Forças Armadas do Brasil (FA) são as forças militares brasileiras, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Força Aérea Brasileira. Conforme a Constituição Federal de 1988, "são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos Poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem". As FA estão subordinadas ao governo federal através do Ministério da Defesa.Ministry of Defence Structure "Defence" Ministério da Defesa. Acessado em junho 22, 2007.

O Brasil adota o serviço militar obrigatório, resultando em uma força militar das maiores do mundo, com efetivo calculado em mais de 1,6 milhão de homens em idades de reservista por ano. As polícias militares e os corpos de bombeiros militares estaduais e distritais são descritos como forças reservas e auxiliares constitucionais do Exército Brasileiro.

O Brasil é a segunda maior força militar da América (atrás apenas dos Estados Unidos), a maior força da América Latina e do Hemisfério Sul. Segundo a Global Firepower, eram militares na ativa (ready-to-fight) em 2022 e segundo a mesma o Brasil ocupa a nona posição de 10º potência militar mundial (posição contestada por outras fontes que classificam o Brasil em 35º). Elas estão expandindo sua presença na Amazônia por meio do programa Calha Norte. Em 1994, tropas brasileiras juntaram-se às forças de manutenção da paz das Nações Unidas (ONU) em cinco países. Os soldados brasileiros estiveram no Haiti de 2004 até 2017, liderando a Missão de Estabilização das Nações Unidas (MINUSTAH).Tropas brasileiras no Haiti. Acessado em 27 de abril de 2012.

As Forças Armadas são a instituição na qual o brasileiro mais confia, de acordo uma pesquisa de opinião feita em 2014 pela Fundação Getulio Vargas e pelo Datafolha. Em junho de 2017 a pesquisa do Datafolha apontou que 40% dos brasileiros diz confiar muito nas Forças Armadas do Brasil. Os militares brasileiros, especialmente os do Exército, tornaram-se mais envolvidos em ações ou programas cívicos, educacionais, de saúde e de construção de estradas, pontes e ferrovias em todo o país. Nesse sentido, duas perspectivas disputam a definição dos objetivos das forças armadas brasileiras (mas também no restante da América do Sul): de um lado, o conceito de segurança humana direciona para atuações internas (crime organizado e terrorismo) a partir de fomentos oriundos de instituições hemisféricas (como a Organização dos Estados Americanos) e borrando distinções entre força militar e força policial; do outro, o conceito de cooperação dissuasória direciona para atuações externas (questões tradicionais de soberania territorial, defesa de recursos naturais) conforme estimula(va)m o Conselho de Defesa Sul-Americano e documentos nacionais como o Estratégia Nacional de Defesa.

