thumb|right|330px|Ovelhas na Patagônia, Argentina thumb|right|330px|Carneiros pastando Ovinocultura ou ovinicultura é parte da Zootecnia que trata do estudo e da criação de ovelhas, de ovinos. Uma das primeiras explorações animais feitas pelo homem, há mais de 4000 anos, na Ásia Central.

O objetivo da ovinocultura é a produção de alimentos de origem ovina, na forma de carne e leite, e de outros produtos, tais como a lã extraída destes animais.

Contexto histórico da ovinocultura Desde o inicio da década de 90 tem-se verificando um aumento significativo no efetivo do rebanho ovino nacional, com características muito peculiares a cada região política, mas também fortemente atrelado às exigências do mercado consumidor. Assim é que, nos anos 80, e seguindo a migração de comunidades gaúchas para o Centro-Oeste e também para a região Norte, verificou-se considerável introdução de pequenos núcleos de exploração de ovinos, em sua maioria para consumo próprio. Somente para pontuar, esse fato aparentemente com pouco significado parece ter sido o pioneiro da introdução dos ovinos naquelas paragens. 

Coincidência ou não, com a adoção de planos econômicos que retiraram liquidez de inúmeras aplicações financeiras, ou mesmo atividades agropecuárias e industriais, registrou-se, nesse período, um fenômeno de crescimento da ovinocultura no país, indistintamente da região. 

Tal fato culminou com o crescimento da atividade, até certo ponto desordenado, pois muitos criadores iniciantes, assim como muitos técnicos, não se deram conta do tamanho agronegócio que se avizinhava. Com um mercado altamente comprador, seja para carne, para pele, e em menor escala para a lã, surgem como conseqüência os “rebanhos elite”, os importadores de produtos ovinos e os comerciantes de toda ordem. Ávidos por tirar proveito da nova tendência de mercado, muitos não mediram esforços para largarem à frente de seus “competidores”. Com isso, presenciou-se um bom volume de carne ovina importada , pele e peças de vestuário importadas, e toda ordem de produtos e manias. 

Para evitar que a ovinocultura se transforme em um negócio do “carneiro louco“, é fundamental que sejam observados alguns aspectos presentes no cotidiano de uma propriedade rural que tem, na ovinocultura, exploração principal ou complementar. A presença de empresários de outros setores como iniciantes na atividade pode ser de grande valia, dando à ovinocultura um estimulo no que diz respeito à tecnificação das propriedades, um gerenciamento mais galgado nos padrões de grupos empresariais, sem alguns vícios dos criadores tradicionais. 

Produção da carne ovina Segundo Couto (2001), o mercado de carne ovina é altamente comprador, fato que deve ser entendido sob o ponto de vista da oferta e procura, não deixando, no entanto, perder-se no horizonte a questão da qualidade do produto, juntamente com oferta perene e características diferenciadas. Essas características, segundo Dantas (2001), podem ser determinadas pela oferta de cortes de carne por preços mais acessíveis ou pela elaboração de novos e exclusivos produtos. O autor assinala, ainda, que o consumidor atual de carne ovina possui alta renda e busca consumir um produto alternativo e diferenciado pelo sabor da qualidade, seja para consumo no lar ou em restaurantes, hotéis e similares.

Muito embora acha um mercado comprador, o que se verifica na verdade são abatedouros e frigoríficos trabalhando com margens mínimas de ocupação de seus parques instalados (Banco do Nordeste, 1999 e Ministério.. 2001). Segundo a literatura pertinente, tal aspecto decorre das implicações regionais do mercado, embora o que realmente se observa na pratica é que expressiva fatia do mercado produtor de carne ovina encontra-se na clandestinidade. Porque os produtos vão para a clandestinidade, em que seu produto passa a ser considerado ilícito, marginal, quase que proibido em algumas mesas de consumidores? As respostas podem se dever a vários fatores, discutidos no decorrer do texto.

