A economia de Cuba é sustentada por recursos naturais que variam de minerais como o níquel e cobalto, com paisagens tropicais que atraem milhões de turistas todos os anos. O capital humano de Cuba é um dos principais pilares da indústria do país, com a maior taxa de alfabetização do Caribe.

O índice de pobreza de Cuba era o quinto menor em 2017 dentre os 102 países em desenvolvimento pesquisados pela Pnud, organismo da ONU.GARAVELLO, Murilo. Regime de Fidel cerceou democracia e direitos humanos, mas melhorou qualidade de vida. São Paulo: Especial Cuba, Últimas Notícias, UOL, 19 de fevereiro de 2008, acessado às 14:06 Em 2016 Cuba ficou em 68° lugar no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano; o IDH de Cuba foi 0,775. Na América Latina ficou aquém de Chile, Argentina, Barbados, Uruguai, Bahamas, Panamá, Antígua e Barbuda, Trinidade e Tobago e Costa Rica.http://hdr.undp.org/sites/default/files/2016_human_development_report.pdf O maior gasto, proporcional ao PIB, do mundo com educação pertence a Cuba (8,96% do PIB), seguida da Dinamarca (8,51% do PIB) e Suécia (7,66% do PIB).Renda Per Capita dos Países, Fevereiro 15, 2007

Historicamente, Cuba foi um dos países mais prósperos da América Latina. No momento da Revolução Cubana, de 1953 a 1959, durante a ditadura militar de Fulgencio Batista, o PIB per capita de Cuba ficava em 7º lugar entre 47 economias latino-americanas. A revolução socialista foi seguida pelo atual embargo dos Estados Unidos contra Cuba, descrito como "o mais antigo e abrangente regime de sanções econômicas dos Estados Unidos contra qualquer país do mundo".

Durante a Guerra Fria, a economia cubana era fortemente dependente de subsídios da União Soviética, que representavam de 10% a 40% do PIB cubano em vários anos e avaliados em US$ 65 bilhões no total de 1960 a 1990, mais de três vezes o total da ajuda econômica dos Estados Unidos à América Latina por meio da Aliança para o Progresso. Embora os enormes subsídios soviéticos tenham financiado o enorme orçamento estatal de Cuba, eles não desenvolveram suficientemente uma economia cubana autossustentável. Descrita por economistas como "uma economia de exportação latino-americana relativamente altamente desenvolvida" em 1959 e no início dos anos 1960, a estrutura econômica fundamental de Cuba mudou muito pouco da Revolução até 1990. Charutos e cigarros eram os únicos produtos manufaturados entre as principais exportações de Cuba, produzidos principalmente por peças pré-industriais. A economia permaneceu ineficiente e superespecializada em algumas commodities compradas pelos países do Bloco Oriental.The Economic Impact of U.S. Sanctions With Respect to Cuba. United States International Trade Commission, Publicação 3398. Washington D.C., Fevereiro de 2001. Citing ECLAC, La Economia Cubana, p. 217; IMF, Direction of Trade Statistics Yearbook, various editions; and EIU, Cuba, Annual Supplement, 1980, p.22.

História

Período antes da independência de Espanha (até 1898)

Até meados do século XVIII, a grande importância de Cuba no império espanhol era ser o entreposto comercial na remessa da prata das minas do México e Peru para a Espanha. A escravidão era irrelevante quando comparado com São Domingos (atual Haiti) e a Jamaica. Em 1800 era uma região urbanizada, com uma sociedade de serviços, e provavelmente mais rica que a Nova Inglaterra da época.

Esse quadro mudou rapidamente. Primeiro com a revolução haitiana que virtualmente acabou com as exportações de açúcar daquela ilha. Além disso, as lutas pela independência no México impactaram fortemente a produção das minas, diminuindo muito o transporte de prata para a Espanha. Esses eventos, somado a melhorias tecnológicas, transformaram Cuba na principal produtora mundial de açúcar já em meados do século XIX. Além disso, mudaram sua demografia, pois esse cultivo exigiu um enorme influxo de africanos escravizados.

Na década de 1820, o açúcar de Cuba era o dominante internacionalmente, e foi alvo de investimento de capital proveniente dos Estados Unidos da América (EUA), à procura de fontes de investimento que trouxessem lucro. Em 1823, foi proclamada a Doutrina Monroe, que declarava o domínio estadunidense do Continente Americano, em detrimento do domínio europeu. Nesta altura, o então Secretário de Estado John Quincy Adams afirmou que "Cuba, como uma maçã madura, deve gravitar naturalmente para os EUA quando separada de Espanha", país que detinha então Cuba como colónia. Ao longo do século XIX, o tema da necessidade dos EUA anexarem Cuba era recorrente, havendo, inclusive, uma tentativa em 1848 do Presidente James K. Polk de comprar Cuba por cem milhões de dólares americanos, rejeitada por Espanha.

