O Festival Folclórico de Parintins é uma festa popular brasileira criada em 1965 no município de Parintins, interior do estado do Amazonas, sendo o maior festival folclórico a céu aberto do mundo. O festival é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O atual campeão é o Boi-Bumbá Caprichoso, vencendo a edição de 2026.

Ao longo de sua história, o Festival Folclórico de Parintins teve 59 edições. As apresentações, que começam na última sexta-feira do mês de junho e vão até o domingo, simbolizam uma disputa a céu aberto entre duas agremiações folclóricas, a do Boi Caprichoso (azul) e a do Boi Garantido (vermelho), que acontece no Centro Cultural de Parintins — mais conhecido como Bumbódromo, com capacidade para 35 mil espectadores. O Festival Folclórico de Parintins é transmitido pela TV A Crítica, emissora pertencente à Rede Calderaro de Comunicação.

São milhares de turistas do Brasil e do mundo que acompanham as toadas dos bois Caprichoso e Garantido. Segundo a Amazonastur, cerca de 120 mil turistas visitam a cidade durante o festival, isso significa mais do que dobro da população de Parintins, que é de 96 mil habitantes.

O Festival Folclórico foi responsável pela divulgação de algumas músicas que ficaram famosas, como os hits Tic, Tic Tac (1993), Saga de Um Canoeiro (1994), Vermelho (1996), Lamento da Raça (1996), Pesadelo dos Navegantes (1996), Ritmo Quente (1997), Parintins Para o Mundo Ver (1997), Bicho-Homem (1998), entre outras.

História Primórdios A história dos bois de Parintins remete ao início do século XX, ainda que estes na época fossem grupos muito menores e menos estruturados, além de não possuírem qualquer registro formal. Antes da existência do festival, os bois Garantido e Caprichoso já alimentavam certa rivalidade entre si. No entanto, já existiam outros bois, precedentes ou contemporâneos a esses dois, tais como Diamantino, Ramalhete, Fita Verde, Corre-Campo, Mina de Ouro, Galante e Campineiro.

Em 1965 aconteceu o primeiro Festival Folclórico de Parintins, criado por um grupo de jovens ligados à Juventude Alegre Católica (JAC), entre os quais Xisto Pereira, Jansen Rodrigues Godinho, Lucinor Barros e Raimundo Muniz, então presidente da entidade, além do padre Augusto Gianola. O objetivo inicial era arrecadar recursos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. No primeiro ano, vinte e duas quadrilhas participaram da programação, sem a presença dos bois Caprichoso e Garantido.

Oficialização do festival Como presidente da JAC, Raimundo Muniz desempenhou papel central na organização do festival em seus primeiros anos. Coube a ele articular a participação das manifestações folclóricas locais, coordenar a realização do evento e incentivar a inclusão dos bois-bumbás na programação. Segundo depoimentos de contemporâneos e registros históricos, Muniz também atuou na mediação entre os grupos rivais, contribuindo para que a tradicional rivalidade entre Caprichoso e Garantido fosse transferida das ruas para uma disputa organizada, sob regras e julgamento, estabelecendo as bases do modelo competitivo que caracterizaria o Festival Folclórico de Parintins nas décadas seguintes.

Em 1966, os bois-bumbás foram convidados a integrar oficialmente o festival, marcando a primeira participação conjunta de Caprichoso e Garantido. A presença das duas agremiações consolidou o evento como principal manifestação folclórica do município e inaugurou uma nova fase da rivalidade entre os bois. No ano seguinte, em 1967, o campeão passou a ser definido pela aclamação do público presente, modelo posteriormente substituído pelo julgamento de uma comissão de jurados. No ano de 1975, a organização do Festival foi assumida pela Prefeitura de Parintins, mudando o local para o Centro Comunitário Esportivo.

Com os títulos de 1976, 1977, 1978 e 1979, o Caprichoso conquista quatro festivais consecutivos e se torna o primeiro tetracampeão da história do Festival Folclórico de Parintins.

Com o tempo, o festival ganhou relevância nacional, passando a ser objeto de atenção da mídia e considerado atração turística de Parintins. Após a transmissão em rede de televisão nacional, profissionais que trabalhavam na festa passaram a ser contratados a partir da década de 2000 para trabalhar nos carnavais de Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo.

Em 1983, o Caprichoso, em protesto por ter demorado a receber as verbas públicas (que o boi Garantido havia recebido da Prefeitura com bastante antecedência), decidiu não disputar o festival, alegando que a disputa seria injusta, dado o tempo restado para confecção de um boi que pudesse competir à altura. A prefeitura, para tentar manter a disputa, convidou o Boi Campineiro.

Com a vitória sobre o Campineiro em 1983, o Boi Garantido garantiu o seu pentacampeonato consecutivo (1980, 1981, 1982, 1983 e 1984)

Desde 1994, além de instrumentos de percussão e violões, o teclado eletrônico foi incorporado aos grupos musicais fixos. Primeiro, no Boi-Bumbá Caprichoso, trazendo a modernidade em que o festival entrou, em sua 29ª edição. Sua consolidação ocorreu no ano seguinte, na 30ª edição, realizada em 1995, com a chegada do referido instrumento, no Boi-Bumbá Garantido.

Até 2005, o evento era realizado sempre nos dias 28, 29 e 30 de junho. Uma lei municipal mudou a data para o último fim de semana de junho.

Em 2020, pela primeira vez na história, o Governo do Estado do Amazonas adiou a realização do 55º Festival Folclórico de Parintins para junho de 2021, em função da Pandemia de COVID-19 no Brasil. A medida foi anunciada pelo governador Wilson Lima, em 11 de setembro de 2020, durante reunião com os poderes e representantes de classe. Logo depois, em razão da Pandemia de Covid-19, é anunciado o cancelamento do 55º Festival Folclórico de Parintins, sendo substituído por uma live especial realizada no dia 26 de junho. O evento não contou com a presença de público, que puderam acompanhar pelas plataformas digitais ou na TV aberta, pela emissora oficial do festival.