História

thumb|Proclamação da Independência do Brasil pelo Imperador Pedro I em 7 de setembro de 1822. miniaturadaimagem|Marinha do Brasil durante a Batalha de Riachuelo, na Guerra do Paraguai Desde 1648 as Forças Armadas brasileiras têm sido invocadas a lutar em defesa da soberania brasileira e para suprimir rebeliões civis.Bastos, Augusto Antonio Roa (2002). O livro da Guerra Grande. [S.l.]: Editora Record. 235 páginas. ISBN 978-8-50106-110-2 Os militares brasileiros também intervieram por quatro vezes para derrubar o governo brasileiro através de um golpe de Estado.Ferreira, Jorge; Gomes, Angela de Castro (2014). 1964: O golpe que derrubou um presidente, pôs fim ao regime democrático e instituiu a ditadura no Brasil 1ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira Abaixo uma lista de alguns dos acontecimentos históricos, incluindo golpes militares, dos quais as Forças Armadas do Brasil participaram: Noite da agonia (1822): o monarca Pedro I manda o Exército invadir o plenário da Assembleia Constituinte. Guerra da Independência do Brasil (1822–1824): uma série de campanhas militares que tinham como objetivo consolidar a soberania brasileira e pôs fim à resistência portuguesa. Guerra Cisplatina (1825–1828): um conflito armado em relação a uma área conhecida como Banda Oriental ou "Costa Leste", entre as Províncias Unidas do Rio da Prata e o Império do Brasil, no rescaldo da emancipação das Províncias Unidas da Espanha. Guerra do Prata (1851-1852): o Império brasileiro e seus aliados entraram em guerra contra o ditador Juan Manuel de Rosas, da Confederação Argentina. Guerra do Uruguai (1864–1865): intervenção brasileira no Uruguai. Com o apoio da Argentina, as forças imperiais depuseram o presidente Atanasio Aguirre do cargo e colocaram Venâncio Flores em seu lugar. Guerra do Paraguai (1864–1870): mais de 200 mil brasileiros lutaram nesse conflito, que é considerado como o mais grave da história brasileira, este foi o conflito onde as Forças Armadas estiveram mais envolvidas e onde mais tropas foram perdidas.Arruda, José and Piletti, Nelson. Toda a História (1997)(7° edition)(229 p.) Proclamação da República (1889): fim do Império do Brasil. Este foi o primeiro golpe de Estado realizado pelos militares brasileiros contra o chefe-de-estado. Golpe de Três de Novembro (1891): marechal Deodoro da Fonseca dissolve o Congresso Nacional, que é cercado pelo Exército. Guerra de Canudos (1893–1897): a pior rebelião do Brasil, os insurgentes derrotaram as três primeiras forças militares enviadas para sufocar a rebelião. Brasil na Primeira Guerra Mundial: o Brasil entrou na Primeira Guerra Mundial em 1917 ao lado da Tríplice Entente. O esforço do Brasil na Primeira Guerra Mundial ocorreu principalmente na campanha do Atlântico, com uma pequena participação na guerra terrestre. Revolução de 1930: segundo golpe militar contra o governo, em que o presidente Washington Luís foi substituído por Getúlio Vargas, que se tornou o presidente provisório. Golpe de 1937: Getúlio Vargas, que governava democraticamente desde 1934, com apoio e vigia dos militares, lança um autogolpe e se torna o ditador do Estado Novo. Brasil na Segunda Guerra Mundial (1942–1945): o Brasil declarou guerra à Alemanha nazista em agosto de 1942 e em 1944 enviou a chamada Força Expedicionária Brasileira (FEB) com 25 334 soldados para lutar na Itália fascista. Fim do Estado Novo (1945): o então presidente Getúlio Vargas é deposto por generais e, mais tarde, o general Eurico Dutra foi eleito presidente.HENRIQUES, Affonso, ''Vargas e o Estado Novo'', Sp, 1964 Movimento de 11 de Novembro (1955): golpe preventivo de militares e em apoio do Congresso para permitir a posse de Juscelino Kubitschek. Tentativa de golpe de Estado (25 de agosto de 1961): o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli e os três ministros militares, o marechal Odílio Denys, da Guerra, o vice-almirante Sílvio Heck, da Marinha, e o brigadeiro do ar Gabriel Grün Moss, da Aeronáutica, se juntaram para impedir a posse do vice-presidente João Goulart, após a renúncia de Jânio Quadros. Isso conduziu à Campanha da Legalidade e à instauração de um efêmero regime parlamentarista com Tancredo Neves na posição de primeiro-ministro. Golpe de Estado de 1964: presidente João Goulart é destituído do cargo, levando a uma ditadura militar que durou até 1985. Emissão do AI-12 (1969): junta militar de 1969 impediu o vice-presidente Pedro Aleixo de ascender ao cargo de presidente do Brasil.