Foi formada uma rede de empresas estadunidenses na ilha, e milhares de investidores, comerciantes e representantes de empresas estadunidenses alteraram a sua residência para Cuba, influenciando assim a sua economia e aumentando a sua importância para as elites dos EUA. Como resultado das três Guerras de Indepedência Cubana, que causaram a destruição de propriedade e comércio, assim como um embargo de Espanha a qualquer pessoa relacionada com as lutas independentistas, levaram ao aumento da propriedade estadunidense na ilha. Na década de 1870, 75% das exportações de açúcar cubano tinham como destino os EUA, e em 1895 os investimentos estadunidenses totalizavam cerca de 95 milhões de dólares americanos. Assim, a lógica da relação económica entre os Cuba e os EUA era dominada pela expansão do capitalismo corporativo, ou um imperialismo nascente, onde as indústrias cubanas estavam subordinadas aos seus interesses. As propriedades e fábricas cubanas foram absorvidas a uma taxa cada vez maior, uma característica da transição dos Estados Unidos a potência hegemónica. Geopoliticamente, Cuba estava num local chave por várias razões: para proteger Nova Orleães e a Flórida, para controlar a América Central, assim como a comunicação interoceânica, que era fulcral para a economia estadunidense. Neste contexto, os objetivos imperativos para os Estados Unidos era remover o domínio espanhol de Cuba, e impedir que outra potência europeia ocupasse o seu lugar. Em 1898, num período onde a derrota de Espanha para o movimento independentista se avizinhava, houve uma intervenção dos Estados Unidos, de modo a prevenir a revolução social. Os Estados Unidos geriram a construção de uma república cubana onde as elites tradicionais, ameaçadas pelo radicalismo dos que lutavam pela indendência, mantinham um lugar privilegiado, e a oligarquia cubana foi incorporada subordinantemente, e de livre vontade, ao poder à estrutura de poder estadunidense. A oligarquia passou a ser um fator chave na produção, e também na reprodução, da hegemonia estadunidense.

Período de domínio estadunidense (1899 — 1959)

Décadas de 1900 e 1910 Em 1902, a República de Cuba foi formada, e continha vários elementos para assegurar o domínio dos Estados Unidos, nomeadamente através da incorporação da Emenda Platt na constituição, em troca da independência nominal do país. Os Estados Unidos passaram a ter controlo das relações externas de Cuba, assim como as suas finanças públicas, construíram duas bases militares no país, e passaram a ter o direito de intervir em Cuba quando quisessem. O General Juan Gualberto Gómez, um dos heróis do movimento independentista, disse que "reduziu a independência e a soberania da República Cubana a um mito". As tropas estadunidenses voltaram a Cuba de 1906 a 1909, em 1912, e de 1917 a 1923. O Tratado de Reciprocidade de Comércio (), em 1904, fortaleceu a dominação estadunidense sobre a economia cubana, onde os produtos agriculturais cubanos exportados para os EUA passaram a ter um desconto tarifário de 20%, e os mais variados bens estadunidenses podiam receber um desconto tarifário de até 40% em Cuba.

Décadas de 1920 e 1930 Na década de 1920, as empresas estadunidenses eram detinham cerca de 70% da produção de açúcar cubano. Foram feitos empréstimos enormes pelos bancos estadunidenses à produção açucareira cubana, o que gerou uma bolha especulativa denominada "Dança dos Milhões". Quando a bolha rebentou, os bancos transformaram os ativos em propriedade estadunidense. Em 1929, do investimento estadunidense que tinha disparado para 919 milhões de dólares, 62% tinha como destino a agricultura, principalmente a indústria açucareira. As importações também tinham principalmente como origem os EUA, do qual provinham 95% dos bens de capital e 100% das peças sobressalentes. Durante a Grande Depressão, o capital estadunidense diminuiu, e parte da indústria açucareira cubana passou a ser propriedade de cubana. Neste período, entre 1929 e 1932, com a queda dos preços e da produção, o valor da indústria do açúcar caiu de duzentos milhões de dólares para quarenta milhões de dólares, o que teve fortes impactos na sociedade cubana. Houve várias convulsões políticas, ocorrendo greves, instituindo-se conselhos operários (sovietes) nos engenhos de açúcar da ilha, acabando com o fim da ditadura do General Gerardo Machado na Revolta dos Sargentos de 1933. Nesta revolta, Fulgencio Batista começou a ter protagonismo, e, em janeiro de 1934, em conjunto com o enviado estadunidense Sumner Wells, forçou o Presidente Ramón Grau San Martín e o seu Governo Progressista dos Cem Dias a resignar. Em maio, foi introduzido pelo governo estadunidense um sistema de quotas para controlar as importações de açúcar, onde a Cuba pertencia uma percentagem das importações totais estadunidenses, atuando assim como instrumento de controlo político e económico sobre o governo cubano, pois a quota podia sofrer, e sofreu alterações.

Década de 1940 Nos fins da década de 1940, a produção açucareira, assim como todos os seus derivados, totalizavam 86% das exportações cubanas, 80% das quais tinham como destino os Estados Unidos, fazendo Cuba, assim, o maior país produtor e exportador de açúcar. As empresas açucareiras eram donas de 75% da terra arável, metade das quais eram deixadas em pousio, e, apesar de serem fontes de emprego para um quatro da força total de trabalho cubana, apenas 25 mil trabalhavam a tempo inteiro, e até 500 mil trabalhadores, contratados durante o período de colheita, que durava dois a quatro meses, eram despedidos no "tempo morto" (), após as colheitas. A pobreza, o desemprego e a falta de emprego eram características intrínsecas desta sociedade, coagindo os trabalhadores a venderem a sua força de trabalho a um preço baixíssimo.

Década de 1950 Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a indústria açucareira cubana estagnou, e a quota imposta pelos Estados Unidos desincentivava o investimento, com os trabalhadores a resistirem a mecanização, em simultâneo. Desta forma, o investimento estadunidense passou a ser principalmente para serviços públicos, e, em menor escala, as indústrias petrolíferas, transformadora, mineira, entre outras. Como resultado, a infraestrutura cubana de caminhos de ferro, autoestradas, portos e instalações de comunicações passou a estar entre as mais desenvolvidas da América Latina. O investimento direto a Cuba por parte dos Estados Unidos totalizou 713 milhões de dólares em 1955, ficando em terceiro lugar na lista de países que mais investimento direto recebiam na altura. Assim, 90% dos serviços elétricos e de telefonia eram controlados por investidores estadunidenses, 50% das redes de caminho de ferro, e 40% da produção de açúcar não processado.