Boa parte dos abatedouros e frigoríficos pagam pelo peso vivo, usando, via de regra, uma margem de desconto (quebra) de 50%, pouco se importando com a qualidade do produto recebido e, ao que tudo indica, com o material que ofertara aos consumidores. Isso pode estar afastando aqueles produtores mais tecnificados; que não vêm seus animais receberem o conhecimento devido no quesito preço.

No entanto, ovinocultores que desejarem manter um programa de confinamento em parte de seus rebanhos, com a finalidade de fornecer ao mercado um produto diferenciado, podem optar por essa modalidade de criação. Segundo Macedo et al, (2000), os custos de produção para cordeiros confinados foram de R$ 2.30 coast cross. Avaliando o retorno econômico, os autores mencionaram que os animais confinados superam os terminados a pasto (R$1.579,63 vs R$1.304,50). É importante registrar algumas respostas comparativas entre os dois sistemas estudados pelos pesquisadores: o ganho de peso em gramas por dia foi de 144 vs 106; a idade ao abate foi de 219 vs 258 dias (peso ao abate = 30 kg de PV); o rendimento de carcaça foi de 42,59 vs 38,27% e a mortalidade atingiu 2 e 8% para os cordeiros confinados e a pasto, respectivamente. 

Custos de produção de cordeiros confinados ou terminados a pasto  ConfinadosA PastoGanho de peso em gramas por dia144 g/dia106 g/diaIdade ao abate (peso ao abate = 30Kg de PV)219 dias258 diasRendimento de carcaça42,59%38,27%Mortalidade de cordeiros2%8%Retorno EconômicoR$1.579,63R$1.304,50

Simplicio (2001) ressaltaram as vantagens do confinamento sobre o sistema de reprodução a pastos no que se refere a algumas características produtivas e reprodutivas de ovinos deslanados criados no nordeste brasileiro. Isso não significa, em definitivo, que deva ser essa a estratégia adotada pelos produtores, mas aponta que pode ser mais uma técnica de manejo capaz de produzir animais de qualidade diferenciada e rentabilidade próprias, restando aos produtores e técnicos que lhes assessoram optar pela melhor forma de dar acabamento em seus cordeiros.

Por outro lado, os frigoríficos que buscam inovações tecnológicas, muitas vezes por imposições de mercado, e exigem melhor qualidade e padronização nos produtos que compram (carcaças uniformes quanto a tamanho, acabamento, peso, etc.); tem seus fornecedores transformados em desafetos; os fornecedores entendem que esta é mais uma manobra industria para aumentar suas margens de lucro.

Parcelas significativas de produtores também não encontra vantagens nos preços praticados pelo segmento industrial da cadeia da carne ovina; por isso, entrega seus produtos à rede clandestina de abate e comercialização.

Os produtos oferecidos pela industria da carne ovina em quase nada se diferenciam daqueles que os produtores são capazes de preparar, executando-se, obviamente, a qualidade sanitária ao final do processo. Na ótica de alguns produtores, essa é a oportunidade para sair da “dependência” dos frigoríficos e comerciantes que passam a abater, processar e comercializar a carne.

Que fazer para evitar os abates clandestinos? Apesar de tratar de um problema muito complexo, a solução é extremamente simples. Basta que os produtores de carne ovina tenham a consciência de que são, efetivamente, os responsáveis pela qualidade final do produto, e agindo assim estarão agregando valor ao que produzem, restando então negociar essa qualidade com os frigoríficos.

Outro aspecto muito significativo é o distanciamento aparente entre esses segmentos da cadeia (produtor e agente de transformação), fato inaceitável na realidade de um mercado franco e aberto como o atual. Conversas entre produtores (grupos, associações, cooperativas, condomínios ou consórcios) e frigoríficos não prejudicam nenhum dos interlocutores.