Segundo fontes internacionais, o Brasil já possui secretamente a tecnologia para a produção de uma bomba atômica.Entrevista com pesquisador alemão Deutsche Welle em DW-World Acessado em 10 de janeiro de 2010. O ex-ministro Alberto Mendes Cardoso, ex-chefe da Casa Militar e do Gabinete de Segurança Institucional no governo de Fernando Henrique Cardoso, confirmou que o Brasil já domina o conhecimento e se quisesse, poderia dirigir a tecnologia à construção da bomba nuclear.Zequinha Barreto Socialismo e Democracia Acessado em 10 de janeiro de 2011. A Marinha do Brasil, através de seu programa nuclear, e o Exército Brasileiro, através de seu Instituto Militar de Engenharia, já adquiriram tecnologia suficiente para que assim que o governo brasileiro desejar, construir a bomba atômica mais poderosa entre todas, a bomba atômica termonuclear.

Com a Nova República, as forças armadas brasileiras se apresentam em um novo contexto. A América do Sul é um continente relativamente pacífico em que as guerras são um evento raro; como resultado, o Brasil não tem seu território invadido desde 1865, durante a Guerra do Paraguai. O Brasil é o único país, além da China e da Rússia, que tem fronteiras terrestres com dez ou mais nações, mas não tem disputas territoriais com qualquer um dos seus vizinhos e nem rivalidades, como acontece entre Chile e Bolívia.

São ou quilômetros de fronteiras terrestres e quilômetros de litoral para serem patrulhados e defendidos. Em geral, as forças armadas têm de defender milhões de quilômetros quadrados, sendo milhões quilômetros quadrados de terra(p.22) das águas territoriais — ou de Amazônia Azul, como a Marinha brasileira costumam chamá-las. Para atingir esta missão de forma adequada, quantidades significativas de poder humano e de financiamento têm de ser disponibilizadas

thumb|esquerda|Um soldado da MINUSTAH na favela de Cité Soleil, em Porto Príncipe, Haiti.

Desde a década de 1990 o Brasil tem tentado deslocalizar as suas forças, de acordo com esta exigência de segurança nacional. Entre 2003 e 2008, a 2.ª Brigada Infantaria Selva, o 3.º Batalhão Infantaria, o 19.º Batalhão Logístico e a 22.ª Pelotão de Polícia do Exército foram transferidos pelo Exército do Estado do Rio de Janeiro para a região amazônica. Além disso, o 1.º Regimento de Carros de Combate e o 3.º Regimento de Carros de Combate também foram realocados do estado do Rio de Janeiro para as cidades de Santa Maria, no Rio Grande do Sul e Ponta Grossa, no Paraná, respectivamente. Apesar desses esforços, os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo continuam a concentrar mais de 49 mil soldados. Em maio de 2008, a Marinha anunciou planos para reposicionar as suas forças em todo o país.

Além disso, construiu uma tradição de participação em missões de paz da ONU, como no Haiti e Timor-Leste.

Em junho de 2020, Sérgio Xavier Ferolla, ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), criticou a proximidade de membros das Forças Armadas do Brasil ao Governo Jair Bolsonaro, afirmando que tal atitude prejudica a imagem das instituições.

Organização As Forças Armadas do Brasil são divididos em três ramos: Marinha do Brasil, Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira. A Polícia Militar do Brasil (polícia estadual) ao lado do Corpo de Bombeiros Militar são descritos como uma força auxiliar e de reserva do Exército. Todos os três ramos militares são parte do Ministério da Defesa."Defence" Ministério da Defesa. Acessado em 27 de abril de 2012. A Marinha do Brasil, que é considerada a força mais antiga, inclui o Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil e a Aviação Naval Brasileira.

Marinha thumb|NAM Atlântico, navio-chefe da Marinha. thumb|Fragatas brasileiras durante um treinamento

A Marinha do Brasil é a força militar responsável pelas operações navais e para a guarda de águas territoriais brasileiras. É a mais antiga das forças armadas brasileiras, e a maior marinha da América Latina, A Marinha brasileira possui fragatas, corvetas, navios patrulha oceânicos e costeiros, navios tanque, de desembarque de tropas e de blindados, submarinos e muitas outras embarcações fluviais e costeiras, além de helicópteros e caças Skyhawk.