O “escândalo das armas podres” foi um escândalo de corrupção ocorrido no Reino do Egito, em 1948, no contexto da Guerra Árabe-Israelense.
Contexto miniaturadaimagem|Rei Faruque I do Egito O Reino do Egito, governado desde 1936 pelo rei Faruque I, vivia um contexto de crise em que a pobreza e a desigualdade cresciam, enquanto a monarquia era vista pela maior parte da população como fraca, corrupta e vendida aos interesses britânicos.
Nesse contexto, o governo egípcio aproveitou seu envolvimento na Guerra Árabe-Israelense (1948-1949) para mobilizar o nacionalismo da população e tentar angariar popularidade. Porém, um escândalo de corrupção envolvendo diretamente a frente de batalha desencadearia uma série de acontecimentos de suma importância para a história moderna do Egito.
Escândalo miniaturadaimagem|Cenas da Guerra Árabe-Israelense de 1948|esquerda A participação egípcia no conflito foi um desastre e Israel acabou por obter vitórias maiores do que as esperadas. Em consequência, cerca de 1.500 soldados egípcios pereceram no campo de batalha.
À insatisfação já existente com o governo de Faruque e à óbvia incompetência do Alto Comando egípcio, somou-se a descoberta de um escândalo de corrupção que ficaria conhecido como o “escândalo das armas podres”: militares egípcios de alta patente e empresários nacionais e estrangeiros ligados à monarquia egípcia teriam adquirido armas obsoletas, sucateadas e defeituosas de fabricantes europeus, superfaturando seu valor em muitas vezes e as repassando diretamente para as mãos dos soldados egípcios.
Esse escândalo, ainda que contestado em sua magnitude, é considerado condizente com relatos do front de batalha, em que metralhadoras travavam, granadas explodiam antes da hora e munições estavam vencidas, colocando em xeque o potencial bélico do Exército Egípcio e a vida de seus soldados.
Desdobramentos Ainda que o escândalo não seja a única razão para a derrota egípcia contra Israel e a monarquia pró-britânica de Faruque I já sofresse forte oposição por sua incompetência administrativa, altos graus de corrupção e grande desigualdade social, o episódio foi crucial para o surgimento do movimento dos "Oficiais Livres" no seio das Forças Armadas egípcias, responsáveis pela Revolução Egípcia de 1952, que levaria à queda da monarquia, em um golpe com grande apoio popular.
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