General Emilio Mola e garantiram permanentemente a vitória da fação nacionalista no norte da Espanha. Sem os carlistas, que garantiram seu apoio ao levante através do antecessor de Franco como Caudilho de Espanha, o filo-carlista José Sanjurjo, a guerra civil teria tido um rumo totalmente diferente.
Durante a guerra, o requeté, como era conhecida historicamente a tropa carlista, atingiu o pico de 60 000 soldados, mas, no final das hostilidades, sua força total foi reduzida para tanto por questões políticas movidas por Franco (foram impedidos de recrutar mais voluntários) quanto por um decréscimo de reservas militares. Entre os voluntários estrangeiros para o movimento se destaca um número expressivo de russos brancos na unidade do Tercio de María Molina, pois estes, sendo majoritariamente leais ao último Zár da Rússia, a quem consideravam mártir, se identificavam muito mais com o trilema carlista Dios, Pátria, Rey ("Deus, Pátria, Rei") e com a causa religiosa do requeté que com a pretensa democracia cristã da CEDA, o afonsismo historicamente liberal ou a revolução sindical da Falange.
Um fato intrigante da força militar carlista, apesar de "profissional", é que também tinha peculiaridades que remetiam ao medievo e que já haviam sido observadas nas três rebeliões carlistas anteriores. Se por acaso a festa de determinado santo coincidisse com a estagnação das hostilidades no fronte, por exemplo, diversos soldados carlistas (especialmente os bascos) simplesmente abandonavam seus postos e, sem ao menos informar seus comandantes, retornavam para suas vilas a fim de visitarem suas famílias. Estes mesmos soldados, ao contrário de desertarem, reapareciam para o serviço dias depois, geralmente com mais mantimentos pessoais e acompanhados de seus irmãos, primos e/ou filhos mais novos.
Os carlistas também possuíam certa animosidade com a Falange Espanhola. De maneira geral, os carlistas enxergavam os falangistas (especialmente os da velha guarda) como revolucionários vermelhos que, frustrados com os rumos da esquerda, acabaram abraçando o nacionalismo moderno e por isso militavam por um suposto estado sindical. A Falange, por outro lado, via o carlismo como um monarquismo risível. Os carlistas, durante suas comemorações no pós-guerra, já após o decreto de unificação, costumavam gritar como provocação aos falangistas: "¡Viva el Rey!" ("viva o rei!") e "¡Muera el socialismo de estado!" ("morra o socialismo de estado!"). O ápice do confronto ocorreu em 1942, em frente à Igreja de Nossa Senhora de Bergonha, num atentado em que uma dupla falangista lançou duas granadas contra uma aglomeração de carlistas que acabavam de sair da missa dominical.