American Idiot é o sétimo álbum de estúdio da banda de rock estadunidense Green Day, lançado em 21 de setembro de 2004 através da Reprise Records. O álbum foi produzido por Rob Cavallo em colaboração com a banda. As gravações de American Idiot aconteceram no Studio 880 em Oakland e no Ocean Way Recording em Hollywood, ambos na Califórnia, entre 2003 e 2004. Um álbum conceitual, apelidado de "ópera punk rock" pelos integrantes da banda, American Idiot narra a história de Jesus of Suburbia, um anti-herói adolescente americano da classe média baixa. O álbum expressa a desilusão e a dissidência de uma geração que atingiu a maioridade em um período marcado por eventos tumultuosos como o 11 de setembro e a Guerra do Iraque. Para alcançar esse objetivo, a banda utilizou técnicas não convencionais, incluindo transições entre faixas conectadas e algumas composições longas, divididas em capítulos e criativas, que apresentavam os temas do álbum.

Após as vendas decepcionantes de seu álbum anterior, Warning (2000), a banda fez uma pausa e então começou o que haviam planejado para ser seu próximo álbum, Cigarettes and Valentines. No entanto, a gravação foi interrompida quando as fitas de áudio foram roubadas; após isso, a banda decidiu começar seu próximo álbum do zero. O resultado foi um disco mais crítico em termos sociais e politicamente engajado, que retomou o som punk rock da banda após o álbum Warning, com influências mais folk e power pop, e incorporou novas influências que não haviam sido exploradas em seus trabalhos anteriores. Além disso, a banda passou por uma "mudança de imagem", vestindo uniformes vermelhos e pretos no palco, para adicionar uma presença mais teatral ao álbum durante as apresentações e eventos de imprensa.

O álbum tornou-se um dos lançamentos mais aguardados de 2004. Marcou o retorno triunfal do Green Day, entrando nas paradas musicais de 27 países. Alcançou o primeiro o topo da Billboard 200, um feito inédito para a banda, além de liderar as paradas de outros 18 países. Vendeu mais de 23 milhões de cópias mundialmente, tornando-se o segundo álbum mais vendido da banda (atrás apenas de Dookie, lançado em 1994), bem como um dos álbuns mais vendidos da década e de todos os tempos, recebendo o certificado de 6× Platina pela Recording Industry Association of America (RIAA) em 2013. É também o álbum de rock mais vendido do século XXI no Reino Unido. O projeto produziu cinco singles de grande sucesso: a faixa-título, "Holiday", "Wake Me Up When September Ends", "Jesus of Suburbia" e "Boulevard of Broken Dreams", que ganhou o prêmio de Gravação do Ano no 48.º Grammy Awards.

American Idiot foi um sucesso de crítica e público após seu lançamento, e desde então tem sido aclamado como um dos melhores álbuns de todos os tempos. Foi indicado na categoria de Álbum do Ano e venceu o prêmio de Melhor Álbum de Rock no 47.º Grammy Awards. O álbum também foi indicado aos prêmios de Melhor Álbum no Europe Music Awards e no Billboard Music Awards, vencendo o primeiro. Seu sucesso inspirou um musical da Broadway, um documentário e uma adaptação cinematográfica que nunca chegou a ser produzida. O álbum foi incluído na lista dos 500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos da revista Rolling Stone.

Antecedentes A banda Green Day, que formou-se em 1986 e passou seus primeiros anos apresentando-se em clubes de punk rock, emergiu no começo da década de 1990 como um dos grupos mais populares de rock. O terceiro disco do conjunto, Dookie, lançado em 1994, vendeu mais de vinte milhões de cópias mundialmente. Os lançamentos subsequentes também obtiveram sucesso; Insomniac (1995) e Nimrod (1997) foram certificados com múltiplos discos de platina nos Estados Unidos, mas falharam em conquistar a certificação de diamante que foi obtida por Dookie. O próximo álbum, Warning, lançado em 2000, foi considerado um fracasso comercial, apesar das críticas positivas. No começo de 2002, o grupo embarcou na Pop Disaster Tour, liderada em conjunto com os compatriotas do Blink-182. A turnê impulsionou o trio, que passou a ser visto como "os velhos experientes" da cena do pop punk à época, que consistia de bandas como Good Charlotte, Sum 41 e New Found Glory.

Nessa altura, as coisas haviam chegado ao ponto de existir brigas não resolvidas entre os três membros. A banda estava "briguenta e miserável", de acordo com o baixista Mike Dirnt, e precisava de uma "mudança de direção". Em adição, acabava de ser lançada a coletânea de grandes sucessos International Superhits!, que a banda sentiu ser "um convite à crise da meia-idade". O vocalista do grupo, Billie Joe Armstrong, ligou para Dirnt e perguntou: "Você quer continuar a fazer a banda?" Ele sentia-se inseguro, tendo tornado-se "fascinado e aterrorizado" por seu modo de vida imprudente, e seu casamento estava correndo perigo. Dirnt e o baterista Tré Cool viam-no como controlador, enquanto Armstrong relutava em mostrar novas canções a seus companheiros. A partir de janeiro de 2003, o grupo passou a ter encontros semanais, o que resultou em um sentimento de revitalização nos integrantes. Eles focaram em dar mais atenção às ideias de Cool e Dirnt, com "mais respeito e menos críticas".

