Carrocentrismo ou carrocracia é um conceito urbanístico que descreve a prevalência e a prioridade atribuídas ao automóvel privado como o principal meio de transporte em uma sociedade.

História miniaturadaimagem|Feira do automóvel no antigo palácio de Cristal, no início da década de 1930 (Alvão)|alt=A imagem em preto e branco mostra o interior de um grande salão de exposições, o antigo Palácio de Cristal no Porto, durante uma feira de automóveis na década de 1930. O teto é uma enorme abóbada de vidro e metal, que preenche a parte superior da foto, e grandes e ornamentados lustres pendem dele. No centro e em primeiro plano, vários carros de época estão em exibição. Um carro da marca "Plymouth" está em destaque à esquerda, com a lateral virada para o espectador. Mais ao centro, um carro da "Chrysler" está sobre um tapete, com um pequeno letreiro da marca à sua frente. Ao fundo, outros automóveis e estandes são visíveis, incluindo um com um grande letreiro que diz "CHRYSLER PRODUCTS". A arquitetura do local é grandiosa, com mezaninos e arcos ao fundo. A iluminação geral é clara e difusa, criando uma atmosfera de evento importante. A fotografia captura a opulência e a novidade da indústria automobilística da época. A origem do carrocentrismo está relacionada ao crescimento da indústria automobilística no século XX, particularmente após a Segunda Guerra Mundial, quando muitos países começaram a planejar suas cidades e infraestruturas em torno do automóvel. Esse modelo foi especialmente proeminente nos Estados Unidos, onde políticas como a construção de rodovias interestaduais e a urbanização dispersa ("urban sprawl") reforçaram a dependência do carro. miniaturadaimagem|O High Five Interchange em Dallas, Texas|alt=A imagem é uma foto aérea de um trevo rodoviário imenso e complexo, o "High Five Interchange" em Dallas, Texas. A vista de cima mostra um emaranhado de viadutos e pistas de concreto que se cruzam e se sobrepõem em múltiplos níveis, chegando a cinco andares de altura em alguns pontos. As estradas fazem curvas longas e amplas, conectando diferentes direções. Pequenos carros e caminhões são visíveis em todas as pistas, dando uma noção da escala monumental da estrutura. Ao fundo, no topo da imagem, erguem-se dois grandes edifícios de escritórios, altos e de cor escura. Nas margens do complexo rodoviário, há trechos de vegetação verde com árvores. A imagem captura a complexidade e a grandiosidade da engenharia de tráfego moderna. Esse fenômeno é caracterizado pela organização do espaço urbano, políticas públicas, infraestrutura viária e comportamento social que favorecem o uso do carro em detrimento de outros modos de transporte, como o transporte público, bicicletas e caminhadas. O termo é frequentemente usado de maneira crítica para descrever práticas que resultam em uma série de problemas urbanos, incluindo congestionamentos, poluição ambiental, acidentes de trânsito, exclusão social e a ocupação excessiva de espaços urbanos por estacionamentos e vias de circulação de veículos.

Carrocentrismo no Brasil A indústria automobilística ganhou força a partir do século XX no Brasil, quando começou a se estabelecer no país e se consolidou ao longo do tempo, promovendo a naturalização dos carros como parte da paisagem urbana e territorial. Henry Ford, ao abrir sua empresa no Brasil em 1919, acreditava que o automóvel poderia transformar o país em uma grande nação, associando governar à construção de estradas.

Críticas Críticos do carrocentrismo argumentam que ele contribui para uma série de impactos negativos, como a degradação ambiental, devido às emissões de gases de efeito estufa e à contaminação do solo e da água por resíduos de veículos. Além disso, destacam que essa dependência do carro pode levar à exclusão social, uma vez que grupos que não têm acesso a veículos privados, como idosos, pessoas de baixa renda e pessoas com deficiências, encontram dificuldades em acessar oportunidades de emprego, serviços e atividades sociais. Em resposta a esses problemas, movimentos e políticas urbanas vêm promovendo o conceito de "mobilidade sustentável", que inclui o incentivo ao uso de transportes públicos, ciclismo, caminhadas e o planejamento urbano que favorece a proximidade de serviços e trabalho.

Ver também Alastramento Urbano Urbanização Mobilidade sustentável

Bibliografia TROI, M. de. Carrocracia: fluxo, desejo e diferenciação na cidade. Revista Periódicus, [S. l.], v. 1, n. 8, p. 270–298, 2018. DOI: 10.9771/peri.v1i8.22764. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/article/view/22764. Acesso em: 6 ago. 2024. Conrad, Schiffmann. “Carrocentrismo” o ciudad caminable en Costa Rica : costos y consecuencias del urbanismo enfocado en el automóvil / San José : Friedrich-Ebert-Stiftung, Octubre 2023. Disponível em: https://collections.fes.de/publikationen/content/titleinfo/451336. Acesso em: 6 aug. 2024. Categoria:Problemas urbanos Categoria:Terminologia de estudos urbanos e planeamento