Considerações gerais sobre a produção da carne ovina No País, entre as carnes de ovinos, a carne de cordeiro é a mais apreciada pelo consumidor, porém sua oferta é sazonal e incipiente. Além disso, historicamente, sua disponibilidade dependia essencialmente da remuneração da lã, uma vez que grande parte do rebanho nacional era de raças produtoras de lã ou mistas. Esse quadro muda realmente ao se considerar que a ovinocultura praticada do sudeste para cima, onde os ovinos deslanados formam a base de exploração, mas nem assim deixa de apresentar oscilações na oferta dos cordeiros, seja em função da oferta sazonal das pastagens, seja por falta de programação nos criatórios.

Animais para abate De modo geral, pode-se dividi-los nas seguintes classes:

CORDEIRO: Animais de 3 a 6 meses de idade. São os preferidos pelos gourmets ,por terem ossos finos, peso vivo entre 20 e 25 Kg e rendimento de carcaça entre 40 e 50%. Sua carne é rosada lisa, apresentando-se bem enxuta, e sua gordura é branca. Pode-se considerar sub-classe o cordeiro mamão (abatido ao desmame). Os cordeiros representam a principal classe ou categoria dos animais abatidos devido as qualidades acima, mas também por serem mais estudados, terem melhor aceitação popular, melhores carcaças e apresentarem o melhor custo-beneficio.

BORREGO: Animais com 1 a 1,5 anos. Tem ossatura mais desenvolvida, o que contribui para seu rendimento caia para 38 a 43%. Seu peso vivo está entre 30 e 50 Kg. Sua carne é mais vermelha que a anterior e co aproximadamente 35% de gordura na carcaça. Sua aceitação pelo consumidor ainda é boa devida, em grande, parte ao maior peso final ao abate em relação aos cordeiros (transporte, comercialização, etc).

CAPÃO: Por serem machos adultos, apresentam-se com maiores pesos (45 a 50 Kg PV) e o rendimento médio é de 41%. Carne vermelha intensa e com maior teor de gordura de cobertura, chegando a ser excessiva. Talvez, sua vantagem sobre os borregos seja seu rendimento de carcaça, que pode ultrapassar 44%, embora devido, em boa parte, à maior deposição de gordura, fato que limita a aceitação pelo consumidor. 

OVELHA: Geralmente animais com idade avançada. É uma carcaça maior, com ossos mais pesados, excessiva cobertura de gordura, musculatura rígida e com baixa palatabilidade. Carne de coloração vermelho bem escura. Seu rendimento de carcaça é de 40%. Por tudo isto, é mais consumida na propriedade ou por consumidores menos exigentes.

CARNEIRO: São todos os machos que não servem mais à reprodução. Tem baixo valor comercial musculatura bem escura, ossos mais pesados e excessiva cobertura de gordura. Esta ultima confere-lhe um sabor peculiar, provocando a necessidade da comercialização beneficiada (charques, guisados, carneiro no buraco, embutidos, defumados ou lingüiças).

Fica claro que uma mesma propriedade terá todas as categorias mencionadas; explorar uma delas como “carro chefe” parece ser uma das saídas que se tem encontrado ( Ex.: cordeiros-mamão ou precoce, borregos ou borregões; ou ainda capões).

Ovelhas e carneiros serão tipos de animais de descarte e necessariamente deverão sofrer processos de transformação industrial para chegarem à mesa dos consumidores.

Salvos raras exceções, o mercado tem pagado pelo peso vivo, fato que pode não estimular a produção de produtos diferenciados. Porem, surge a possibilidade de formar os contratos de parcela com os frigoríficos, objetivando melhorar a qualidade do produto de acordo como a preferência do consumidor. Nesse sentido, o produtor tem que mostrar aos empresários do setor cárneo a importância de trabalhar com produtos diferenciados (cordeiro, borregos, processados em geral vindos dos animais descartados). Evitar a comercialização de animais adultos para fornecimento de corte pode ser uma atitude louvável, visto que tais animais possuem composição de carne que não agrada à maioria dos paladares.