Grande parte do ano de 2002 foi passada no Studio 880 em Oakland, Califórnia, onde novo material estava a ser gravado para um álbum chamado Cigarettes and Valentines; estavam a ser criadas "canções de polka, versões explícitas de músicas de Natal [e] faixas de salsa" para o projeto, com a esperança de estabelecer algo novo para o som do Green Day. Depois de completar em torno de vinte músicas, as fitas mestre cruas foram roubadas em novembro de 2002. Os membros do grupo disseram que não tinham ideia de onde estavam as fitas até 2016, quando, durante uma entrevista para a NME, Armstrong e Dirnt disseram ter recuperado o material e que a banda estava a usá-lo para novas ideias. Com o roubo, o grupo consultou seu produtor de longa data, Rob Cavallo, sobre o que fazer em seguida. Cavallo disse-os para pensar se as faixas perdidas representavam "o melhor trabalho" da banda. De acordo com Armstrong: "Não podíamos olhar para nós mesmos e pensar: 'Isso foi a melhor coisa que já fizemos'. Então decidimos seguir e frente e fazer uma coisa completamente nova". Eles concordaram em passar os próximos três meses escrevendo novas faixas.

Gravação e produção thumb|esquerda|190px|Rob Cavallo produziu todas as faixas de American Idiot, mantendo uma parceria que começou com Dookie, em 1994. American Idiot nasceu de dois incidentes: o supracitado roubo das fitas e uma ocasião em que os integrantes, individualmente, tentaram criar faixas de trinta segundos cada. Armstrong lembrou: "Começou a ficar mais sério à medida em que tentávamos superar uns aos outros. Continuamos a conectar esses pedaços de meio minuto até termos algo". Isso resultou em "Homecoming", e, em seguida, "Jesus of Suburbia". Com isso, o desenvolvimento do álbum foi consideravelmente alterado, e o trio passou a ver canções como mais que apenas isso — como capítulos, movimentos, ou, potencialmente, um filme ou romance. Pouco depois, o vocalista escreveu a faixa-título, que trata, explicitamente, sobre problemas sociopolíticos. Logo após, o grupo decidiu que iriam direcionar o trabalho no disco para que ele se tornasse o que chamaram de "ópera punk rock".

Antes de gravar, o Green Day alugou um espaço de ensaio em Oakland. Armstrong convidou Cavallo para comparecer às sessões e ajudá-los com o processo de composição. O produtor incentivou a ideia de um álbum conceitual, lembrando-se de uma conversa que os dois tiveram uma década antes, em que o vocalista lhe disse que desejava que a carreira da banda tivesse um "arco criativo parecido com o dos Beatles". Durante as sessões no Studio 880, os membros passavam os dias escrevendo e ficavam acordados até tarde, bebendo e discutindo sobre música. Eles criaram uma rádio pirata, onde eram transmitidas jam sessions, e, ocasionalmente, trotes. O grupo ensaiou o álbum de maneira que, quando fossem de fato gravar, já o tivessem todo escrito e sequenciado. Com o objetivo de esvaziar a cabeça e ter novas ideias para faixas, Armstrong viajou para Nova York sozinho por algumas semanas, alugando um pequeno apartamento em East Village, Manhattan. Ele passava a maior parte do seu tempo vagando e participando de jam sessions no porão do Hi-Fi, um bar de Manhattan. O cantor passou a socializar com os compositores Ryan Adams e Jesse Malin. Muitas das canções presentes no produto final foram inspiradas pelo tempo em que ele viveu em Manhattan, incluindo "Boulevard of Broken Dreams" e "Are We the Waiting". Enquanto morava lá, Armstrong também formulou grande parte da história do disco, sobre as pessoas "saindo e curtindo à beça, mas, mesmo assim, lutando contra seus demônios".

Com as demos completas, o trio realocou-se em Los Angeles para continuar a trabalhar no projeto. No começo, as gravações ocorreram no Ocean Way Recording; depois, foram realocadas para o Capitol Studios, para a finalização. Cool levou diversos kits de bateria para o estúdio, incluindo mais de 75 caixas. As faixas de bateria foram gravadas em fitas de 2" para produzir um som comprimido, e foram transferidas para o Pro Tools, para mixagem com os outros instrumentos; elas foram produzidas no Ocean Way Studio B, escolhido por seu teto alto e pisos acústicos, que resultavam em um melhor som, e gravadas na ordem das faixas, algo que aconteceu pela primeira vez na história da banda; cada canção era gravada em sua totalidade antes de proceder. Eles trocaram a ordem em que gravavam guitarra e baixo, passando a gravar a guitarra primeiro, já que ouviram dizer que era assim que os Beatles faziam. Armstrong afirmou que, durante o processo de gravação, houve momentos em que teve medo da quantidade de trabalho que dependia de si, comparando com escalar uma montanha.

O grupo manteve uma posição relaxada em relação à rotina de gravação. Por cinco meses, o trio manteve-se em um hotel em Hollywood para as sessões, onde comumente tocavam música em um volume elevado, gerando reclamações dos hóspedes. Os integrantes admitiram ter ido para festas durante as sessões em L.A.; Armstrong teve de marcar gravações vocais em meio a suas ressacas. Ele descreveu o ambiente: "Pela primeira vez, estávamos separados dos nossos passados, de como tínhamos de nos comportar como Green Day. Pela primeira vez, aceitamos o fato de que éramos estrelas do rock". American Idiot demorou dez meses para ficar pronto, e custou 650 mil dólares. Ao final do processo, o vocalista sentia-se "delirando" ao descrever o disco: "Parece que eu estou no pico de alguma coisa com esse álbum. [...] Eu realmente sinto [...] como se estivéssemos no topo nesse momento".

Lançamento e capa American Idiot foi lançado em 20 de setembro de 2004 no Reino Unido e um dia depois nos Estados Unidos, através da Reprise Records, e foi distribuído mundialmente pela Warner Music. O encarte do álbum apresenta as letras das faixas escritas à mão, em um papel que assemelha-se a de um caderno. Em 27 de novembro de 2015, o álbum foi relançado em formato de disco de vinil, como forma de comemoração da Black Friday; a prensagem foi de 5 mil cópias.