O tiopês é um socioleto nascido na década de 2000 nas comunidades de internet brasileiras que foi grandemente utilizado pelos adolescentes no meio online. É caracterizado pelo excesso de erros ortográficos, ausência de sinais de pontuação e erros de digitação propositais. Socioletos deste tipo não são exclusividade da língua portuguesa, havendo versões semelhantes no inglês, russo, filipino e outros idiomas.

Origens A etimologia do tiopês remete a "tiop", que é como a palavra "tipo" era comumente escrita neste socioleto. Acredita-se que o tiopês tenha surgido a partir de dois outros socioletos, o mistês e o alechat. O mistês foi criado em 2001 por blogueiros brasileiros que costumavam promover salas de bate-papo global (mIRC), onde o grande volume de mensagens escritas freneticamente produzia grande quantidade de erros ortográficos, que acabaram por virar moda nestes ambientes. Já o alechat nasceu numa comunidade de Orkut depois que o usuário Ale Crescini se popularizou pela grande quantidade de erros de digitação e de escrita. Outra linguagem que deve ter influenciado sua ascensão era a utilizada nas tirinhas Cersibon, que usavam uma variação do socioleto garble. Popularização Rapidamente, o novo estilo de se comunicar na internet popularizou e, com isso, algumas pessoas passaram a se apropriar do socioleto e exagerá-lo, escrevendo textos praticamente incompreensíveis, o que desagradou alguns de seus "adeptos". Misto Eleazar, blogueiro popular que deu o nome ao mistês e que foi um dos fundadores do tiopês, tachou esta variação exacerbada como "lixo nuclear".

Características Uma frase em tiopês surge de pesadas transformações da norma culta da língua portuguesa. São transformações comuns:

Omissão de acentos e hifens. Trocar de lugar a última e a penúltima letra de alguma palavra: "fermento" vira "fermenot"; Substituir letras ou duplas de letras por outras que representam ou podem representar o mesmo fonema: "você" vira "vose", ou "jeito" vira "geito"; Substituir letras por outras que representam fonemas distintos: "amigo" é frequentemente escrito como "amico"; Reescrever palavras para que se pareçam com sua pronúncia, embora quase totalmente distintas da grafia padrão: "completam" vira "completao", "meu Deus" vira "meldels", "tchau" vira "tshal"; Suprimir vogais quando são precedidas por consoante que, soletrada, termina com a mesma vogal que a sucede na palavra: "parente" vira "parent", "capacete" vira "kpacete"; Omitir letras que não alteram a pronúncia da palavra: "quero" vira "qero", "alguém" vira "algem"; Substituir letras por algarismos, quando a pronúncia do número pode ser encaixada na palavra: "vocês" vira 6, "cacete" vira "k7".

Categoria:Sociolinguística Categoria:Língua portuguesa