Em 2022 o festival volta a ser realizado pelos moldes tradicionais e com a presença de público após dois anos sem poder ser realizado por conta da Pandemia de COVID-19. A volta só foi possível por conta do avanço da campanha de vacinação contra a COVID-19 no Brasil, culminando também com a queda no número de casos e óbitos.

Locais de Apresentação Os locais que sediaram oficialmente o Festival Folclórico de Parintins ao longo de sua história são os seguintes:

AnoLocal de Disputa1966 - 1975 Quadra da JAC (Juventude Alegre Católica)1976 - 1979 Quadra da CCE - Parque das Castanholeiras1980 - 1982Estádio Tupy Cantanhede1983 - 1987Tabladão do Povo1988 - presente Bumbódromo

Patrimônio Cultural do Brasil

Em 8 de novembro de 2018, o Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil na reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que aconteceu em Belém do Pará.

Os modos de brincar o Boi são diferentes dependendo da região do país. Em cada contexto há variações e denominações próprias, além de ocorrer em distintas épocas do ano. Seja qual for a vertente, o folguedo se estabeleceu de forma marcante na região amazônica e, a cada apresentação, faz o coração dos brincantes e de quem assiste pulsar mais forte. Nessa região, ele ocorre com mais frequência durante os festejos juninos dos santos católicos: Santo Antônio, São João e São Pedro.

Transmissão A primeira edição do Festival Folclórico a ser transmitido ao vivo foi em 1994, pela TV Amazonas, afiliada da Rede Globo. Este contrato vigorou até 1999. No ano seguinte, a transmissão passou a TV A Crítica, então afiliada ao SBT. À época, foi firmado um contrato de três anos entre os bois e a emissora, por um valor de R$ 1,2 milhão. Em 2001, o vínculo foi estendido até 2007. Neste período a transmissão ocorria na íntegra para toda a região norte e com flashes ao vivo dentro da programação nacional do SBT.

Entre os anos de 2008 e 2012, a Rede Bandeirantes transmitiu para todo o Brasil os três dias do evento em alta definição dentro da sua grade nacional de programação. Porém a transmissão da emissora sempre foi alvo de muitas críticas, em virtude do excesso de intervalos comerciais, pouco conhecimento dos apresentadores com relação a dinâmica da festa, e principalmente a ausência de um maior destaque para as torcidas dos dois bois. Em 2008, em vídeo gravado durante a transmissão do Festival de Parintins, Patrícia Maldonado criticou o apresentador do festival, dizendo que "não é mais chato por falta de espaço", juntamente com José Luiz Datena. Os dois abusaram de ironia e linguagem explícita. Datena ainda fez um comentário xenófobo, ao dizer "Vamos fazer o movimento da 'parintinada'. Amazonas independente do Brasil em nível nacional". A Band e os apresentadores afirmaram, em nota, que as frases foram tiradas de contexto e que eram comentários em off, não interferindo na transmissão veiculada em rede nacional. Patrícia, durante a transmissão, ainda afirmou que "as moças que encenavam as sinhazinhas do boi precisavam pintar os cabelos de louro, pois todos aqui são descendentes indígenas".

Em 2012, o formato de transmissão foi modificado, para permitir que o programa Pânico na Band pudesse ser exibido na grade nacional da emissora. Com isso, o primeiro e o último dia de apresentações foram exibidos com atraso de 2 horas para todo o Brasil (com exceção da Região Norte). Para compensar, a Rede Bandeirantes fez a transmissão na íntegra e ao vivo pela Band Internacional para mais de 130 países do mundo e também pela internet pelo portal da emissora.

Em 2013, os dois bois assinaram um pré-contrato com a Rede Amazônica, onde estava prevista a divulgação do Festival Folclórico de Parintins pela Rede Globo e a transmissão pelo Amazon Sat. Por sua vez, apenas o Boi Garantido assinou um pré-contrato com a Rede Calderaro de Comunicação, através da TV A Crítica alguns dias depois, este por sua vez prevê a ampla divulgação do Festival na programação da Rede Record, RedeTV!, Rádio Jovem Pan Manaus e outros veículos de mídia e a transmissão pela TV A Crítica para a toda a região norte em alta definição. No dia 7 de fevereiro, o Boi Caprichoso oficializou o contrato de transmissão com a Rede Amazônica por 5 anos, em consequência, seus produtos seriam distribuídos nacionalmente pela Som Livre. Por sua vez, o Boi Garantido, decidiu romper as negociações com a mesma emissora de televisão. Em 15 de fevereiro de 2013, o Boi Garantido assinou contrato com a TV A Crítica, que transmitiu as apresentações oficiais do Garantido, bem como iria fazer a divulgação e produção do DVD e do CD e inserção de itens do Garantido na programação da Rede Record. Com isso em 2013, houve 2 emissoras transmitindo o mesmo festival: TV Amazonas transmitindo as apresentações do Caprichoso e TV A Crítica transmitindo as apresentações do Garantido.

Em 2014, o Festival de Parintins passou a ser transmitido integralmente pela TV A Crítica. De acordo com o presidente do bumbá Caprichoso, Joilto Azedo, o documento prevê a exibição do festival por quatro anos. Em comemoração, os bois Caprichoso e Garantido se apresentaram com os itens oficiais para o público do RCC Experience, no Tropical Hotel, onde ocorreu a assinatura do contrato com o boi Caprichoso.